Night Flight Orchestra: relação entre o Heavy Metal e o Pop
Resenha - Internal Affairs - Night Flight Orchestra
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 20 de setembro de 2012
Nota: 9 ![]()
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Por mais surpreendente que possa parecer em um primeiro momento, a relação entre os estilos mais extremos do heavy metal e o pop "comercial" e "descartável" - entre aspas mesmo - sempre existiu. Diversas bandas de death e black já deixaram claro em entrevistas e depoimentos a admiração que sentem por artistas como ABBA, Bee Gees, Jackson 5 e outros. Algumas foram além e gravaram versões para hits do mundo pop, como foi o caso do Children of Bodom ( "Oops! I Did It Again", de Britney Spears), Therion ("Summer Night City", do ABBA), Type O Negative ("Hit Me Baby One More Time", outra vez Britney Spears) e Mushroomhead ("Crazy", de Seal).
Porém, por mais que essa admiração sempre tenha existido, desconheço alguém que fez o que o The Night Flight Orchestra fez: gravar um disco completo com esse direcionamento, explorando uma sonoridade mais acessível e que faz parte do DNA da maioria dos músicos de metal. Tendo como figuras centrais o vocalista Björn Strid (Soilwork) e o baixista Sharlee D'Angelo (Arch Enemy) - completam o time o guitarrista David Andersson, o tecladista Richard Larsson e o baterista Jonas Källsbäck -, o The Night Flight Orchestra acaba de lançar o seu primeiro álbum, o excelente "Internal Affairs".
O negócio aqui é um pop temperado com elementos de soul, funk e AOR. Sabiamente, a produção deixou o disco com uma sonoridade bem vintage, que remete ao final dos anos setenta e início da década de oitenta. Com grandes doses de melodia, as composições agradam de imediato. Pulsantes, as onze faixas de "Internal Affairs" proporcionam uma agradável audição, conquistando de imediato.
A performance de Björn Strid deve ser mencionada. Todo mundo sempre falou que o cara era um excelente vocalista, e ele realmente o é. O que Strid faz no Soilwork, variando vocais guturais com vozes limpas com imensa naturalidade, já comprovava isso. Porém, ele dá um passo além com o The Night Flight Orchestra. Cantando de forma limpa e indo de timbres mais graves a outros mais agudos, Strid é o grande destaque de "Internal Affairs".
O outro fator que faz do álbum um trabalho diferenciado é o exemplar trabalho de composição. Todas as músicas são de grande qualidade, e exploram aspectos variados da formação dos músicos. Enquanto algumas apostam mais no rock como "Siberian Queen" e "California Queen", outras mergulham sem medo em gêneros não explorados pelas bandas principais dos integrantes - e é justamente quanto isso acontece que o disco se torna especial.
A excelente "West Ruth Ave" poderia estar em qualquer álbum do Stix. "Transatlantic Blues" é um progressivo pop que mostra o quanto os caras ouviram Supertramp e Kansas na adolescência. A faixa-título parece saída de um disco de Stevie Wonder gravado na primeira metade da década de 1970.
Toda essa variedade faz de "Internal Affairs" um álbum rico e surpreendente, que carrega o ouvinte sem cerimônia para dentro do seu amplo universo sonoro. É rock, é pop, é soul, é funk - mas, acima de tudo, é muito bom!
Pela ótimo resultado alcançado, espero, sinceramente, que os caras não fiquem apenas em um disco e levem o projeto adiante. Enquanto isso, o negócio é ouvir e torcer para que aconteça!
Faixas:
Siberian Queen
California Morning
Glowing City Madness
West Ruth Ave
Transatlantic Blues
Miami 5:02
Internal Affairs
1998
Stella Ain't No Dove
Montreal Midnight Supply
Green Hills of Grumslöv
Outras resenhas de Internal Affairs - Night Flight Orchestra
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