Within Temptation: A eterna busca pela reinvenção

Resenha - Hydra - Within Temptation

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Por Gustavo Maiato
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Hidra é um monstro mitológico contra qual Hércules teve que lutar em um dos seus famosos Doze Trabalhos. A fera tinha nove cabeças e sempre que uma era decepada, duas nasciam no lugar. Hércules então usou outra tática e com sua força suspendeu o monstro até que o ar puro e a luz do sol o destruíssem. Um dos ensinamentos desse mito é que temos que reinventar nossas maneiras de lidar com os conflitos, pensar novas possibilidades e buscar o caminho do autoconhecimento e descobrir quem realmente somos.

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Hydra também é o nome do sexto álbum de estúdio da banda holandesa de metal sinfônico Within Temptation. Assim como Hércules no mito, o sexteto capitaneado pela vocalista Sharon den Adel e pelo guitarrista Robert Westerholt parece estar descobrindo quem realmente são e pensando em novas possibilidades musicais num caminho que começou com o último álbum The Unforgiving (2011).

A música Let us burn abre os trabalhos mostrando uma sonoridade que vem sendo marca do Within Temptation com versos limpos onde a voz de Sharon é soberana e um refrão grudento feito para funcionar bem ao vivo. Em seguida vem Dangerous que já ganhou videoclipe filmado no Rio de Janeiro com atletas paraquedistas. A música começa com um empolgante riff de teclado/guitarra e tem como principal destaque o dueto de Sharon com o norte-americano Howard Jones (Ex- Killswitch Engage) com sua voz rasgada.

O álbum abre muito espaço para participações especiais. And we run começa como uma balada, mas logo ganha mais ritmo e velocidade. O refrão angelical entoado por Sharon é seguido por um surpreendente verso gravado pelo cantor de hip hop Xzibit, muito famoso nos Estados Unidos. É o tipo de encontro que vai dividir os fãs, uns a favor do ineditismo do encontro e outros que irão achar um desvirtuamento da sonoridade clássica do metal sinfônico.

Uma das músicas mais aguardadas do álbum com certeza é a que vem a seguir: Paradise (What about us?) com participação da finlandesa Tarja Turunen. A música também já ganhou um clipe super produzido. Logo no começo a orquestra dá o tom para os vocalizes de Tarja. O verso é um dos mais interessantes do álbum, com Tarja e Sharon alternando suas vozes, que se juntam no refrão (What about us? / Isn't it enought / No we're not in Paradise). O encontro tinha tudo para ser perfeito, já que duas das melhores vocalistas de metal da atualidade estão juntando suas forças. Mas a música não chega a empolgar tanto quanto promete. A voz de Tarja soa muito baixa no refrão e o riff de guitarra é bem previsível. De qualquer forma, não deixa de ser um ponto alto de Hydra.

Edge of the world começa com uma batida tribal e uma sonoridade que remete a cantora britânica Florence Welch (Florence and the Machine). O refrão é um dos mais agradáveis de ouvir, com uma melodia simples e fácil que funciona muito bem. Já Silver Moonlight dá a impressão de que já tocou nesse álbum. O Within Temptation conseguiu se reinventar durante os anos, mas precisa tomar cuidado para não fazer suas músicas previsíveis e nem que soem parecidas entre si. Os riffs graves de guitarra acompanhados por uma atmosfera sinfônica funcionam bem, mas são usados com muita frequência.

Roses começa com mais uma combinação "riff pesado + orquestra + voz de Sharon" ao fundo e emenda em um verso que é bem característico também. O refrão dessa vez não empolga. O piano da introdução de Dog days começa a soar. Mais uma vez as batidas com surdo e tom dão um aspecto tribal e o refrão dessa vez é MUITO inspirado na Florence Welch. Uma busca por uma atualização de sua sonoridade parece ser uma coisa muito importante no Within Temptation dos últimos anos.

Tell me why é a mais pesada do álbum, com uma introdução mais rápida e um verso diferenciado onde a bateria e a guitarra dão um tom mais agressivo. É uma música que está longe de estar entre as melhores do disco, mas que mostra um caminho que pode ser seguido pela banda com um verso mais pesado e mais enérgico. Fechando o álbum, vem a excelente The whole world is watching, que é a melhor do disco. A música não abusa da atmosfera sinfônica e não obedece a nenhuma fórmula, com o uso de guitarra limpa e um refrão incrível. O dueto com Howard Jones engrandece a música, fazendo com que a voz de Sharon ganhe mais destaque. O feeling da música contagia e com certeza será cantada a plenos pulmões pelos fãs.

Hydra é um álbum que busca uma afirmação de uma nova sonoridade do Within Temptation. Ele cumpre o seu papel, mas mostra que a fórmula que deu muito certo principalmente no The Unforgiving começa a dar sinais de saturação. Justamente quando a banda foge e tenta ousar, como Hércules ousou na mitologia e assim conseguiu matar Hidra, é que vemos os melhores momentos do álbum.


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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, músico e fã. O heavy metal entrou na sua vida há 10 anos e nunca mais saiu. Gosta de estudar o tema e compreender o metal como manifestação cultural.

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