Qutin: Mistura de death metal melódico e progressivo do Irã

Resenha - Rationalism - Qutin

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Por José Sinésio Rodrigues
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O que mais chama a atenção na banda Qutin é seu país de origem: o Irã. Mas as surpresas não param por aí. Quando se ouve as composições da banda sente-se uma grande satisfação, pois o som é pesado e muito bem feito. Ao se ouvir suas músicas, muito bem executadas, é impossível não se sentir ansioso por novos lançamentos do grupo.

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Felizmente o heavy metal, não importa a vertente, tende a espalhar-se pelo mundo, cada vez mais. Sendo um estilo que há muito deixou de conhecer fronteiras, o bom e velho metal parece também reinventar-se em cada país onde aporta. É então uma grata surpresa constatar o surgimento de uma grande quantidade de bandas saídas do Oriente Médio, como as israelenses Orphaned Land, Salem, Distorted, Maleschesch e Gevolt, os emiratenses do Nervecell, os libaneses do Kimaera, os turcos do Almora e os iraquianos da ótima banda de thrash metal Acrassicauda. Ainda assim, não deixa de causar surpresa o aparecimento de uma banda vinda do Irã, o país do louco Mahmoud Ahmadinejad, o país que é retratado no famoso documentário Global Metal, de Sam Dunn, como sendo um dos mais radicais em se tratando de adotar medidas contra a proliferação de seguidores de heavy metal em seu território.

A banda em questão, proveniente da terra dos aiatolás, é o Qutin, um trio que dedica-se a um som comlexo, resultado de uma mistura de death metal melódico e progressivo. A barulheira do grupo tem evidentes influências de Slayer, além de Arch Enemy, Dylath-Leen, Dark Tranquility, Carcass, In Flames, Frailty e At The Gates.

"Rationalism", seu ótimo álbum de estreia (precedido por uma demo), começa com uma intro de pouco mais de um minuto, chamada 'Bloody Storm', uma faixa que limita-se a uns dedilhados de guitarra sem distorção. Totalmente desnecessária, a intro em nada dá a entender que, a seguir, vem uma das melhores composições já surgidas no death metal, a faixa 'A Future Without Tomorrow'. A cozinha é poderosa e o vocal é rasgado e agressivo, lembrando muito o In Flames em seus melhores momentos. Nesta faixa vocal e parte intrumental se casam perfeitamente. O andamento da música tem alternâncias impressionantes, com solos rápidos à Slayer – mas que também remetem ao instrumental de grupos como Arch Enemy e Dylath-Leen – e um hipnotizante baixo cavalgado. A faixa seguinte, 'Evolution', mantém o ritmo da anterior, com muito peso, guitarra, baixo e bateria poderosos e bem tocados e o vocal fazendo sua parte com perfeição. Mas, como se não bastasse, ainda na primeira metade da faixa introduzem elementos de música médio oriental, sem perder o peso. O resultado é algo único, como nunca tinha ouvido até então. O solo de guitarra, a seguir, é um dos mais complexos e bem executados que já ouvi. A esta altura, já boquiaberto com a melhor surpresa que o país de Ahmadinejad nos deu até hoje, sou atingido pelo som de piano, bem manso, que abre a faixa seguinte, 'Distroy The Lies'. Apesar do início bem soft, a faixa descamba, já nos próximos 30 segundos, em mais peso e barulheira bem feita. Esta faixa é mais direta que as anteriores, sem adição de elementos de música médio oriental, mas, ainda assim, consegue impressionar, sobretudo os fãs mais tradicionais de death metal.

Uma quebra de ritmo vem com a faixa 'Tide', que resume-se a dedilhados de violão, arrastando-se por quase três minutos e meio. Totalmente passável, é aquela faixa que sempre terei de me lembrar de pular quando estiver ouvindo este petardo.

"Rationalism" descamba então para mais agressividade com a faixa seguinte, 'Revolution of Thought'. Trata-se de uma faixa que prima pelo death metal direto, sem muitas firulas, com o vocal mais uma vez mostrando serviço. Os solos de guitarra mantêm-se primorosos, com a bateria sendo manuseada por alguém que deve ser um dos melhores bateristas do Oriente Médio.

A faixa seguinte, 'Doom In Heaven', mantém o peso do álbum, com aquela guitarra de timbre que salta do agressivo para o hipnótico em questão de biolionésimo de segundo. Tudo tocado com rapidez e maestria, levando-me a perguntar por que o resto do mundo ainda não descobriu esta pérola iraniana do heavy metal.

Se já estava evidente que o Slayer é uma das maiores influências do Qutin, não causa estranheza alguma deparar-se então com a oitava faixa. Ela é, simplesmente, um cover para a música 'Spirit in Black', do Slayer. E esta versão ficou matadora, tão boa quanto apenas o próprio Slayer poderia fazer.

O álbum fecha com 'Land Of Caves', com duração de quase três minutos, consistindo em nada mais que dedilhados de guitarra sem distorção, novamente. Após isso, a próxima coisa a se fazer é voltar o play para o início do álbum e ouvi-lo novamente, pois é quase impossível ouvi esta maravilha apenas uma vez.

A impressão que fica é que o Qutin é uma das melhores bandas já surgidas no Oriente Médio, além de uma das mais injustiçadas, visto que o resto do mundo nunca ouviu falar destes rapazes que se dispuseram a ir à contramão de todo o preconceito e perseguição contra integrantes de bandas e fãs de heavy metal em sua terra natal. Fica aidna a impressão de que o Qutin deveria estar participando dos Wacken Open Airs da vida, fazendo seu nome no mundo do heavy metal, até porque a banda que era a promessa do heavy metal iraniano antes deles, o Ahoora, resolveu se vender ao som comercial e descartável do nu metal, após mudar-se para os Estados Unidos.

Gostei tanto da banda que cheguei a criar uma página para eles na Wikipédia. O lançamento só não vai ganhar nota máxima pro causa das desnecessárias faixas introdutórias que inesperadamente surgem entre as músicas.

O Qutin é:

Parsa Radmanesh - Guitarra
Atila Moezi – Guitarra
Morteza Mohaghegh - Vocal

Track List
1. Bloody Storm (Intro) (01:07)
2. A Future Without Tomorrow (04:09)
3. Evolution (04:39)
4. Distroy the Lies (05:46)
5. Tide (03:23)
6. Revolution of Thought (04:02)
7. Doom in Heaven (05:55)
8. Spirit in Black (Cover do Slayer) (03:20)
9. Land of Caves (Outro) (02:44)

My Space: http://www.myspace.com/qutin



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Sobre José Sinésio Rodrigues

José Sinésio Rodrigues mora em Londrina, no Paraná. É professor de Ciências, agente penitenciário, aluno de Geografia e coordenador de Astronáutica de um grupo de Astronomia londrinense. É também palestrante, escritor, quadrinista, contista, ex-radialista e ex-colunista de jornal. Seu contato com o Rock aconteceu com o Faith No More e Pearl Jam, no início da década de 1990. Suas bandas favoritas são: My Dying Bride, Monster Magnet, Dominus Praelii, Acrassicauda, Slayer, Fejd, Arkona e Anabioz.

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