Down: mantendo suas raízes em novo EP
Resenha - Down IV Part I; Purple EP - Down
Por Thiago Pimentel
Postado em 09 de outubro de 2012
Com a diminuição de poderio da indústria fonográfica, diversos grupos vem inovando na distribuição dos seus materiais. Em "The Purple EP", os norte americanos do Down exibem o primeiro dos quatro EPs que, somados, irão compor o que seria o quarto disco do grupo, "Down IV", numa 'nova' estratégia de lançamento.
Desde 1995, o som da banda, capitaneada pelo icônico vocalista Phil Anselmo (ex-Pantera, Superjoint Ritual), evoca influências carregadíssimas de Black Sabbath aliados a uma pegada específica de heavy metal que soa ora sludge, ora stoner. E, como cereja no topo do bolo, um acentuado sotaque sulista.
Com o passar do tempo, alguns fatores mudaram a concepção da banda – menos a sonoridade característica, claro – sendo o principal deles a forma como o Down vem sendo trabalhado, ou seja, deixando de ser um mero projeto paralelo – mesmo que composto por membros do Pantera, Crowbar e Corrosion of Comformity, por exemplo – para tornar-se uma banda, de fato. Em outras palavras, ganhando mais significância na agenda de seus integrantes.
Composto por seis músicas, o 'EP púrpuro' apresenta, desde a sua primeira faixa ("Levitation"), uma banda afiada que, sem muitos rodeios, traz canções baseadas em riffs sólidos... e arrastados. Até os solos de guitarras são comedidos, sem floreios virtuosísticos desnecessários. A velha escola de heavy metal, fundada por Tony Iommi (Black Sabbath), agradece!
Já conhecida dos fãs, "Witchtripper" mantém o nível denunciando um encaminhamento ainda mais pesado que no registro anterior – o bom "Down III: Over the Under", de 2007. Ótima escolha como single, aliás. Logo em seguida, "Open Coffin" diminui um pouco o ritmo, apesar de ser uma boa música. Tal fato já é resolvido, rapidamente, com a ótima "The Curse Is A Lie". Nesta, em específico, fica claro que o Down passou a acrescentar mais doses de groove em seu som, em paralelo ao peso. Ao resenhar, não gosto de realizar muitas comparações, mas é impossível não lembrar do Sabbath (da fase clássica) – e, indo além, até o Saint Vitus, por exemplo – ao ouvir essa faixa e claro, isso não é algo ruim. O ápice, talvez, ocorre nos riffs durante os solos – ouça e comprove
Vale salientar que este é o primeiro trabalho de estúdio sem o baixista Rex Brown (ex-Pantera), pois o músico saiu da banda para focar-se em outras atividades. Em seu lugar, fora convocado Patrick Bruders (Crowbar) que, não faz malabarismos, mas consegue, eventualmente, deixar o seu instrumento em evidência. Seguindo a audição do EP, "This Work is Timeless" não apresenta muitas surpresas e, quem se destaca mais é Phil Anselmo que aproveita (poupa?) suas cordas vocais em uma forma comedida de canto – para surpresa de quem está acostumado com seus tradicionais gritos.
Sim, além dos riffs / solos dos guitarristas Kirk Windstein e Pepper Keenan, os vocais de Phil Anselmo roubam atenção; não soam extremos como no auge do Pantera, claro – na verdade, nem em NOLA (1995) ele fez algo similar –, mas para quem achava que o cantor não renderia como outrora, vale a pena ouvir a destruidora "Misfortune Teller", por exemplo. Com mais de nove minutos de duração (a maior do EP), a faixa encerra o trabalho exibindo uma ótima interpretação vocal de Anselmo e sendo, também, um dos maiores destaques deste registro. E não, apesar do tempo ela não fica enfadonha.
Como todo trabalho dessa natureza, "Down IV: The Purple EP" só 'peca' pela curta duração.; trata-se de um EP (poucas músicas, curta duração). Todavia, tanto as composições quanto a produção e performance dos membros são excelentes. Devo dizer que, como lado positivo desse formato, o tempo breve facilita a absorção da obra.
De acordo com informações divulgadas pela banda, novas partes de "Down IV" serão lançadas, pouco a pouco, ao longo dos meses. Resta aguardar, pois ao ouvir este a sensação de 'quero mais', por mais clichê que seja essa expressão, é inevitável. Para quem sente saudade de bons riffs guiando canções, eis aqui uma excelente recomendação. Esperemos que, após a turnê do ano passado – com passagem no SWU, inclusive – a banda regresse ao Brasil.
Formação:
Phil Anselmo – vocal
Pepper Keenan – guitarra
Kirk Windstein – guitarra
Patrick Bruders – baixo
Big Ross – teclado
Jimmy Bower – bateria
Tracklist:
1. Levitation 04:58
2. Witchtripper 03:49
3. Open Coffins 05:43
4. The Curse Is a Lie 06:00
5. This Work Is Timeless 03:43
6. Misfortune Teller 09:05
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Falling in Reverse lança "Joseph" com Corey Taylor e Serj Tankian em colaboração inédita
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
A criança que irritou Joey Ramone a ponto de inspirar um clássico dos Ramones
Kiss anuncia box-set super deluxe do álbum "Rock and Roll Over"
Edu Falaschi revela as músicas que gravou para tentar vaga no Iron Maiden
O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
U2 volta ao Brasil no início de 2027, diz portal de notícias
Oasis confirma primeiras datas da segunda turnê após reunião
Cheetah Chrome fez participação no clipe de "Pet Sematary", dos Ramones
Nicko McBrain diz que voltaria a tocar e gravar com Iron Maiden com condição
A música que David Gilmour vetou na reunião histórica do Pink Floyd
Fábio Laguna fará expedição de mais de 700 quilômetros de bicicleta pela Estrada Real
Os dois piores álbuns da discografia do Kiss segundo seu vocalista Paul Stanley
A música que fez as garotas prestarem atenção no Children of Bodom, segundo Alexi Laiho
As quatro bandas que Dave Mustaine incluiria em um novo Big Four
Fernanda Lira diz que se surpreendeu com comentário após descobrirem que ela é brasileira
Serj Tankian, do System Of A Down, elege o maior álbum de Nu-Metal de todos os tempos
Quando Nina Simone mostrou para John Lennon como uma canção polêmica pode ser subvertida

Down anuncia novo álbum "Volume V" e lança single e videoclipe
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



