Ed Kowalczyk: Mantendo referências sonoras do Live em solo

Resenha - Alive - Ed Kowalczyk

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9


Os mais de vinte milhões de discos vendidos indicam a importância dos norte-americanos do LIVE para o rock n' roll internacional na década de noventa. Porém, após o disco "Songs from Black Mountain" (2006) o desgaste evidente entre ED KOWALCZYK e o restante do grupo colocou um ponto de interrogação sobre o futuro do conjunto e permitiu que o cantor iniciasse a sua tão sonhada carreira solo. Dois anos se passaram e o vocalista amadureceu cada uma das onze faixas que compõem a sua primeira investida individual, o interessante álbum batizado com o irônico nome de "Alive".

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De modo bastante claro, ED KOWALCZYK mantém cada uma das referências sonoras do LIVE - do pop/rock ao rock alternativo - em sua primeira empreitada solo. O cantor norte-americano, que sempre foi a mente criativa por trás da sua ex-banda, construiu o repertório de "Alive" com muita naturalidade, deixando à parte qualquer novidade e/ou característica inusitiada. No entanto, a ausência de uma personalidade marcante e diferenciada não comprometeu em nada o resultado final de "Alive". Pelo contrário. O álbum reproduziu cada uma das características que fizeram do LIVE uma das bandas mais queridas do publico norte-americano durante os anos dourados da MTV no país. Da mesma forma, não há dúvidas de que os fãs brasileiros não se decepcionarão com o debut de ED KOWALCZYK.

Com a produção assinada pelo renomado CJ Eiriksson - o mesmo cara que está por trás dos principais discos da ex-banda do cantor e até mesmo da mixagem de "No Line on the Horizon" (U2) - o primeiro registro solo de ED KOWALCZYK chama a atenção de imeditado pelo nível altissimo de suas composições. O vocalista, que é acompanhado por James Gabbie (guitarra), Chris Heerlein (baixo), Andy Dollerson (teclado) e Ramy Antoun (bacteria), mostra sua incrível capacidade de construir músicas tranquilas, mas com passagens verdadeiramente marcantes, desde a abertura do álbum com a excelente "Drive". A fórmula adotada pelo ex-LIVE é extremamente simples, mas funciona porque tudo está encaixado de maneira eficiente e sem nenhum tipo de exagero ou pretensão demasiada. A honestidade do repertório é o principal ponto do trabalho de ED KOWALCZYK.

De certo modo, os dois anos que o vocalist esteve preparando as faixas de "Alive" contribuiram em grande medida ao sucesso que o álbum conquistou - inclusive com um posto de destaque nas paradas da Billboard norte-americana. O rock certeiro de "The Great Beyond" funciona como um interessante contraponto às baladas "Grace" e "Drink (Everlasting Love)"- provavelmente dois dos maiores hits do disco. A voz de Kowalczyk, mesmo após vinte anos de carreira, ainda desfila perfeitamente durante os quarenta minutos do seu primeiro registro solo. Outras músicas - como "Stand" e "Zion" - evidenciam o caminho alternativo por qual o LIVE sempre andou sem nenhum tipo de constrangimento e/ou ineficiência técnica.

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O sucesso controverso de nomes como Scott Stapp (CREED) mostram o quanto ED KOWALCZYK corre injustamente por fora no famigerado Mercado norte-americano. Não há nenhuma sombra de dúvida que o cantor carequinha merece uma série de elogios sinceros ao invés do ostracismo que a sua carreira parece ser envolvida desde a sua despedida do LIVE, sobretudo aqui em nosso país. Pode até ser que "Alive" aparente um ar modesto e sem o contorno de uma grande ambição, mas não perceber a qualidade de músicas emotivas e certeiras como "In Your Light" e "Just in Time" parece ser um pouco equivocado.

Com a baladinha "Fire on the Mountain", a primeira investida individual de ED KOWALCZYK encerra de modo certeiro e com a certeza de que muitas das músicas desse repertório possuem um imenso potencial, sobretudo para serem executadas nas rádios de nosso país. De certo modo, os fãs do LIVE não se sentirão mais sozinhos após confirmarem em quarenta minutos de música que a alma da banda permanence viva e em plena atividade. Não há dúvidas de "Alive" é um álbum extremamente eficiente - e com qualidades mais do que visíveis - dentro da sua proposta pop/rock pré-estabelecida.

Track-list:

01. Drive
02. The Great Beyond
03. Grace
04. Stand
05. Drink (Everlasting Love)
06. Zion
07. In Your Light
08. Just in Time
09. Rome
10. Soul Whispers
11. Fire on the Mountain




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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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