Iggy Pop: Onde estaríamos sem esse cidadão?

Resenha - Nude & Rude: The Best of Iggy Pop

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Por Paulo Severo da Costa
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"Um dia, indo no ônibus da escola, ouvi no rádio 'Louie, Louie' com os KINGSMEN. Fiquei louco. Aquilo era tão desobediente, tão sujo e tão ruim, que eu adorei. Pensei: 'Porra, esses caras devem estar cheios de mulheres, se divertindo para cacete'. Pouco tempo depois, montei minha própria banda."- IGGY POP

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JAMES NEWELL OSTERBERG JR. poderia ter sido mais um baterista desconhecido da (desconhecida) PRIME MOVERS naquele que foi o grande boom de bandas herdeiras da Invasão Britânica em meados dos anos 60; poderia ter sido mais um funcionário nas linhas de produção da industrial área metropolitana de Detroit onde cresceu; poderia ter sido professor de inglês ou treinador de basquete como seu pai havia sido- poderia; mas preferiu criar a performance hardcore de palcos, quase se matar pelo uso desenfreado de heroína, inventar o punk rock e criar uma personagem que andava com as calças na altura do púbis- e mudou o rock n'roll para sempre.

Não se trata de exagero: IGGY POP inseriu o stage diving, a auto mutilação e a escatologia como elementos cênicos- 'Uau, isso é ótimo. Ele está realmente irritando as pessoas e fazendo esses caras ficar com raiva; as pessoas estavam correndo do palco e Morrison gritando 'Fodam-se", explicou em uma entrevista como, reciclando a estética transgressora de JIM MORRISON, transformou a performance em elemento central do show bussiness. A frente dos STOOGES, na parceira com BOWIE ou em vôo solo, IGGY vem se reinventando ao longo dos anos, transitando em aproximações com o pós -punk, jazz, pop e o hard com a desenvoltura que contorce sua carcaça sexagenária- afundada em cicatrizes e inacreditavelmente em forma- pelos palcos até hoje.

Distribuída em vinte e dois álbuns, a extensa discografia de POP foi bem distribuída na compilação lançada em 1996, "Nude & Crude" que, apesar de carecer dos lançamentos nos últimos anos, capta uma polaroid sonora excelente para os catecúmenos na matéria- da facada nos rins de 'I Wanna Be Your Dog" ao wah- wah "hardeiro" de 'Wild América" compreendem-se trinta anos que influenciaram de RAMONES ao pop britânico dos anos 80, do eletropop ao grunge. Do 'amontoado de riffs pecaminosos"- como já foram nomeados por STEVE CHIK- de 'No Fun' e 'Search and Destroy" ao encontro entre "JAMES BROWN e KRAFTWERK"- como definido pelo próprio - de "Night Clubbing" e "China Girl' (ambas do clássico 'The Idiot' de 1977), fica evidente que mesmo em reabilitação, IGGY tinha fôlego para encarar o seu annus mirabilis (que também rendeu o excelente "Lust For life"). Do pop blues de 'Real Wild Child" à suavidade de "Candy", IGGY mostra que soube ministrar a dose radiofônica em seu som sem transformá-lo em uma porcaria descartável.

"Estou cansado de ficar calado e eu sou o menino selvagem/Estou cansado de ficar calado e eu sou o menino selvagem/Mas se eu tiver que morrer aqui pela primeira vez vou fazer um pouco de barulho" diz a letra de "Kill City". Onde estaríamos sem esse cidadão?

1. The Stooges - "I Wanna Be Your Dog" - 3:10
2. The Stooges - "No Fun" - 5:15
3. Iggy & The Stooges - "Search and Destroy" - 3:26
4. Iggy & The Stooges - "Gimme Danger" - 3:22
5. Iggy & The Stooges - "I'm Sick of You" - 6:49
6. "Funtime" - 2:54
7. "Nightclubbing" - 4:15
8. "China Girl" - 5:07
9. "Lust for Life" - 5:10
10. "The Passenger" - 4:41
11. "Kill City" (featuring James Williamson) - 2:22
12. "Real Wild Child (Wild One)" - 3:38
13. "Cry for Love" - 4:29
14. "Cold Metal" - 3:27
15. "Candy" (featuring Kate Pierson) - 4:13
16. "Home" - 4:00
17. "Wild America" - 5:52




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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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