Spartacus: metal e poesia registrados em CD após 19 anos
Resenha - Libertae - Spartacus
Por Willba Dissidente
Postado em 18 de outubro de 2013
Nota: 8 ![]()
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Formada em 1985, ano que participou da coletânea "Rock Garagem II", a banda gaúcha de metal tradicional em português SPARTACUS encerrou as atividades em 1992; voltando com o vocalista de sua fase final (à partir de 1990) em 2001, quando passou a se dedicar a gravar um disco de estreia. Liberado no final de 2004, ainda que terminada a gravação em janeiro de 2003, o auto produzido e financiado "Libertae" vêm com um prólogo que diz que esse CD "não é a melhor produção, álbum ou banda do mundo, mas algo autêntico e de indubitável valor aos apreciadores do rock pesado". Não é possível avaliar quem são os melhores do mundo, mas a segunda sentença da frase está metalicamente correta.
"Libertae" impressiona, de cara, pelo encarte. São dez folhas envernizadas no estilo folder com fotos, letras, ficha técnica, agradecimentos e considerações dos músicos. Ao se colocar a bolachinha para rolar, fazemos uma noção melhor ainda do CD, pois os músicos são de excelente nível técnico, um dos melhores que já apuramos em termos de metal tradicional cantado em português. Quanto à parte lírica, não há dúvida que este é o disco mais erudito do rock pesado brasileiro, ou onde mais você ouve termos como "imbuídos de senil vaidade", "sabedoria atroz", "bafejados", "irrompeu" e diversos outros?
As letras são de composição exclusiva do baixista e único membro original do SPARTACUS, Marco Di Martino. O músico também assina nove das 10 músicas de "Libertae", duas como coautor e as demais sozinho. Esta talvez seja a ironia presente no disco, pois em comparação com a faixa "Sem Cessar (o destino da humanidade)", que a banda registrou na história coletânea de 1985, temos agora um SPARTACUS mais orientado para as guitarras, deixando o baixo menos evidente. Lembramos que além da banda ser "comandada" pelo baixista, anteriormente possuía uma dupla de guitarristas e agora o instrumento está a cargo exclusivo de Victor Petroscki, que faz ótimo trabalho nos riffs, nos solos virtuosos (e inspirados) e na guitarra base constante.
Notasse a influência de nomes clássicos como, por exemplo, IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST, KISS e BLACK SABBATH, no som do SPARTACUS, mas não que essa inspiração seja sentida como cópia, pois todas as músicas de "Libetae" são variadas e criativas; fora do convencional. Boa parte delas têm abertura épica, como as faixas destacadas "A Máscara", "Depois da Tormenta" e "Quando a Chama Faz Arder", que desembocam num Heavy Metal tradicional muitíssimo bem trabalhado e longo, com arranjos e bases na escola clássica dos anos oitenta. Ouvir o som do SPARTACUS é estar disposto a fugir da linha convencional de composição e esperar pelos refrões que aparecem quase que só depois de dois minutos de música etc. Não obstante a clara orientação oitentista nos arranjos e composições, a produção pode desgostar os headbangers mais saudosistas. O som registrado analogicamente foi mixado e masterizado de maneira a soar mais atual (diferente do que, por exemplo, o METALMORPHOSE fez em "Máquina dos Sentidos"). Aqui temos algo como a sonoridade da banda estadunidense JAG PANZER no álbum "Forth Judgement", de 1995; levando em consideração, é claro, as devidas proporções (pois o SPARTACUS se valeu dos teclados de Daniel Sterzi para "dar um clima" nos seus sons).
Algumas músicas de "Libertae, entretanto, fogem um pouco do esquema que descrevemos acima. "Por que deveria saber...", inspirada em "Gotas D'Água" de Danilo Noronha, por exemplo, tem um parte dedilhada para contrastar com seu peso e longo refrão, "O Segredo da Dor" é mais convencional e "Príncipes da Grande Falácia" tem os primeiros minutos de andamento mais moderno, contrastando com a já citada orientação oitentista do disco. A faixa título "Libertae" apresenta Alethéa Oliveira lendo de um poema de Emma Lazarus na abertura e é um dos vários destaques do cd, junto com "Luz", que possui a linha de baixo mais legal do trabalho, assim como excelente de bumbo duplo de Dee Lisboa e backing vocal muito interessante no refrão. O disco fecha com a inusitada "No Sul da América Antártida", que é uma faixa só no piano de Robson Serafini e na potente voz de Marco Canto (não é à toa que ele agradece a J.S. Soto, M. Vescera, Halford e Coverdale no encarte), fazendo um tema que crítica a sangrenta ditadura no nosso país irmão, a Argentina (e bem poderia ser aplicada ao regime de opressão no Brasil também).
Ao final do disco o baixista agradece "a todos que sempre acreditaram que o rock pesado pudesse ser universal e não o privilégio de uma única língua, cultura ou raça". Certamente, todos que têm consciência disso vão gostar de ouvir "Libertae" e baterão muito cabeça ao som do SPARTACUS. Encerramos lembrando que a banda está terminando seu segundo Cd, "Imperium Legis", com previsão de ser lançado ainda em 2013 e seguindo a mesma (aprovada) orientação do debut "Libertae".
Quem se interessar pela banda pode entrar em contato, para tirar dúvidas e consultar disponibilidade de "Libertae" por meio do seguinte e-mail: [email protected]
SPARTACUS é:
Marco Di Martino - baixo
Marco Canto - vocal
Victor Petroscki - guitarra
Erick "Dee" Lisboa - bateria
Discografia:
Rock Garagem II (participação em coletânea, 1985)
Libertae (cd, 2004)
Imperivm Legis (cd, 2013)
"Libertae" (track-list):
01. A Máscara
02. Seguidores da Eternidade
03. Depois Da Tormenta
04. Quando A Chama Faz Arder
05. Por Que Deveria Saber
06. O Segredo da Dor
07. Príncipes da Grande Falácia
08. Libertae
09. Luz
10. No Sul da América Antártida
Sites relacionados (em português):
http://www.spartacus.mus.br
http://www.twitter.com/spartacus_band
http://www.myspace.com/spartacusbr
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