Doors: A banda deixou o melhor para o final em 1971

Resenha - L.A. Woman - Doors

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Por Paulo Severo da Costa
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

"Culto de personalidade" é uma expressão que a princípio nada tem a ver com rock n'roll; trata-se uma estratégia de propagandista, usada em política, que se sustenta na exaltação de qualidades (verdadeiras ou não) de determinado indivíduo. Com isso se cria uma "aura" de sobre-humanidade, um ser moralmente diferenciado que enxerga as coisas de modo peculiar.

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Que raio de papo é esse? O problema é que essa praga atinge também ao mundão nosso aqui de cada dia. Alguns artistas (uns por marketing, outros de sacanagem mesmo), são objeto de culto pelos fãs, que analisam cada palavra, cada capa de disco, cada bebedeira, suruba, etc que o indivíduo participa, procurando nisso um significado "oculto", "divino", "atemporal" e outras besteiras. Não se trata de idolatria bacana e discussão de boteco de qual é o melhor disco do AC/DC; trata-se do fanatismo (o mesmo de Mark Chapman) de querer endeusar a figura tão mortal quanto qualquer um de nós.

JIM MORRISON com certeza, também já estava de saco cheio dessas besteiras. Querendo se desapegar (consciente ou não) de sua fama de "sex symbol misturado com profeta do terceiro milênio" gravou um punhado de poemas entre 1969 e 1970 (que se tornariam parte do disco póstumo "American Prayer"), deixou a barba e a barriga crescerem e gravou um puta disco de blues chamado "L.A WOMAN".

O álbum é a "saideira" (Morrison morreria no mesmo ano de lançamento do disco - 1971). E como todo fim de festa, ele deixou o melhor para o final.

Direto ao ponto (com exceção talvez da faixa "L'America") o disco é carregado de blues do bom - tocado à moda THE DOORS, claro. "The Changeling" é o improvável encontro de JAMES BROWN com o pessoal do GRATEFUL DEAD, swingada e lisérgica. "Love Her Madly" tem uma levada fantástica com destaque para a tecladeira de MANZAREK.

Se "Car Hiss By My Window" é o blues mais entorpecido que se tem notícia, "Crawling King Snake" vai na levada de "Love me Two Times" temperada com Bourbon e outras "especiarias". "The Wasp..." resvala na psicodelia, com seu vocal falado, no melhor estilo 'fuck off' de MORRISON.

Bom, se você acha que JIM era o novo Messias e que EDDIE VEDDER é sua reencarnação, procure outros discos - nem a capa desse aqui tem o que se decifrar (ou tem???). Mas se estiver a fim de um tremendo disco de rock, o lugar é aqui mesmo. Porque eu não comentei "L.A Woman" e "Riders on the Storm"? Precisa?

Track list:

1."The Changeling"
2. "Love Her Madly"
3. "Been Down So Long"
4. "Cars Hiss by My Window"
5. "L.A. Woman"
6 "L'America"
7. "Hyacinth House"
8. "Crawling King Snake"
9. "The WASP (Texas Radio and the Big Beat) "
10. "Riders on the Storm




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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n'roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

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