Exodus: "Bonded By Blood", obra-prima do Thrash Metal
Resenha - Bonded By Blood - Exodus
Por Luis Augusto Bueno De Amorim
Postado em 26 de março de 2012
Imagine um cara que tinha, como animal de estimação, um lobo de verdade. Acrescente muito álcool e drogas, e além de tudo com o poder de guiar seus fãs para um verdadeiro massacre nas rodas promovidas em seus shows. Esse era Paul Baloff, e vamos falar sobre como ele ajudou o EXODUS, a lançar uma das obras-primas do Thrash Metal mundial, o poderoso "Bonded By Blood"!
A primeira formação do Exodus, no início da década sagrada de 80, contava com Kirk Hammett, Tom Hunting, Paul Baloff, Gary Holt e Geoff Andrews. Uma das primeiras bandas a tocar Thrash Metal no planeta, senão a primeira. Ainda com esta formação eles lançaram no mesmo ano sua primeira demo Whipping Queen and Death and Domination. Em 83, o grande guitarrista Kirk Hammett, se juntou ao Metallica, no lugar de ninguém menos que Dave Mustaine. Por lá ele construiu uma história que já é do conhecimento de todos.
No lugar de Hammett, o Exodus escalou Rick Hunolt, que é outro guitarrista que dispensa comentários. Geoff Andrews foi substituído por Rob McKillop. Em 1985 a banda assinou com gravadora Combat e lançou seu primeiro álbum, produzido por Mark Whitaker, chamado Bonded by Blood. Este disco se tornou tão intenso e poderoso, que rapidamente levou os fãs do estilo à redenção. O Exodus largou atrás do Metallica, mas de certa forma foi bom para todos.
O Exodus tocou com bandas como Venom, Slayer, e Mercyful Fate. Pouco, não?
Paul Baloff era o tipo de cara louco mesmo. Vivia todo dia como se fosse o último. Através de suas palavras, havia mutilação entre os jovens espectadores nas apresentações da banda. Ele possuía este poder de penetrar na mente dos ouvintes, com sua voz de maníaco.
Na época, havia belos carrões com glams e suas vadias bêbadas, transitando pelas ruas. As brigas entre os "Thrash-Maníacos" da época e os glams eram constantes. Segundo Dave Mustaine, não era raro pessoas sendo esfaqueadas de ambos os lados.
Não era raro também, escutar Paul Baloff guiando seus "lobos sanguinários" para atacar os caras: "Se houver algum poser passando lá fora, tragam-no para dentro, e façam com que ele sangre aqui no palco."
Em qualquer variante de rock houve figuras como esta. Exemplos não faltam, como Sid Vicious dos Sex Pistols, Ozzy Osbourne, King Diamond, Raul Seixas, Jimi Hendrix e vários outros.
Essa era a atmosfera por trás deste disco, e principalmente por trás da faixa título, "Bonded By Blood."
Tracklist:
01-"Bonded by Blood" – 3:48
02-"Exodus" – 4:09
03-"And Then There Were None" – 4:44
04-"A Lesson in Violence" – 3:49
05-"Metal Command" – 4:16
06-"Piranha" – 3:50
07-"No Love" – 5:11
08-"Deliver Us to Evil" – 7:11
09-"Strike of the Beast" – 3:56
Analisando o clássico!
Começamos com o som de algo surgindo das profundezas do inferno, e em alta velocidade. Conforme o som se intensifica, surge os primeiros acordes do hino supremo do Exodus. A letra te envolve e te transporta para o início do Thrash Metal Americano, onde não havia regras, além de ser rápido e furioso. Este som nos remete a mais pura violência, que era rotineira nos shows da banda. Possui riffs bem arranjados, e acima de tudo envolventes, como uma perfeita hipnose. Seu refrão é inesquecível, e permanece fixo na sua mente, graças à voz insana de Paul Baloff e as guitarras afiadas de Rick Hunolt e Gary Holt. Esta é "Bonded By Blood"!
A próxima chama-se "Exodus", e a mutilação continua! Ela possui riffs cortantes, e rápidos, o que se torna uma constante neste disco. O solo de guitarra é matador. Não há como não sentir a insanidade que esse som transmite.
