Down: mantendo suas raízes em novo EP

Resenha - Down IV Part I; Purple EP - Down

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Por Thiago Pimentel
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Com a diminuição de poderio da indústria fonográfica, diversos grupos vem inovando na distribuição dos seus materiais. Em "The Purple EP", os norte americanos do Down exibem o primeiro dos quatro EPs que, somados, irão compor o que seria o quarto disco do grupo, "Down IV", numa 'nova' estratégia de lançamento.
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Desde 1995, o som da banda, capitaneada pelo icônico vocalista Phil Anselmo (ex-Pantera, Superjoint Ritual), evoca influências carregadíssimas de Black Sabbath aliados a uma pegada específica de heavy metal que soa ora sludge, ora stoner. E, como cereja no topo do bolo, um acentuado sotaque sulista.

Com o passar do tempo, alguns fatores mudaram a concepção da banda – menos a sonoridade característica, claro – sendo o principal deles a forma como o Down vem sendo trabalhado, ou seja, deixando de ser um mero projeto paralelo – mesmo que composto por membros do Pantera, Crowbar e Corrosion of Comformity, por exemplo – para tornar-se uma banda, de fato. Em outras palavras, ganhando mais significância na agenda de seus integrantes.

Composto por seis músicas, o 'EP púrpuro' apresenta, desde a sua primeira faixa ("Levitation"), uma banda afiada que, sem muitos rodeios, traz canções baseadas em riffs sólidos... e arrastados. Até os solos de guitarras são comedidos, sem floreios virtuosísticos desnecessários. A velha escola de heavy metal, fundada por Tony Iommi (Black Sabbath), agradece!

Já conhecida dos fãs, "Witchtripper" mantém o nível denunciando um encaminhamento ainda mais pesado que no registro anterior – o bom "Down III: Over the Under", de 2007. Ótima escolha como single, aliás. Logo em seguida, "Open Coffin" diminui um pouco o ritmo, apesar de ser uma boa música. Tal fato já é resolvido, rapidamente, com a ótima "The Curse Is A Lie". Nesta, em específico, fica claro que o Down passou a acrescentar mais doses de groove em seu som, em paralelo ao peso. Ao resenhar, não gosto de realizar muitas comparações, mas é impossível não lembrar do Sabbath (da fase clássica) – e, indo além, até o Saint Vitus, por exemplo – ao ouvir essa faixa e claro, isso não é algo ruim. O ápice, talvez, ocorre nos riffs durante os solos – ouça e comprove


Vale salientar que este é o primeiro trabalho de estúdio sem o baixista Rex Brown (ex-Pantera), pois o músico saiu da banda para focar-se em outras atividades. Em seu lugar, fora convocado Patrick Bruders (Crowbar) que, não faz malabarismos, mas consegue, eventualmente, deixar o seu instrumento em evidência. Seguindo a audição do EP, "This Work is Timeless" não apresenta muitas surpresas e, quem se destaca mais é Phil Anselmo que aproveita (poupa?) suas cordas vocais em uma forma comedida de canto – para surpresa de quem está acostumado com seus tradicionais gritos.

Sim, além dos riffs / solos dos guitarristas Kirk Windstein e Pepper Keenan, os vocais de Phil Anselmo roubam atenção; não soam extremos como no auge do Pantera, claro – na verdade, nem em NOLA (1995) ele fez algo similar –, mas para quem achava que o cantor não renderia como outrora, vale a pena ouvir a destruidora "Misfortune Teller", por exemplo. Com mais de nove minutos de duração (a maior do EP), a faixa encerra o trabalho exibindo uma ótima interpretação vocal de Anselmo e sendo, também, um dos maiores destaques deste registro. E não, apesar do tempo ela não fica enfadonha.

Como todo trabalho dessa natureza, "Down IV: The Purple EP" só 'peca' pela curta duração.; trata-se de um EP (poucas músicas, curta duração). Todavia, tanto as composições quanto a produção e performance dos membros são excelentes. Devo dizer que, como lado positivo desse formato, o tempo breve facilita a absorção da obra.

De acordo com informações divulgadas pela banda, novas partes de "Down IV" serão lançadas, pouco a pouco, ao longo dos meses. Resta aguardar, pois ao ouvir este a sensação de 'quero mais', por mais clichê que seja essa expressão, é inevitável. Para quem sente saudade de bons riffs guiando canções, eis aqui uma excelente recomendação. Esperemos que, após a turnê do ano passado – com passagem no SWU, inclusive – a banda regresse ao Brasil.

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Formação:
Phil Anselmo – vocal
Pepper Keenan – guitarra
Kirk Windstein – guitarra
Patrick Bruders – baixo
Big Ross – teclado
Jimmy Bower – bateria

Tracklist:

1. Levitation 04:58
2. Witchtripper 03:49
3. Open Coffins 05:43
4. The Curse Is a Lie 06:00
5. This Work Is Timeless 03:43
6. Misfortune Teller 09:05

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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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