Freedom Call: Disco feito para fãs da banda e do estilo
Resenha - Legend of the Shadowking - Freedom Call
Por Pedro Argentieri de Aguirre
Postado em 20 de dezembro de 2011
Nota: 7 ![]()
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O Heavy Metal melódico é um estilo cada vez mais restrito e sobrevive graças a uma base de fãs dos mais fervorosos e dedicados no mundo do metal. Resenhar um CD de uma banda desse estilo é uma tarefa complicada, pois estamos lidando com muita paixão. Como sou fã do estilo preciso deixar um pouco de lado meu gosto pessoal, observar de longe e saber contextualizá-lo antes de qualquer opinião. Dentre os praticantes do Metal Melódico há bandas que optaram por novos ares com o tempo, reinventando seu estilo e moldando-o ao mercado, ávido por novidades. São os casos de EDGUY (cada vez mais com uma pegada de Hard Rock), STRATOVARIUS (voltando a flertar com o progressivo) e SONATA ARCTICA (optando por um som mais cadenciado e experimental). Essas três bandas foram alvos de críticas por seus fãs devido às mudanças nos últimos discos. Porém, há bandas como o RHAPSODY OF FIRE e o BLIND GUARDIAN, que optaram por outro caminho e levaram seus estilos até o limite, conseguindo ficar cada vez melhores.
O CD que eu vou resenhar é o conceitual "Legend of the Shadowking" (2010), sexto álbum de estúdio do FREEDOM CALL. Quem ouve um disco do FREEDOM CALL não deve buscar nada de novo. É um disco feito para fãs da banda e do estilo, e no máximo para quem não conhece nada de Metal Melódico e quer saber o que está sendo feito. Talvez por tudo isso esse CD surpreenda alguns.
O disco abre com a poderosa "Out of the ruins", típica faixa de entrada com coro logo no inicio, bumbo duplo, melodia grudenta e refrão poderoso. Mais um hino a ser entoado pelo público da banda nos shows. Mantendo o estilo consagrado o disco segue com "Thunder god", dentre as músicas mais rápidas a mais fraca, e "Tears of Babylon", que funciona muito bem ao vivo, como visto no DVD "Live in Hellvetia" (2011).
O petardo seguinte é "Merlin- Legend of the past" que narra a famosa lenda do mago Merlin e é a melhor do disco, sobressaindo-se em meio as outras músicas rápidas. Possivelmente tem o melhor refrão da história da banda, marcante, cativante e rápido. A música ganha ainda um epílogo, "Merlin – Requiem", que mantém o refrão, mas contém versos diferentes, e é tocada apenas no piano e orquestra. "Resurrection day", "Remember" e "The shadowking" mantém o nível, mas não chegam a empolgar tanto.
As coisas começam a ficar interessantes de verdade a partir da cadenciada "Under the spell of the moon" e seu vocal quase falado. Não chega a ser uma balada, mas quebra totalmente o ritmo do álbum de um jeito surpreendentemente positivo. Logo em seguida temos "Dark obsessions", que parece muito com o que o KAMELOT fazia no inicio de sua carreira. Mais uma vez o estilo é diferente do que estamos acostumados a ver o FREEDOM CALL fazer, cadenciado com a faixa anterior, apesar de ter um refrão poderoso cantado em coro. A faixa seguinte, "The darkness" começa arrastada e parece que estamos ouvindo MY DYING BRIDE, principalmente durante os versos. O vocal de Chris Bay aparece em alguns momentos mais pesado e levemente gutural, como raramente ouvido.
"Ludwig II - Prologue" serve de introdução para "Shadowking" e parece que estamos ouvindo RAMMSTEIN, pois o vocal é todo em alemão com forte sotaque. O ponto mais alto do disco ainda está por vir. A estranheza é completa quando soam as modernas "Kingdom of madness" e "Perfect day". A primeira usa sintetizadores e soa Hard Rock, com paradinha para palmas do ‘público’ e tudo. A segunda é talvez a música mais egocêntrica já escrita, como mostra o seguinte verso:
"I`m the biggest, I`m the best
I`m better than the rest
I`m bad, I`m worst, I rule
I`m better than the rest
I`m a sinner, I`m a saint
I`m tough not faint
I`m smart, I`m rough so cool
I`m better than the rest(…)"
(tradução: Sou o maior, sou o melhor
Sou melhor que o resto
Sou mau, sou o pior, eu mando
Sou melhor do que o resto
Sou um pecador, sou um santo
Sou forte, não canso
Sou espeto, sou áspero, tão legal
Sou melhor do que o resto).
Mais um Hard Rock que evidencia as influências musicais de Chris Bay. Música crua e refrão grudento, um hit indiscutível. O que podemos ver nesse CD é uma banda consolidada em seu estilo, mas que não deixou de, enfim, tentar coisas novas e usar referências que fogem de seu habitual. Umas causam estranheza, outras são bem vindas, mas não se pode negar que eles ao menos parecem estar trilhando rumo a um amadurecimento. Olhando sob um contexto geral não é um disco que contribua para o ‘mundo da música’, mas o que é feito hoje em dia que contribua?
Formação:
Chris Bay – Vocal e guitarra
Lars Rettkowitz – Guitarra
Samy Saemann – Baixo
Dan Zimmermann – Bateria
Freedom Call – Legend of the Shadowking (2010 –SPV)
1."Out Of The Ruins"
2."Thunder God"
3."Tears Of Babylon"
4."Merlin - Legend Of The Past"
5."Resurrection Day"
6."Under The Spell Of The Moon"
7."Dark Obsessions"
8."The Darkness"
9."Remember"
10."Ludwig II. – Prologue"
11."The Shadowking"
12."Merlin – Requiem"
13."Kingdom Of Madness"
14."A Perfect Day"
Homepage:
http://www.freedom-call.net/
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