Circus of Power: sofreu a pecha de ser uma cópia do Guns
Resenha - Vices - Circus of Power
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 13 de novembro de 2012
Nos anos 80, o hard rock festeiro e farofa encontrou Hollywood e vice-versa: feitos um para o outro sob o sol escaldante da Califórnia, MÖTLEY CRÜE, WARRANT e QUIET RIOT recriavam os dias de sexo e drogas – e rock n´roll de vez em quando – naquele que já fora o palco do THE DOORS e outras figuras, anos antes. Entretanto, espalhados poelo terrítorio ianque, surgiam o POISON, CINDERELLA, BON JOVI – alguns de alta qualidade sonora – outros que de tão ruins se sufocaram no próprio glitter.
Dentre os esquecidos, alguns realmente fizeram um som diferenciado: bandas como AXE, JUNKYARD e WAR BABIES possuíam um som mais enxuto e visceral do que seus contemporâneos. Nessa praia, o CIRCUS OF POWER, banda nova iorquina surgida em 1987 sofreu, até o último respiro em meados dos anos 90, a pecha de ser uma cópia do GUNS – uma comparação das mais idiotas, diga-se de passagem. Portadores de uma identidade mais blues-rock do que seus contemporâneos, o CIRCUS lançou em 1988, o excelente Lp homônimo, seguido de "Got Hard with you", dois anos depois. Ainda nesse ano, a banda, que contava com ALEX MITCHELL (vocais), RICKY BECK MAHLER e SUNSHINE GARY (guitarras), ZOWIE (baixo), e RYAN MAHER (bateria) soltou ao mundo "Vices".
Produzido por DANIEL REY (RAMONES, MISFITS, NASHVILLE PUSSY), "Vices" mostra o convívio pacífico entre slide guitar, melodias power pop e riffs envenenados e certeiros: enquanto 'Two River Higway", possui uma mistura infálivel entre um refrão suave e guitarras slide ao melhor estilo sulista, "Vices" – a faixa - possui uma cadência obscura e o riff de um insistente nervosismo. " Don´t Drag me Down" é tudo o que os posers tentaram a vida interia em vão: uma balada com leve acento country, e guitarras que estão mais para o EAGLES dos anos 70 do que para baladas bregas de novelas da época.
Os vocais "sleaze" de ALEX MITCHELL são um caso a parte - nada de gritos em exagero ou falsetes canastrões: seja na "AC/DCdiana", "Last Call Rosie" ou no metal de "Doctor Potion" a fórmula é a mesma : pouca conversa e muito serviço- ainda que eventualmente prejudicada por uma mixagem baixa demais. Guitarras raivosas? Não espere por nada do estilo WARREN DE MARTINI- aqui a parada é outra: totalmente influenciados por um mix setentão entre o FREE e o ZZ TOP, melodias jangle pop e uma pitada de metal oitentista, a dupla de guitarristas faz valer em faixas não menos que sensacionais como "Los Angeles" e no southern hard-rock de "Got Hard" e 'Simple Man/Simple Woman".
Erros? Em minha opinião, com a abolição de alguns backing "chicletes" desnecessários e uma captação de som mais a frente, o registro rivalizaria fácil com o melhor do hard do período. Nada que justifique ao leitor não dar uma passada por aqui.
Track List:
1. Gates Of Love
2. Desire/Fire In The Night
3. Two River Highway
4. Vices
5. Don't Drag Me Down
6. Last Call Rosie
7. Doctor Potion
8. Los Angeles
9. Got Hard...
10. Temptation
11. Junkie Girl
12. Simple Man/Simple Woman
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