Butthole Surfers: Psicodélico. Abstrato. Doentio.
Resenha - Locust Abort Technician - Butthole Surfers
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 05 de maio de 2013
Psicodélico. Abstrato. Doentio. A mistura avant-garde-noise-punk do BUTTHOLE SURFERS dispensa o meio termo: quando não catequiza o ouvinte, se torna uma experiência nauseante. Com recortes industriais, ritmos epiléticos e uma sonoridade guitarrística que faz o SONIC YOUTH soar como uma banda linear, "Locust" foi definido pela Allmusic como "o equivalente astral de uma viagem tortuosa de ácido e sem dúvida o melhor álbum da banda (ou pior, dependendo do seu ponto de vista)".
Composto em 1987 por GIBBY HAYNES (vocal), PAUL LEARY (guitarra), JEFF PINKUS (baixo), e pelas "baterias gêmeas" de KING COFFEY e TERESA NERVOSA (que havia sido reincorporada a banda às vésperas da gravação) o BUTTHOLE surgira cinco anos antes na Califórnia e fez parte da geração alternativa (o termo indie só se tornaria difundido nos anos 90) que trouxe os frutos da geração GLENN BRANCA para a iconoclastia fonográfica de DINOSAUR JR e o BIG BLACK de STEVE ALBINI. O padrão desvirtuado e "no wave" correspondia ao simétrico oposto das paradas radiofônicas: barulhenta, desconexa, uterina.
A brincadeira com o riff de "Sweet leaf" do SABBATH marca a colagem de "Sweet Loaf"- citada em "Deep Kick"- faixa de "One Hot Minute" do RED HOT (que também referenciou "Leaf" em "Give It Away") é seguida da cacofonia sufocante de "Graveyard"; mais a frente, "Kuntz" é uma viagem ao inferno conduzida por um guia árabe. Em uma definição sóbria, o crítico britânico JOHN DORAN descreveu "22 Going on 23" como "um riff de guitarra similar a um delirius tremens e percussões tribais servindo de base para uma ouvinte contando, em um programa de rádio ao vivo, como foi estuprada". Nada, nada aqui beira minimamente à sanidade.
Listado por KURT COBAIN como um de seus discos preferidos, constantemente citado por MIKE PATTON e ROB ZOMBIE, "Locust" merece a fama que o sucedeu como um marco do noise americano na década de 80. Vale a pena? Vale- mesmo que você me odeie depois disso.
Track list:
1. "Sweat Loaf" – 6:09
2. "Graveyard" – 2:27
3. "Pittsburg to Lebanon" – 2:29
4. "Weber" – 0:35
5. "Hay" – 1:50
6. "Human Cannonball"
7. "U.S.S.A." – 2:14
8. "The O-Men" – 3:27
9. "Kuntz" – 2:24
10. "Graveyard" – 2:45
11. "22 Going on 23" – 4:23
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Steve Harris defende "The X Factor" e reforça o peso emocional do álbum
As Obras Primas do Rock Nacional de acordo com Regis Tadeu
O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
As duas bandas pesadas com mentalidade vencedora, segundo Arnold Schwarzenegger
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
31 discos de rock e heavy metal que completam 40 anos em 2026
O motivo do desentendimento de Silas Fernandes com Andreas Kisser, segundo Silas
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
O disco do Motörhead que Max Cavalera acha extremamente subestimado
Cinco obras-primas do Metal mundial, de acordo com Regis Tadeu
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
Vídeo de 1969 mostra Os Mutantes (com Rita Lee) tocando "A Day in the Life", dos Beatles
O bizarro campeonato de futebol entre sósias de Raul Seixas, Elvis Presley e Bob Marley
Vocalista admite vergonha de álbum ao vivo do King Kobra
Os 11 melhores álbuns conceituais de metal progressivo, segundo a Loudwire
Restart: após uma década, como está garota do meme "puta falta de sacanagem"
Andreas Kisser diz que Xororó podia tranquilamente cantar no Helloween
A inesperada reação de Belchior ao ser kibado pelo Mamonas Assassinas

Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Metallica: "Load" não é um álbum ruim e crucificável
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



