Freedom Call: Disco feito para fãs da banda e do estilo

Resenha - Legend of the Shadowking - Freedom Call

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Pedro Argentieri de Aguirre
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 7


O Heavy Metal melódico é um estilo cada vez mais restrito e sobrevive graças a uma base de fãs dos mais fervorosos e dedicados no mundo do metal. Resenhar um CD de uma banda desse estilo é uma tarefa complicada, pois estamos lidando com muita paixão. Como sou fã do estilo preciso deixar um pouco de lado meu gosto pessoal, observar de longe e saber contextualizá-lo antes de qualquer opinião. Dentre os praticantes do Metal Melódico há bandas que optaram por novos ares com o tempo, reinventando seu estilo e moldando-o ao mercado, ávido por novidades. São os casos de EDGUY (cada vez mais com uma pegada de Hard Rock), STRATOVARIUS (voltando a flertar com o progressivo) e SONATA ARCTICA (optando por um som mais cadenciado e experimental). Essas três bandas foram alvos de críticas por seus fãs devido às mudanças nos últimos discos. Porém, há bandas como o RHAPSODY OF FIRE e o BLIND GUARDIAN, que optaram por outro caminho e levaram seus estilos até o limite, conseguindo ficar cada vez melhores.

Fascínio pelo terror: Cinco bandas que dão medoLemmy: "Radiohead e Coldplay são bandas sub-emo"

O CD que eu vou resenhar é o conceitual "Legend of the Shadowking" (2010), sexto álbum de estúdio do FREEDOM CALL. Quem ouve um disco do FREEDOM CALL não deve buscar nada de novo. É um disco feito para fãs da banda e do estilo, e no máximo para quem não conhece nada de Metal Melódico e quer saber o que está sendo feito. Talvez por tudo isso esse CD surpreenda alguns.

O disco abre com a poderosa "Out of the ruins", típica faixa de entrada com coro logo no inicio, bumbo duplo, melodia grudenta e refrão poderoso. Mais um hino a ser entoado pelo público da banda nos shows. Mantendo o estilo consagrado o disco segue com "Thunder god", dentre as músicas mais rápidas a mais fraca, e "Tears of Babylon", que funciona muito bem ao vivo, como visto no DVD "Live in Hellvetia" (2011).

O petardo seguinte é "Merlin- Legend of the past" que narra a famosa lenda do mago Merlin e é a melhor do disco, sobressaindo-se em meio as outras músicas rápidas. Possivelmente tem o melhor refrão da história da banda, marcante, cativante e rápido. A música ganha ainda um epílogo, "Merlin - Requiem", que mantém o refrão, mas contém versos diferentes, e é tocada apenas no piano e orquestra. "Resurrection day", "Remember" e "The shadowking" mantém o nível, mas não chegam a empolgar tanto.

As coisas começam a ficar interessantes de verdade a partir da cadenciada "Under the spell of the moon" e seu vocal quase falado. Não chega a ser uma balada, mas quebra totalmente o ritmo do álbum de um jeito surpreendentemente positivo. Logo em seguida temos "Dark obsessions", que parece muito com o que o KAMELOT fazia no inicio de sua carreira. Mais uma vez o estilo é diferente do que estamos acostumados a ver o FREEDOM CALL fazer, cadenciado com a faixa anterior, apesar de ter um refrão poderoso cantado em coro. A faixa seguinte, "The darkness" começa arrastada e parece que estamos ouvindo MY DYING BRIDE, principalmente durante os versos. O vocal de Chris Bay aparece em alguns momentos mais pesado e levemente gutural, como raramente ouvido.

"Ludwig II - Prologue" serve de introdução para "Shadowking" e parece que estamos ouvindo RAMMSTEIN, pois o vocal é todo em alemão com forte sotaque. O ponto mais alto do disco ainda está por vir. A estranheza é completa quando soam as modernas "Kingdom of madness" e "Perfect day". A primeira usa sintetizadores e soa Hard Rock, com paradinha para palmas do 'público' e tudo. A segunda é talvez a música mais egocêntrica já escrita, como mostra o seguinte verso:

"I`m the biggest, I`m the best
I`m better than the rest
I`m bad, I`m worst, I rule
I`m better than the rest

I`m a sinner, I`m a saint
I`m tough not faint
I`m smart, I`m rough so cool
I`m better than the rest(...)"

(tradução: Sou o maior, sou o melhor
Sou melhor que o resto
Sou mau, sou o pior, eu mando
Sou melhor do que o resto

Sou um pecador, sou um santo
Sou forte, não canso
Sou espeto, sou áspero, tão legal
Sou melhor do que o resto).

Mais um Hard Rock que evidencia as influências musicais de Chris Bay. Música crua e refrão grudento, um hit indiscutível. O que podemos ver nesse CD é uma banda consolidada em seu estilo, mas que não deixou de, enfim, tentar coisas novas e usar referências que fogem de seu habitual. Umas causam estranheza, outras são bem vindas, mas não se pode negar que eles ao menos parecem estar trilhando rumo a um amadurecimento. Olhando sob um contexto geral não é um disco que contribua para o 'mundo da música', mas o que é feito hoje em dia que contribua?

Formação:
Chris Bay - Vocal e guitarra
Lars Rettkowitz - Guitarra
Samy Saemann - Baixo
Dan Zimmermann - Bateria

Freedom Call - Legend of the Shadowking (2010 -SPV)
1."Out Of The Ruins"
2."Thunder God"
3."Tears Of Babylon"
4."Merlin - Legend Of The Past"
5."Resurrection Day"
6."Under The Spell Of The Moon"
7."Dark Obsessions"
8."The Darkness"
9."Remember"
10."Ludwig II. - Prologue"
11."The Shadowking"
12."Merlin - Requiem"
13."Kingdom Of Madness"
14."A Perfect Day"

Homepage:
http://www.freedom-call.net/




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Freedom Call"


Fascínio pelo terror: Cinco bandas que dão medoFascínio pelo terror
Cinco bandas que dão medo

Lemmy: Radiohead e Coldplay são bandas sub-emoLemmy
"Radiohead e Coldplay são bandas sub-emo"

Metal contra o câncer: festival aceita cabelo como ingressoMetal contra o câncer
Festival aceita "cabelo" como ingresso

Tom Araya: Não sou ateu; acredito em Deus!Tom Araya
"Não sou ateu; acredito em Deus!"

Raul Seixas: 10 importantes obras do Maluco BelezaRaul Seixas
10 importantes obras do Maluco Beleza

Led Zeppelin: Milton Nascimento e Marina Machado em clássicoLed Zeppelin
Milton Nascimento e Marina Machado em clássico

Kurt Cobain: Como não se comportar numa festaKurt Cobain
Como não se comportar numa festa


Sobre Pedro Argentieri de Aguirre

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

adClio336|adClio336