Helloween: faz qualquer um ter mais vontade de ouvi-lo

Resenha - Straight Out of Hell - Helloween

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Por Victor de Andrade Lopes, Fonte: Sinfonia de Ideias
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O quinteto alemão HELLOWEEN abre a temporada 2013 de heavy metal com Straight Out of Hell, que significa "direto do inferno" - um nome de respeito para um álbum, que faz qualquer um ter mais vontade de ouvi-lo para ver se o som realmente veio lá de baixo. A verdade é que ele não é nada "infernal", por assim dizer - o sombrio 7 Sinners é que parecia ter vindo das profundezas. Neste álbum, a banda deu mais cores a sua música, voltando ao som mais positivo que fazia nos anos 2000.

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Cada música de Straight Out of Hell tem um clima, um charme e uma história, conforme a banda evidenciou na série de vídeos curtos que lançou em sua página oficial do Facebook, falando um pouco sobre cada canção. Assim, não há motivos para não fazer desta resenha uma análise faixa-a-faixa.

"Nabatea" é o primeiro single e também a faixa de abertura. Conta a história de Nabateia, uma civilização que existiu nos primeiros séculos depois de Cristo. Segundo o vocalista ANDI DERIS, autor da letra, eles foram talvez a primeira democracia do mundo, e esta história daria uma ótima música - e realmente deu. Num caso raro hoje em dia, o HELLOWEEN escolheu uma faixa sem apelo comercial para fazer de single. Nesses tempos em que a moda das bandas de metal é lançar clipes insossos apenas com imagens do grupo tocando em um ambiente escuro, é preciso aplaudir a iniciativa de lançar um vídeo dinâmico para um single com letras de alto teor cultural.

Mas o HELLOWEEN nunca foi uma banda de letras fracas, de qualquer maneira. E isso se reafirma na faixa seguinte, "World of War", uma crítica direta às guerras sustentada por um instrumental bem poderoso e rápido, fazendo desta uma das melhores do álbum - excelente escolha para estar logo no início.

A qualidade cai um pouco na terceira faixa, "Live Now!". Mas a própria banda admitiu que esta música era mais "pop" - tanto que o guitarrista SASCHA GERSTNER pensou de início que a canção não encaixaria no novo álbum, tendo que retrabalhá-la um pouco para que ficasse mais a cara da banda e do disco. Bom, se o resultado final foi este, talvez seja melhor nem ouvir a versão original. Na verdade, ouvindo o álbum inteiro, era esta a música que qualquer um esperaria como single, mas, felizmente, o quinteto fez uma escolha melhor e mais atraente.

A quarta música, "Far from the Stars", recupera toda a energia de "World of War" e adiciona uma letra mais abstrata, que fala sobre acreditar naquilo que faz você querer seguir em frente. Outra candidata a melhor do disco.

"Burning Sun" não é nenhuma novidade: já havia sido lançada pela banda em um EP que leva seu nome. É uma música forte (especialmente os vocais de ANDI), mas morna se comparada com o resto do álbum. Provavelmente, vai agradar aos fãs, por ser uma faixa típica do HELLOWEEN, mas não necessariamente será lembrada em shows posteriores à turnê do álbum. Ganha destaque aqui o trabalho sinfônico nos teclados, que é substituído pelo órgão na versão feita desta música para homenagear JON LORD, finado ex-tecladista do DEEP PURPLE. A versão vem como faixa bônus na edição limitada.

"Waiting for the Thunder" gira em torno do piano, lembrando "If I Could Fly". Pela ótica comercial, também renderia um bom single, pois, diferente do single de The Dark Ride, as teclas aqui acabaram dando um tom "moderninho" ao trabalho.

"Hold Me in Your Arms", como o nome já sugere, é a balada de Straight Out of Hell. A letra, bastante melosa, junta-se a uma instrumentação emotiva para criar a faixa mais "bonitinha" do disco - o momento mais belo é um curto solo de piano seguido de outro de guitarra e acompanhados por uns dedilhados no violão.

A curta "Wanna Be God", que também já havia sido apresentada no EP, pode (e vai) soar bastante estranha para os fãs da banda. Os primeiros 3/4 da música são preenchidos apenas pela voz de ANDI (duplicada no refrão) e as batidas meio tribais de DANIEL LÖBLE, sobrepostos a um ruído de fundo que sugere um estádio lotado. Tudo isso junto cria um forte clima glam. Só no fim é que as guitarras entram - sem o baixo. Parece familiar? Pois é, a música é sim uma homenagem ao QUEEN, mais precisamente ao finado vocalista FREDDIE MERCURY. Ela foi composta para ser parecida com "We Will Rock You", mas sem perder os toques do HELLOWEEN. O único defeito da faixa é justamente ser diferente demais, adquirindo um quê de peixe fora d'água se comparada com o resto do disco. Faria mais sentido deixá-la como faixa bônus, junto com a outra homenagem do disco ou, no máximo, como encerramento.

A faixa título brinca com clichês do heavy metal, como pode ser percebido na letra, meio clichê. Mas a música em si não se destaca muito em relação às outras, exceto pelo fato de levar o nome do álbum.

Em "Asshole", a banda coloca o pé no freio e entrega uma música de ritmo mais lento, voltando as atenções ao peso. Com agressividade, o criador da letra, SASCHA, parece mandar um recado para alguém no refrão, que não economiza ofensas: "você é um babaca [...], você é um otário [...], seu filho da puta".

O álbum é fechado com uma enérgica tríade de músicas rápidas e poderosas: "Years", "Make Fire Catch the Fly" e "Church Breaks Down". Esta última segue a linha de "World of War" e faz fortes críticas, desta vez (bingo!) à Igreja e aos crimes que cometeu através dos séculos.

Como faixas bônus, a edição limitada traz a já mencionada versão de "Burning Sun" com um Hammond e "Another Shot of Life", também retirada do EP. Esta é relativamente lenta e agressiva, mais para o metal do que para o power.

Basta apenas uma escutada para ter certeza de que este é o melhor álbum que o HELLOWEEN fez desde a virada do século, mesmo com um ou outro tropeço desnecessário como "Live Now!". Com efeito, Straight Out of Hell é o resultado do desenvolvimento que se iniciou com os dois álbuns anteriores (Gambling With the Devil e 7 Sinners), conforme o guitarrista MICHAEL WEIKATH já havia dito ao anunciar o lançamento. Ele também disse que as canções iriam "impressionar até os ouvidos mais preguiçosos" - na verdade, vão impressionar não só os preguiçosos, mas também os chatos que decretam que a banda morreu nos anos 90. Alguns usarão a reclamação clichê de que o álbum investe em uma fórmula... clichê. Mas por que justamente a banda que mais ajudou a elaborar essa fórmula não teria esse direito?

Abaixo, o vídeo de "Nabatea":

Track-list:
1. "Nabataea" - 7:03
2. "World of War" - 4:56
3. "Live Now!" - 3:10
4. "Far from the Stars" - 4:41
5. "Burning Sun" - 5:33
6. "Waiting for the Thunder" - 3:53
7. "Hold Me in Your Arms" - 5:10
8. "Wanna Be God" - 2:02
9. "Straight Out of Hell" - 4:33
10. "Asshole" - 4:09
11. "Years" - 4:22
12. "Make Fire Catch the Fly" - 4:22
13. "Church Breaks Down" - 6:06

Faixas bônus da edição limitada

14. "Another Shot of Life"
15. "Burning Sun (Hammond version)", dedicada a JON LORD


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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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