"And Then There Were None" começa mais cadenciada, e esbanja características oriundas do início do Thrash. Se você parar para pensar, é o tipo de som que o Metallica poderia tocar naturalmente, e se fosse de sua autoria, incluir no "Kill'em All" ou "Ride The Lightning". Aos 03:48 os caras aceleram este som no talo e seguem com o solo de guitarra. Clássico!
Você está preparado para ter uma verdadeira lição violenta?
Então está autorizado a ouvir a 4º faixa. "A Lesson in Violence" é o tipo de som que irá lhe responder de imediato o que é Thrash Metal. Os posers da região tremiam ao ouvir este som, e você entenderá o motivo. Esta é uma das minhas favoritas. Não que haja alguma música que não seja digna de ser chamada de hino neste play.
"Metal Command" vai lhe mostrar um pouco da realidade que estes caras viveram. Insana como sempre, esta faixa tornou-se um hino de guerra nos anos 80. Aí vai um trecho para livre interpretação:
"You're gathered here tonight
To heed our metal, cry
Obeying all our wills
All others you defy
A wall of sonic sound
With amps turned up to ten
Our legions are advancing
To battle once again
Fists are in the air, banging everywhere
Thrashing to the sound, faces melting down
It's time to fight for metal tonight
Bangers take your stand and obey
Our metal command".
Mais uma vez, devo destacar o trabalho da "dupla H" nas guitarras.
A admiração por um animal que representa a morte certa, quando um indivíduo adentra seu território, pode ser considerada coisa de louco? Não para nós. "Piranha" chega destruindo tudo. O som das guitarras parece lhe fazer enxergar um verdadeiro cardume delas estraçalhando toda carne que podem. A voz de Baloff ajuda muito nesta "Brisa". Destaque para as guitarras? Imagine só, que besteira. O solo que os caras fizeram nessa música, e os riffs ficaram justos com o tema proposto.
Algo inesperado lhe aguarda? Uma balada... no meio de tanta agressão? Não se engane. "No Love" é justamente o contrário do que representam todas as músicas melosas. Ela é uma espécie de desabafo proveniente de uma mente infestada de ódio. Trata-se do disco "Bonded By Blood", e ele está repleto de ódio do começo ao fim.
"Deliver Us to Evil" é a mais longa do disco, e está longe de ser cansativa. Imaginando ela ao vivo, sendo executada pelos caras diante dos seus olhos, seria o tipo de som que te dá uma trégua para descansar, enquanto os caras não aceleram o ritmo, e transformam o ambiente em um paraíso de insanos.
Para fechar este, que é um dos mais malditos discos já lançados, encaramos ainda "Strike of the Beast". Eu encaro este som como outra mensagem intimidadora. A mensagem que deveria ser espalhada. Uma curiosidade é que os Alemães do Kreator, possuem uma música, lançada no LP "Endless Pain", chamada "Total Death", que tem um refrão parecidíssimo com o refrão de "Strike of the Beast". Coincidências ou não, este som fecha o disco de forma perfeita, com mais uma paulada na cabeça do ouvinte.
Paul Baloff acabou sendo chutado do Exodus durante as gravações do disco "Pleasures Of The Flesh", devido aos seus abusos com relação ao álcool e às drogas. Segundo Gary Holt, era como se ele passasse vários dias desligado do mundo, e não ligasse mais pra nada. Estava se afundando cada vez mais. Paul ainda tentou se firmar em outras bandas depois do Exodus, mas não obteve êxito.
Em 1997 ocorreu algo pelo que todos os fãs do Exodus estavam ansiosos. Paul reassumiu os vocais da banda. Mas a mensagem de Paul Baloff parecia já ter sido passada no "Bonded By Blood". Parecia ter sido sua missão enquanto vivo.
Em 2002 Paul Sofreu um ataque cardíaco, enquanto andava de bicicleta, e foi internado às pressas, em estado de coma. Em agosto daquele ano, aos 41 anos de idade, Paul se foi quando a família optou por desligar os aparelhos que o mantinham vivo. O mundo perdeu o homem mais louco da história do Thrash Metal. Afinal é dito que o único que sobreviveu a este estilo de vida, foi justamente o seu inventor. O ilustre guitarrista da banda de Mick Jagger. R.I.P. Paul Baloff!
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