Damien Jurado: Psicodelismo, arranjos barrocos e espirituais
Resenha - Brothers and Sisters of the Eternal Son - Damien Jurado
Por André Espínola
Postado em 31 de janeiro de 2014
Desde 2010, com o início da parceria com o produtor Richard Swift (do The Shins), a carreira de Damien Jurado deu um incontestável salto qualitativo, com o lançamento de dois álbuns de qualidade excepcional, St. Barlett, de 2010 e o maravilhoso Maraqopa, de 2012, sobretudo quando colocados lado a lado com alguns de seus trabalhos anteriores. Agora Jurado lança seu décimo primeiro trabalho de estúdio, chamado Brothers and Sisters of the Eternal Son, trabalhando mais uma vez com Swift e dando mais um capítulo a essa parceria que encaixou perfeitamente.
Para Brothers and Sisters of the Eternal Son, Jurado e Swift criam atmosferas quase transcendentais, estendendo ainda mais o campo sonoro de alcance que a dupla explorou nos trabalhos anteriores, criando músicas com pitadas de psicodelismo, arranjos barrocos e espirituais, produzindo talvez – não o melhor – mas o registro mais rico sonoramente.
A faixa inicial "Magic Number" de imediato já se destaca com a voz honesta e características de Jurado, juntamente com arranjos muito interessantes, arranjos estes que continuam expandindo na faixa seguinte, o primeiro single "Silver Timothy" (uma das cinco que levam "Silver" no título, aparentemente sem nenhuma ligação uma com a outra). Ela começa calma, apenas com Jurado, seu violão e uma tímida batida, mas logo se transforma numa viagem transcendental de sintetizadores. As letras colaboram ainda mais para uma imagem misteriosa e sombria.
"Return To Maraqopa" parece, musicalmente, realmente um retorno ao disco anterior, que se encaixaria perfeitamente na sua tracklist, mas não apenas isso, já que ao mesmo tempo continua no escopo que Jurado quer explorar aqui. Um dos pontos fortes do disco, que é seguida imediatamente por outro, através da belíssima "Metallic Cloud", digna de uma das melhores da carreira de Jurado, com uma crescente impressionante, chega a arrepiar.
"Jericho Road" mostra as fortes influências bíblicas de Jurado, com um vocal distorcido e mais intenso que o normal. Essas influências estão mais explícitas neste álbum, aparecendo em diversos momentos nas letras. A partir daqui começa a maratona das "Silver" em sequência, começando por "Silver Donna", a mais longa do disco, um pouco mais de seis minutos, com um ritmo de percussão meio latino, meio caribenho, dançante. É uma das mais inesperadas e, ao mesmo tempo, interessantes, onde Jurado assume mais riscos por andar em territórios desconhecidos. Não fica claro no disco se há alguma correlação ou motivo específico pela escolha dos "Silver" e dos respectivos nomes próprios. A partir daí, o clima entra no folk, com as restantes "Silver", Malcom, Katherine e Joy, respectivamente, um pouco menos memoráveis que as anteriores.
Por fim, o disco se despede com uma agradável brisa de Beatles na faixa "Suns In Our Minds". A parte final do disco é mais tranquila e pacífica do que primeira metade, cheia de viagens e tensões, sugerindo talvez que o protagonista chegou bem ao final da sua jornada espiritual. Para termos certeza, resta-nos esperar o próximo passo de Jurado, torcendo para que seja ainda com a mente alinhada com a de Richard Swift.
Em poucas palavras, Brothers and Sisters of The Eternal Son é o resultado natural de uma bem sucedida parceria, onde a presença de um, no caso, Swift, aumenta a autoconfiança do outro, Jurado, em potencializar, proporcionando os recursos necessários, e direcionar a sua criatividade a caminhos cada vez mais profundos.
Tracklist
1. ¨Magic Number¨
2. ¨Silver Timothy¨
3. ¨Return to Maraqopa¨
4. ¨Metallic Cloud¨
5. ¨Jericho Road¨
6. ¨Silver Donna¨
7. ¨Silver Malcolm¨
8. ¨Silver Katherine¨
9. ¨Silver Joy¨
10. ¨Suns In Our Mind¨
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As músicas mais longas de 10 grandes bandas de heavy metal
As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
Hellfest anuncia edição de 20 anos com 10 palcos e mais de 300 bandas em 2027
Com ex-Nirvana na bateria, Sleep anuncia nova formação
As músicas menos conhecidas do Iron Maiden que você precisa ouvir, segundo a Kerrang!
A música do Black Sabbath que poderia ter sido do Iron Maiden segundo a Kerrang!
A levada de John Bonham que Robert Plant diz que ninguém conseguiu igualar
O maior álbum do Queen para Chad Smith; "Eu sempre aumento o volume"
O músico que The Edge, do U2, gostaria de encontrar no céu
Deep Purple nem lançou o novo disco e já está pensando no próximo
O significado irônico de "Somos tão jovens", verso que encerra "Tempo Perdido"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
Rammstein registra novas músicas e deixa fãs na expectativa
Erik, do Watain, sobre o metal atual: "Não me sinto parte dessa cena"
A confusão de Roger Waters quando ele viu Jimi Hendrix pela primeira vez
O problema de trabalhar com Yngwie Malmsteen no G3, segundo Joe Satriani
Os 100 maiores hinos do rock progressivo segundo leitores da Classic Rock


"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
"MI'RAJ" - quando Edu Falaschi troca a velocidade pela emoção e encerra trilogia com maturidade
A Lapidação da alma: O triunfo conceitual do Big Big Train em "Woodcut"
HellLight - Reafirmando seu espaço entre os melhores da safra do gênero.
"Betrayed By Obedience", do Infected Cells, é death metal bruto, técnico e direto
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes



