Iggy Pop: Onde estaríamos sem esse cidadão?
Resenha - Nude & Rude: The Best of Iggy Pop
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 15 de abril de 2014
"Um dia, indo no ônibus da escola, ouvi no rádio 'Louie, Louie' com os KINGSMEN. Fiquei louco. Aquilo era tão desobediente, tão sujo e tão ruim, que eu adorei. Pensei: 'Porra, esses caras devem estar cheios de mulheres, se divertindo para cacete'. Pouco tempo depois, montei minha própria banda."- IGGY POP
JAMES NEWELL OSTERBERG JR. poderia ter sido mais um baterista desconhecido da (desconhecida) PRIME MOVERS naquele que foi o grande boom de bandas herdeiras da Invasão Britânica em meados dos anos 60; poderia ter sido mais um funcionário nas linhas de produção da industrial área metropolitana de Detroit onde cresceu; poderia ter sido professor de inglês ou treinador de basquete como seu pai havia sido- poderia; mas preferiu criar a performance hardcore de palcos, quase se matar pelo uso desenfreado de heroína, inventar o punk rock e criar uma personagem que andava com as calças na altura do púbis- e mudou o rock n´roll para sempre.
Não se trata de exagero: IGGY POP inseriu o stage diving, a auto mutilação e a escatologia como elementos cênicos- 'Uau, isso é ótimo. Ele está realmente irritando as pessoas e fazendo esses caras ficar com raiva; as pessoas estavam correndo do palco e Morrison gritando 'Fodam-se", explicou em uma entrevista como, reciclando a estética transgressora de JIM MORRISON, transformou a performance em elemento central do show bussiness. A frente dos STOOGES, na parceira com BOWIE ou em vôo solo, IGGY vem se reinventando ao longo dos anos, transitando em aproximações com o pós –punk, jazz, pop e o hard com a desenvoltura que contorce sua carcaça sexagenária- afundada em cicatrizes e inacreditavelmente em forma- pelos palcos até hoje.
Distribuída em vinte e dois álbuns, a extensa discografia de POP foi bem distribuída na compilação lançada em 1996, "Nude & Crude" que, apesar de carecer dos lançamentos nos últimos anos, capta uma polaroid sonora excelente para os catecúmenos na matéria- da facada nos rins de ‘I Wanna Be Your Dog" ao wah- wah "hardeiro" de ‘Wild América" compreendem-se trinta anos que influenciaram de RAMONES ao pop britânico dos anos 80, do eletropop ao grunge. Do ‘amontoado de riffs pecaminosos"- como já foram nomeados por STEVE CHIK- de ‘No Fun’ e ‘Search and Destroy" ao encontro entre "JAMES BROWN e KRAFTWERK"- como definido pelo próprio – de "Night Clubbing" e "China Girl’ (ambas do clássico ‘The Idiot’ de 1977), fica evidente que mesmo em reabilitação, IGGY tinha fôlego para encarar o seu annus mirabilis (que também rendeu o excelente "Lust For life"). Do pop blues de ‘Real Wild Child" à suavidade de "Candy", IGGY mostra que soube ministrar a dose radiofônica em seu som sem transformá-lo em uma porcaria descartável.
"Estou cansado de ficar calado e eu sou o menino selvagem/Estou cansado de ficar calado e eu sou o menino selvagem/Mas se eu tiver que morrer aqui pela primeira vez vou fazer um pouco de barulho" diz a letra de "Kill City". Onde estaríamos sem esse cidadão?
1. The Stooges - "I Wanna Be Your Dog" - 3:10
2. The Stooges - "No Fun" - 5:15
3. Iggy & The Stooges - "Search and Destroy" - 3:26
4. Iggy & The Stooges - "Gimme Danger" - 3:22
5. Iggy & The Stooges - "I'm Sick of You" - 6:49
6. "Funtime" - 2:54
7. "Nightclubbing" - 4:15
8. "China Girl" - 5:07
9. "Lust for Life" - 5:10
10. "The Passenger" - 4:41
11. "Kill City" (featuring James Williamson) - 2:22
12. "Real Wild Child (Wild One)" - 3:38
13. "Cry for Love" - 4:29
14. "Cold Metal" - 3:27
15. "Candy" (featuring Kate Pierson) - 4:13
16. "Home" - 4:00
17. "Wild America" - 5:52
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