Ark: Uma aventura musical intrigante, inédita e autêntica
Resenha - Ark - Ark
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 03 de novembro de 2013
Quando em 1999 Jorn Lande, Tore Ostby e John Macaluso se juntaram para formar o Ark, eles já eram promissores músicos com currículos bastante respeitáveis, mas é nesta banda que as performances individuais do trio atingem seus ápices. Para quem não conhece o norueguês Jorn Lande, ele é atualmente um dos melhores vocalistas de rock e metal em atividade. Seu timbre mistura David Coverdale e Ronnie James Dio e possui técnica e alcance inigualável. Tore Ostby só tem dez anos de bagagem com a banda norueguesa de prog metal Conception, sendo responsável pelas guitarras, composição e produção dos trabalhos do ex-grupo. John Macaluso é um baterista estadunidense que tocou em várias bandas de hard rock como o Powermad, TNT e Riot, para então encontrar-se na Noruega com Tore Ostby e formar o Ark. Poderíamos esperar neste álbum as influências que o trio possui e apresentou em suas experiências passadas, mas o que ouvimos aqui é diferente de tudo o que já foi criado no metal.
A fórmula de composição do álbum é assustadoramente inventiva e ousada. Temos um álbum de prog metal com riffs de guitarra deixados em segundo plano, que assumem forma de zunidos distorcidos e muito abafados, quase sempre soterrados pela bateria e camadas de teclado e vocal. O som do contrabaixo praticamente inexiste na composição. Até mesmo o poderoso vocal de Jorn Lande soa abafado e comedido. A mixagem do álbum todo conspira para que o único instrumento em destaque seja a bateria, e como Macaluso estava endiabradíssimo neste álbum, temos como resultado talvez a melhor performance individual de um baterista em um álbum de metal realizado até o presente momento.
Em todas as músicas Macaluso consegue dar vida às suas batidas, o que é incrivelmente difícil de expressar com seu instrumento. A complexidade dos ritmos e as estranhas alternâncias de tempos são lugares comuns no gênero prog metal, mas Macaluso vai além, abusa de efeitos como os utilizados na abertura de Burning Down, e toca diversos ritmos fora do espectro do metal, como o jazz, o flamenco e vertentes latinas. Em musicas como Where the Wind Blows, Mother Love e Can’t Let Go sua batida impressiona ao a tomar postura de riffs de enorme energia, empolgação e hipnotismo.
Já os riffs de guitarra somam-se a pegada, mas, como já dito, em forma de acompanhamento base. Apenas em Singers At the World’s Dawn e Center Avenue as guitarras se impõem, criando as músicas mais pesadas do álbum. Claro, com a ajuda dos vocais de Lande que aqui assumem tons histericamente agressivos. Em contraponto ao som abafado dos riffs, os solos de guitarra são cristalinos e em sua maioria não menos que espetacular, principalmente nas homéricas passagens flamencas. Temos também solos harmônicos que, junto a eventuais trechos de teclado sobreposto, criam a sinistra atmosfera melódica do álbum, que parece pouco, mas é o suficiente para não dar ao álbum um clima demasiado seco e de frieza de emoções.
Jorn Lande assume seu papel neste álbum brilhantemente, mantendo-se a maior parte do tempo fora do foco principal, o que sempre foi seu lugar por direito. Conhecendo seu grandioso alcance de voz, é frustrante ouvi-lo tão abafado ao ponto de, em alguns momentos, soar simplório. Tudo em prol da estranha fórmula deste álbum. Porém, Lande dá mostras de sua competência em vários trechos, como no belíssimo final de Burning Down e nos ápices intempestivos de Mother Love e Can’t Let Go.
Ark é uma aventura musical intrigante, inédita e autêntica. Possui todos os ingredientes que agradariam aos exigentes públicos da vertente experimental do metal progressivo.
Ark
Ark, 1999
Prog Metal (Noruega)
Lista de músicas:
Burning Down (5:26)
Where The Wind Blows (5:06)
The Hunchback Of Notre Dame (8:53)
Singers At The World's Dawn (6:56)
Mother Love (8:43)
Center Avenue (5:54)
Can't Let Go (9:44)
Tempo total: 50:42
Músicos:
Jørn Lande / vocal
Tore Østby / guitarras
John Macaluso / bateria
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