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Wintersun: Peso infernal vindo de uma Fender Telecaster

Resenha - Wintersun - Wintersun

Por Thiago Pimentel
Fonte: Hangover Music
Em 08/11/11

Nota: 9

Após alguns anos a frente do grupo finlandês de folk metal "Ensiferum", o músico Jari Mäenpäa decide afastar-se da banda para total dedicação a um ambicioso projeto. Tal projeto fora batizado como "Wintersun". Divergindo da sua banda anterior - em que Mäenpäa não era o principal compositor - , aqui a música produzida seria apenas sua, e não apenas na composição: Jari além de tocar guitarra e cantar (função que adotou nos tempos do "Ensiferum") também tocou teclado baixo e fez os demais arranjos orquestrais das músicas do álbum.

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O disco homônimo tem sua abertura realizada de maneira rápida e imponente com "Beyond the Dark Sun". A faixa, apesar de boa, mostra uma grande simplicidade se comparada com as outras do álbum - e não apenas por sua curta duração - servindo apenas como uma espécie de introdução ao verdadeiro conteúdo da obra. A próxima faixa ("Winter Madness") já apresenta os elementos do abismo que separam o "Wintersun" das dezenas de bandas do chamado 'melodic death metal'. O nível dos riffs e a complexidade dos arranjos/passagens já denunciam o perfeccionismo de Jari. Também deve mencionar o solo, de altíssimo nível técnico, que demonstra muito do estilo, influenciado por guitarristas como Steve Vai e Yngwie Malmsteen, de Mäenpäa.

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Quando você começa a notar todos esses elementos e, além da performance técnica, atrai-se também pela originalidade da música... eis que surgem, na sequência, composições como "Sleeping Stars", "Battle Against Time" e a épica "Death and the Healing". O vocal de Jari, nesse ponto, torna-se um dos principais atrativos do disco: poucos conseguem variar tanto o vocal como ele - saindo do rasgado, limpo ao gutural. Dando ainda mais originalidade as composições. Ouça "Battle Against Time" e, caso conheça o "Ensiferum", notará os famosos vocais em coro característicos do viking metal aqui. Outro exemplo é sua performance - com vocal completamente limpo - em "Death and the Healing". Escute-a compare com a abertura do disco. Nessa mesma canção também devo citar o magnífico trabalho de guitarra solo de Jari que, apesar de realizar um solo longo, cria tantos e nuances que dificilmente entediará o ouvinte.

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As três últimas canções do disco são as ricas em arranjos e, consequentemente, as mais complexas do disco.

"Starchild" é um épico dividido em cinco partes. A composição possui muitos elementos típicos do folk metal finlandês. Destaca-se nessa faixa a interpretação vocal de Jari, que atinge notas muito altas por aqui, e a presença maior de elementos orquestrais. Os arranjos são incríveis, melódicos e, sempre, completados pelas guitarras pesadas. Aliás, bem mais pesadas do que normalmente visto em bandas desse tipo.

Duas das melhores faixas encerram o disco: "Beautiful Death" - com os melhores e mais furiosos riffs do álbum, além de um belo solo 'extra' em seu fim - e a emocionante "Sadness and Hate". Difícil descrever essa última faixa, pois ela é a mais emocionante - e triste - do disco. Até os seus momentos mais guturais são carregados de interpretação - ouça Jari berrando "I GIVE MY LIFE TO YOU" e compreenda. Um ótimo exemplo para quem não entende, ou critica esse tipo de vocal.

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Paradoxalmente, as melodias - as vezes excessivas, é verdade - unem-se de maneira harmônica com todo o lado extremo da banda sem soar de forma forçada. Na primeira vez que ouvi esse álbum pensei em todo o trabalho realizado - desde mixagem, a composição dos arranjos - para que tudo isso soasse tão cristalino e agradável. Sim, isso são elementos que tornam o debut do Wintersun algo único. Como único ponto fraco posso citar algumas partes rítmicas que soam um pouco simplórias - ouça a intro de "Starchild", por exemplo - em relação aos leads - sempre melódicos.

É bom lembrar que o "Wintersun", originalmente, fora um projeto restrito ao estúdio. Todavia, Mäenpäa mudou de ideia - por conta da ótima resposta ao trabalho - , recrutou alguns músicos, e resolveu apresentar a música do debut ao vivo. Apesar de toda a complexidade das composições, o som do grupo é representando de excelente forma ao vivo - o vídeo abaixo comprava isso. Algumas das composições do debut, como "Beyond the Dark Sun" e "Death and the Healing", foram compostas em períodos bem distintos da vida de Jari e, talvez por isso, soem um pouco fora do contexto do álbum.

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Infelizmente, já se vão mais de seis anos da espera do sucessor de "Wintersun". Enquanto isso vale a pena ouvir novamente - ou descobrir - "Wintersun", pois trata-se de uma obra única na música pesada e, claro, tirar o chapéu para o trabalho do excelente músico Jari Maenppa... afinal não é qualquer um que tira esse peso infernal com uma Fender Telecaster.

Formação:
Jari Mäenpää - vocais, guitarras, baixo e teclado
Kai "the Grinder" Hahto - bateria

Tracklist:

1. Beyond the Dark Sun 02:38
2. Winter Madness 05:08
3. Sleeping Stars 05:41
4. Battle Against Time 07:03
5. Death and the Healing 07:13
6. Starchild 07:54
7. Beautiful Death 08:16
8. Sadness and Hate 10:16

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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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