Remove Silence: você será arrancado de sua zona de conforto
Resenha - Stupid Human Atrocity - Remove Silence
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 19 de setembro de 2012
Nota: 8 ![]()
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Apesar do que o currículo dos músicos sugere, "Stupid Human Atrocity" não é um álbum de heavy metal. Formado por Hugo Mariutti (vocal e guitarra - Andre Matos, Viper, Shaman), Fábio Ribeiro (teclado - Angra, Shaman, Andre Matos), Alê Souza (vocal e baixo) e Edu Cominato (vocal e bateria - Jeff Scott Soto), o Remove Silence chega ao seu segundo disco executando uma sonoridade ampla, que tem no metal apenas um de seus elementos.
As treze faixas do disco vão para diversos caminhos. Há canções com características mais progressivas, outras que flertam com o rock alternativo e até mesmo uma surpreendente influência de pós-punk. Isso tudo faz de "Stupid Human Atrocity" não apenas um trabalho diferenciado, mas, principalmente, um disco ousado, que confronta o ouvinte e arranca-o de sua zona de conforto.
Momentos de grande beleza permeiam o álbum. A abertura com "Admirable" é o primeiro deles. Provavelmente a faixa mais prog do play, tem uma inspirada participação de Fábio Ribeiro e linha vocais muito bonitas. "Real World" mostra a maturidade do quarteto, pouco preocupado em se limitar a rótulos e mais focado em produzir canções que saciem suas aspirações artísticas. "How Long is the Street" mostra o quão vasto é o universo musical do grupo, e soa como uma amálgama entre Joy Division e New Order. "The Train" é outra que vai nessa caminho, com direito a bateria eletrônica e ecos de The Cure.
O Remove Silence aproxima-se bastante do rock alternativo em diversas faixas de "Stupid Human Atrocity". Há composições mais raivosas como "Wormstation" (com um ótimo refrão) e "Spellbound" (que me trouxe à mente as aventuras mal compreendidas de Bruce Dickinson em "Skunkworks"), assim como faixas com fartos elementos pop, como é o caso de "Drop by Drop" e a excelente "So Wrong" - essa última bem U2.
Quando decide focar no metal, o quarteto soa moderno e atual como poucas bandas brasileiras são capazes de soar. Basta ouvir faixas como "The Curse" para perceber isso com grande facilidade.
A divisão dos vocais entre Hugo Mariutti, Alê Souza e Edu Cominato faz o disco ficar ainda mais variado, com cada faixa trazendo um diferente tom. A ótima produção torna toda essa multiplicidade mais forte, apresentando um leque de timbres muito bem escolhidos e de acordo com o que cada canção pede.
A identidade do Remove Silence está na imprevisibilidade, em ser sempre surpreendente. A banda demonstra sabedoria ao explorar a sua criatividade sem preconceito, levando a música pelos caminhos que seus sentimentos apontam. Essa é uma qualidade rara e merecedora dos mais rasgados elogios.
Sinceramente, rotular o Remove Silence dentro do heavy metal seria uma injustiça. O grupo vai muito além do gênero em seu segundo disco, um trabalho extremamente bem feito, com excelentes composições e muito acima do que se produz, de maneira geral, no rock brasileiro como um todo. A música aqui é inteligente, desafiadora, adulta, provocativa - e tudo isso sempre com muita qualidade.
Corajoso e destemido, o Remove Silence acertou em cheio em "Stupid Human Atrocity". Ouça e comprove!
Faixas:
Admirable
Wormstation
So Wrong
The Curse
Real World
How Long is the Street
Spellbound
Last Days
Drop by Drop
Taste of Iron
The Train
The Sound of the Horns
Dancing for the Sun
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