Enforcer: alçando vôos cada vez mais altos para onde?

Resenha - Death by Fire - Enforcer

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 4

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É justo, saudável e pertinente questionar qual é o objetivo, a razão de ser, de uma banda como o Enforcer. Os suecos lançaram o seu terceiro disco, "Death by Fire", no início de fevereiro pela Nuclear Blast, e estão alçando vôos cada vez mais altos. A pergunta é: para onde?
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O som do Enforcer é puro metal britânico vindo direto da clássica NWOBHM. A questão que incomoda é que a banda não é influenciada pelo movimento que deu ao mundo nomes como Iron Maiden e Saxon, mas sim apenas emula e copia o que os grupos daquele período faziam. Até a mixagem de "Death by Fire" é esteticamente atrasada, revivendo os timbres dos instrumentos do início da década de 1980. É um heavy metal xerocado, com pouca tinta e sem nenhuma originalidade.

E aí entra outra questão: uma parcela considerável do público consumidor de metal, principalmente aqui no Brasil e em alguns países europeus, está pouco se lixando se uma banda é original ou não, se ela soa requentada ou não. Há público para esse tipo de som, e ele é formado por indivíduos de tênis cano alto, coletes jeans cheios de patches e que vivem a ilusão coletiva de estarem dentro do Soundhouse (lendário clube londrino homenageado pelo Maiden em The Soundhouse Tapes) ouvindo as últimas novidades tocadas pelo DJ Neal Kay, enquanto na verdade estão em um buraco apertado na capital paulista negando tudo que soe minimamente atual.

As nove faixas de "Death by Fire" são cheias de melodia e riffs, vocais gritados e uma atitude e energia alheia. Tudo que sai dos alto falantes já foi feito antes, milhares de vezes e muito melhor. Isoladamente, canções como “Mesmerized by Fire” e “Take Me Out of This Nightmare” até funcionam, mas escutar o álbum todo é uma experiência pra lá de repetitiva e maçante.

Pessoalmente, não entendo o que leva jovens músicos a criar uma banda e não fazer um som original, não expressar o que sentem, mas sim apenas recriar o que foi produzido por seus ídolos. Isso não tem validade nenhuma, na maioria dos casos, e o Enforcer apenas atesta essa tese. E mais: apenas idolatrar o que foi feito lá atrás não é nada saudável e produtivo, pois deixa o cenário preso em um limbo com possibilidades limitadas, e o resultado disso é a estagnação como um todo. Quando caras como Kay e outros apresentavam novos grupos para os metalheads londrinos no final dos anos 1970 e início dos 1980, essas bandas que depois fariam história (como Iron Maiden, Diamond Head, Angel Witch, ...) eram cativantes porque traziam um grande sopro de novidade para a cena, colocando no universo do heavy metal e do hard rock novos elementos que influenciariam decisivamente os anos seguintes. Ou seja, é exatamente o oposto do que o Enforcer e outros nomes fazem hoje em dia, olhando para trás e somente para lá, se recusando a levar a sua música em frente e tendo asco e repulsa do menor sinal de evolução.

Se o objetivo de vida de uma parcela crescente de headbangers é se trancar em um boteco decadente, usar calças spandex e bandana na cabeça, que joguem a chave fora e fiquem por lá, pois se tem uma coisa que metal nunca foi é conservador. As inúmeras ramificações presentes no som pesado de hoje em dia nasceram da absoluta falta de preconceito com novas sonoridades e do desejo de tornar a música sempre mais pesada, agressiva, desafiadora e única. Negar essa característica histórica e onipresente é um erro que um número cada vez maior de headbangers estão cometendo, iludindo-se com bandas como o Enforcer, que nada mais é do que uma cópia escancarada de um dos períodos mais férteis da história do estilo.

"Death by Fire" tem tanta validade e é tão útil quanto um mero cinzeiro, onde cinzas são despejadas e jogadas fora, como os restos e migalhas que o compõe. Se você gosta de fumaça, até vale. Mas se o seu negócio é fogo de verdade, criatividade e música com personalidade, passe longe.

Faixas:
1 Bells of Hades
2 Death Rides This Night
3 Run For Your Life
4 Mesmerized by Fire
5 Take Me Out of This Nightmare
6 Crystal Suite
7 Sacrificed
8 Silent Hour / The Conjugation
9 Satan

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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