Apocalypse: 25 anos de história no Rock Progressivo
Resenha - Box-set; 25th Anniversary - Apocalypse
Por Vicente Reckziegel
Postado em 30 de outubro de 2012
Nota: 10 ![]()
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Resenhar o Box-set "The 25th Anniversary" do Apocalypse foi uma das mais complicadas tarefas a que me submeti nos últimos tempos, e não por ser difícil de encontrar bons momentos, estes surgem a cada acorde, melodia, imagem ou som captados, mas sim pela quantidade e, principalmente, qualidade de todo material aqui encontrado. Pois possui o livro contando a história da banda, um DVD de ótima gravação, o CD ao vivo "Magic Spells", o novo CD de estúdio "2012 Light Years From Home", além de um pôster da banda. Irei resenhar na ordem que, ao menos para mim, fica perfeito para quem quer conhecer ou se aprofundar ainda mais no trabalho da banda gaúcha.
Começando pelo livro, já que com ele temos em mãos, mesmo de forma reduzida, toda a batalha do Apocalypse em prol de sua música e da música de qualidade. Escrito pelo jornalista Eliton Tomasi e comentado pelos próprios integrantes e pessoas próximas a eles, é um documento histórico para o rock progressivo nacional. De fácil leitura e escrita simples (não confundir com simplória), não se trata de um conto de fadas ou a busca pela fama e sucesso, mas sim relatos de uma banda que sempre teve os pés no chão, e acreditou no seu talento e que busca alcançar seus objetivos aos poucos, sem nunca desistir ou reclamar, mas simplesmente trabalhar para ir mais adiante. Contém grandes histórias e muitas fotos, inclusive raras, do inicio de carreira da banda. Item indispensável.
Após a leitura, nada melhor que partir para a música, e aqui falo do CD ao vivo "Magic Spells", gravado durante a turnê da banda pelo estado do Rio Grande do Sul em 2005, mas que ficou "na gaveta" por todos estes anos, vendo a luz do sol somente com o lançamento do Box-set. Não há muito o que dizer de um álbum que possui faixas como Cut, South America, Magic, Blue Earth e Crying for help, sem contar a imensa qualidade técnica dos integrantes, o disco é uma "viagem" do inicio ao fim. E ele ainda conta com duas músicas de estúdio, Escape e Not like you, sendo a primeira um Hard Rock vigoroso e a segunda faixa uma bela e tranquila balada.
E com o DVD "The 25th Anniversary Concert" a qualidade do som ganha imagem também. O show principal fica com o concerto realizado em 2009 no Salão de Atos da UFRGS. Com uma ótima gravação e edição de imagens, o show fica com a banda e músicas que surpreendem pela emoção e força, como South América, Dreamer e Blue Earth, só para ficar em alguns exemplos. Além disso, conta com duas faixas gravadas em Caxias do Sul, Ocean Soul e Last Paradise, esta última com a participação de Hique Gómez e, na minha opinião, uma das mais brilhantes da banda, além de Waterfall of Golden Waters, esta registrada no Teatro Municipal de Niterói. Um detalhe que vale ressaltar é a possibilidade de inclusão de legendas, tanto em inglês como em português das músicas, algo tão simples, mas que faz um grande diferença para quem gosta de apreciar a música como um todo.
E para terminar, o novo CD de estúdio "2012 Light Years From Home", um belo exemplo do que o futuro reserva para a banda e, principalmente, para seus fãs. Para quem gosta de comparações, diria que soa como um misto de Dr. Sin, Marillion e Yes. As influências progressivas estão aqui, intactas, mas também foi incorporada uma sonoridade mais moderna (mas não no sentido muitas vezes maléfico da palavra), a banda apostou também num Hard Rock muito bem executado. O disco é muito bem balanceado, com baladas formidáveis como Blue Angel e Morning Light (essa inclusive me trouxe uma certa conexão com The Spirit Carries On, do Dream Theater, mais notadamente pela excelente participação de uma voz feminina, mas não confundir isso com cópia), outros puro Hard Rock, onde as guitarras e a cozinha fazem um esplendoroso trabalho, como nas faixas Set Me Free, On the ways to the Stars e Find me Now, e fechando o disco, a totalmente progressiva faixa-título, com seus mais de 13 minutos de duração, onde o teclado domina tudo. Como sempre, Eloy Fritsch fez um grande trabalho, às vezes até de forma mais contida, mas sempre com muita qualidade, além de ter feito todas as linhas de baixo. Fabio Schneider na bateria demonstra que a banda não se ressentiu da saída do grande Chico Fasoli, mostrando toda sua capacidade. Já Ruy Fritsch surpreende com a quantidade de ótimos riffs e solos encaixados perfeitamente nas músicas. E Gustavo Demarchi, cuja voz encaixou-se perfeitamente com a proposta e sonoridade do Apocalypse, continua cantando muito bem, além de fazer pequenas inserções de flauta que ficaram muito boas. É mais um disco para ficar marcado na carreira da banda.
Enfim, qualquer um que gostar de rock progressivo, e mesmo o Rock e Metal em geral, deveria conhecer este trabalho, pela qualidade do trabalho apresentado, e para ver que, por mais difíceis que as coisas pareçam ser, quem tem capacidade e corre atrás de seus objetivos, consegue obter o reconhecimento merecido. Conhecemos o passado e presente do Apocalypse, e agora ansiamos pelo que o futuro irá nos trazer.
Maiores informações acessem:
http://www.apocalypseband.com
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