Figurótico: transcendem a questão das vertentes dentro do rock

Resenha - Nos Bastidores da Falácia - Figurótico

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Por Sigried Neutzling Buchweitz
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Entregue, cativada, dependente. É assim que eu me sinto, em relação ao novo CD do Figurótico. Se eu exagero? Bom, cada qual tem um gosto pra música, e "Nos Bastidores da Falácia" se encaixou perfeitamente no meu.
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Peço licença a quem gostaria de ler uma resenha sobre um álbum de metal ou rock pesado aqui no Rio de Metal, mas desse aqui eu tenho que falar. Até porque os temas das músicas e a forma de abordagem é tão Rock 'n Roll que transcendem a questão das vertentes dentro do estilo.

Quando ouvi o primeiro álbum do Figurótico (nome da banda e de um de seus integrantes, pra quem não conhece ainda), "Mamãe, Eu Quero Voltar no Tempo", gostei muito. Tanto que me deu até uma pontinha de medo de ouvir o segundo e não gostar tanto assim. Acabei preferindo esse.

O álbum é atrevido e desbocado na medida, com letras deliciosamente ácidas. Fala, entre outros temas, de questões políticas da cidade de Barra Mansa, local de origem da banda, mas podia ser de qualquer outra do Brasil, já que as situações descritas nas letras se repetem em todas as cidades do interior.

Tenho certeza de que a experiência do Figurótico (integrante - ver seu blog no Rio Sul Net) com as palavras, oriunda do trabalho paralelo como jornalista, contribuiu para a construção de versos como os de "EnTerra Brasilis" e "Quero Ver Bitus de Novo", com seus trocadilhos, inversões e figuras de linguagem. Divertidíssima também é a letra de "Livros", com a qual diversos viciados em música irão se identificar.

Mas é claro que a razão de eu escutar esse disco todos os dias não é só o cuidado com as letras, que ultrapassa as palavras e chega à minúcia das sílabas. As melodias, tanto da guitarra quanto do baixo (Eduardo Pança) são caprichadas, bem construídas e executadas. A bateria (gravada por Erick Leal) também dá o seu show, fechando esse conjunto pulsante com veia oitentista muito bem explorada.

Uma das coisas mais bacanas de uma banda de três é o quanto isso exige dos músicos: não dá pra disfarçar, apoiar uma execução mais ou menos num outro instrumento. E todos ali são extremamente competentes, quem já assistiu a um show deles pode confirmar. Só não falo mais deles aqui neste blog porque o tema é música autoral, e a maioria de seus shows são com músicas de outros artistas. Mas se tudo der certo, ainda terei a oportunidade de fazer a resenha de uma apresentação deles; por enquanto, falo apenas do álbum.

Poderia escrever um texto imenso com cada detalhe de "Nos Bastidores da Falácia", que foi feito com muito cuidado: da capa, pintada por um artista plástico local, retratando um ambiente da Câmara dos Vereadores da cidade; da faixa "Amanheceu", com quarteto de cordas; da participação da Tay Dantas na faixa bônus... Mas vou parar por aqui e deixar o leitor imaginar ou descobrir por si mesmo.

Lista das trilhas
1 - Psique
2 - Pátio (Trem)
3 - Quero ver Bitus de novo
4 - Pecando por omissão
5 - Livros
6 - Fuga em dó menor
7 - Amanheceu
8 - Entorpecidade
9 - Eu hospedei o meu trabalho
10 - O trabalho me chama
11 - Culhão
12 - Todos por um
13 - Pasmaceira
14 - EnTerra Brasilis
15 - Sinning by omission (com Tay D. Cristelo)

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Sobre Sigried Neutzling Buchweitz

Sou arquiteta e urbanista, blogueira nas horas vagas, apaixonada por novidades sonoras. Por isso edito o blog Rio de Metal, pra ajudar a divulgar eventos e bandas (autorais) independentes de rock pesado que acontecem no estado do Rio de Janeiro. De vez em quando, falo de outros assuntos ligados a esse som poderoso que é o Metal, tipo arquitetura, decoração, humor... Gosto muito quando os leitores participam com comentários!

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