Second World: Um convite aos sobreviventes do Doom
Resenha - Second World - Foreshadowing
Por Guilherme A. Ferrari
Postado em 15 de junho de 2012
Nota: 10 ![]()
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Após o início e o desenrolar de um saga instigante, a banda italiana de doom/gothic metal The Foreshadowing lança como conclusão, um álbum conceitual, muito bem produzido e com qualidades únicas. Harmonias simples, vocais consistentes e um baterista fantástico fazem de Second World (2012) um dos melhores discos do ano.
"Second World"(2012) é o terceiro disco da THE FORESHADOWING. Apesar de pouco conhecida pelo público geral, a banda italiana de doom/gothic metal já tem em seu currículo dois álbuns – "Days Of Nothing" (2007) e "Oionos" (2010) e apresenta agora um trabalho belíssimo: um verdadeiro resgate ao doom melódico setecentista, acrescido de peso, alta qualidade técnica e composições conceituais." O Segundo mundo" retrata visões de um período caótico, pós-apocaliptico, na mente humana liberta das ilusões, porém presa às incertezas. O álbum é a conclusão da saga iniciada nos dois anteriores. Onde real e imaginário se confundem, o poder do doom metal se manifesta num transe intenso. Aqui não há os zumbis sanguinários do Death ou os deuses poderosos do Power. Apenas a busca pela essência da vida, que de mãos dadas a Marco Benevento o ouvinte sairá ao final dessa obra-prima.
"Havoc" é a faixa que abre o disco. Ela se assemelha bem a um termômetro. A atmosfera e a letra poderosa apresentam ao ouvinte um pouco do que está por vir. A partir daqui já é possível discernir os traços de doom e se identificar com o som produzido pela banda. A canção conta ainda com um bom refrão.
"Outcast" ilustra o homem jogado a sua própria sorte, sucumbindo à natureza e ao Estado, que nada pode fazer. Tecnicamente ela segue o padrão imposto pela faixa-título. Porém a composição a torna única.
"The Forsaken Son" "Pra sempre e pra sempre (...) almas vazias de nada" Esses são dois dos poderosos versos proferidos aqui pela banda. É o grito do desespero, o desejo de fuga da realidade nada satisfatória. É o herói derrotado e suas lamentações. É também o primeiro refrão marcante. As guitarras de Alessandro Pace e Andrea Chiodetti começam a se entender.
"Second World" é uma das melhores do disco. "Envie-me sua alma (...) Para o segundo mundo" é a proposta de Benevento. Agora o ouvinte é convidado a transpor as barreiras da mente e acompanhar a banda em suas passagens pelo segundo mundo. As guitarras afinadíssimas impõem um solo vicioso no início. O teclado de Francesco Solto preenche magistralmente. A bateria está impecável.
"Aftermaths" é incrível. Esta canção dá algumas explicações convincentes aos que não compreendem o doom. "E você pode sentir a culpa por não ter salvado esta terra (...) Suas promessas vão deixá-lo ser condenado" dentre outras nos permitem identificar a corrupção e as mentiras da humanidade, que agora arca com as consequências. O vocal é eficiente. As duplas de guitarras simples conseguem, mais uma vez, produzir uma harmonia maravilhosa. Porém, não se igualam a Bateria, nada menos que sensacional.
"Ground Zero" Sem dúvidas, mais uma candidata a melhor do disco. O ambiente do Segundo mundo é descrito: "Sol de inverno, a chuva de poeira (...) Montagens de fogo, tempestade desde o oeste". Como a maior parte do álbum, os arranjos são simples. Entretanto, As guitarras brilhantes, o teclado consistente e o excelente baterista elevam ao topo o nível dessa música, que conta ainda com o refrão mais grudento do trabalho.
Em "Reverie Is a Tyrant" percebemos o quão confuso está o homem, com a realidade que o cerca, com o futuro que o ameaça e consigo mesmo: "Durma com o pesadelo de tempo infinito (...) Jogando com fantasmas voltando para casa". As guitarras de fundo são como sinos que avisam a morte próxima. O ouvinte tem a sensação de estar balançando no limite que separa a existência do vazio. O bom Teclado de Francesco Sosto mais uma vez preenche o fundo. A Bateria está ótima. Não há refrão,porém a eficiência de Marco Benevento nos vocais garante a qualidade de uma excelente faixa.
"Colonies". Aqui o ouvinte é conduzido tal qual os mortos abandonados em pequenos barcos nos grandes rios da vida. Agora as guitarras dão espaço aos violões afinados de fundo. A Bateria de Jonah Padella como sempre, está perfeita. Porém, o destaque vai para os vocais: Benevento está explendido e Sosto passou o seu melhor backing vocal. O sofrimento continua: "Nosso destino interior destruído nossa vida (...)E eu estou desaparecendo" mas a colônia dos sobreviventes ainda resiste: "Estamos à espera (...) Para o destino interior para salvar a nossa vida"
"Noli Timere". Agora nos deparamos com a nova realidade: "No passado, eu perdi minha fé(...)Estamos aqui esperando por você". O homem consciente de sua ruína lamenta a fé perdida, mas crê naquele que virá pra salvar todos – Jesus (que se confirma com os dizeres seguintes em latim). Essa música segue o mesmo padrão melódico proposto por todas anteriores. O teclado está ótimo. As guitarras começam a repetir algumas linhas, mas nada que apague o brilho. A bateria, em sua última participação, conclui um trabalho indefectível. Os vocais passam bem.
"Friends Of Pain". Aqui chegamos ao alívio - dor e destruição se foi. Os sobreviventes encontram o caminho e a destruição está agora esquecida e perdida no passado. "Lágrimas de ódio e raivas são apenas uma memória do passado (...) Então não se desespere, o nosso inimigo se foi". Aqui só se apresentam os teclados calmos e a voz irretocável de Marco Benevento, anunciando a paz entre os mundos, a paz entre os espíritos.
"Esse álbum é o mais simples e mais direto de todos, mas paradoxalmente é também o mais 'doom' deles". Essa é a definição que Jonah Padella encontrou para o álbum. O baterista é sem dúvida a estrela de maior brilho da banda. O vocal de Marco Benevento e o teclado de Francesco Sosto também merecem destaque. Como único ponto negativo, o baixo de Francesco Giulianelli, praticamente imperceptível e atropelado pelas guitarras de Alessandro Pace e Andrea Chiodetti.
Com produção arrojada, esse disco é sem dúvida, o grande trabalho da banda até o momento, e um dos melhores do ano. Em tempos difíceis, onde os estilos extremos do rock se dissipam ao pop, cada vez mais emergente, "Second World" provavelmente não se tornará um ícone do estilo ou renderá milhões ao THE FORESHADOWING. Porém, servirá e muito bem aos sobreviventes do estilo, que desejarem escapar da realidade por poucos minutos e fazer uma imersão incrível num mundo digno de ficção científica, e porque não nos próprios becos da mente humana. Este álbum é para ouvir no volume máximo, trancado no quarto, com as luzes apagadas. Excelente.
Track-List
01. Havoc
02. Outcast
03. The Forsaken Son
04. Second World
05. Aftermaths
06. Ground Zero
07. Reverie Is A Tyrant
08. Colonies
09. Noli Timere
10. Friends Of Pain
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