Helloween: mostrando que ainda é bastante relevante
Resenha - Straight Out of Hell - Helloween
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 23 de março de 2013
Se tem algo que se pode dizer claramente a respeito de "Straight Out of Hell", o novo disco dos alemães do Helloween, é que estamos diante de um lançamento bem mais Helloween do que seu antecessor. "7 Sinners", de 2010, era mais pesado, ácido, furioso – e este aspecto se mantém aqui, em especial nas guitarras de Michael Weikath e Sascha Gerstner. No entanto, o pulo do gato é que, diferente de "7 Sinners", "Straight Out of Hell" é bem menos cinzento, sisudo, carrancudo. "7 Sinners" retratou um Helloween tentando parecer ameaçador demais, sombrio, a la "Dark Ride", numa postura que combina pouco com o conceito da banda que mais vem funcionando ao longo de seus muitos anos de carreira. Neste sentido, "Straight Out of Hell" guarda mais semelhanças com "Gambling With The Devil" (2007), por sua coleção de canções mais iluminadas e mais positivas.
Desde o primeiro single, a faixa de abertura "Nabataea", já era possível perceber que, na essência, o quinteto germânico permanece com os pés fincados de maneira firme e forte no gênero que ajudou a conceber e do qual se tornou o principal expoente, o chamado power metal/metal melódico. Estão lá as duplas de guitarras aceleradas e cantantes, com riffs que são facilmente possíveis de cantarolar e assobiar; os refrãos ganchudos e que, ao vivo, são absolutamente certeiros; a veloz bateria de bumbo duplo com um monte de quebradeiras. "Burning Sun", "World of War" e a ótima faixa-título são exemplos típicos do Helloween como deveria ser e soar, seguindo uma fórmula que eles mesmos ajudaram a inventar.
Outra similaridade desta bolacha com "Gambling With The Devil" são as faixas que, finalmente, dão espaço para Andi Deris brilhar. Integrante pleno e absoluto do Helloween há quase duas décadas, além de um de seus principais compositores, o vocalista começa a encaixar a sua excelente voz em canções costuradas na medida para que ele interprete à sua maneira particular e própria, sem qualquer necessidade de tentar alcançar os agudos de Michael Kiske, o gogó de ouro que marcou era como o primeiro frontman do grupo. Deris é um vocalista muito bom, acima da média até, e viver a vida artística à sombra do sujeito que anteriormente ocupou seu cargo, por mais brilhante que ele seja, é extremamente negativo. Estão no caminho certo, rapazes.
O disco ainda se dá ao luxo de uma espécie de interlúdio, no qual os músicos parecem brincar com duas faixas que não são exatamente o seu padrão clássico – e, em ambos os casos, eles acertam. A gostosa baladinha de tom romântico "Hold Me in Your Arms" é do tipo grudenta, que resvala no hard rock norte-americano, jogando com seus clichês e arriscando até parecer um tantinho piegas, mas sem comprometer em rigorosamente nada a qualidade final. Logo depois, o Helloween resolve dialogar com "We Will Rock You" em "Wanna Be God", com sua poderosa bateria ritmada e uma letra que é homenagem descarada ao finado líder do Queen, Freddie Mercury. Impossível não entrar no clima.
"Straight Out of Hell" é o Helloween mostrando, de cabeça erguida e sem medo de ser feliz, que ainda é uma banda bastante relevante no cenário metálico mundial, por mais que o gênero que representa com orgulho mostre sinais claros de convalescimento. A abóbora parece não se importar e luta para não soar apenas como um cover de si mesma. Aqui, eles atingem o objetivo com louvor.
Line-up:
Andi Deris –Vocal
Michael Weikath – Guitarra
Sascha Gerstner – Guitarra
Markus Grosskopf – Baixo
Dani Loeble – Bateria
Tracklist:
Nabataea
World of War
Live Now!
Far From the Stars
Burning Sun
Waiting For the Thunder
Hold Me in Your Arms
Wanna Be God
Straight Out of Hell
Asshole
Years
Make Fire Catch the Fly
Church Breaks Down
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