Oomph!: Metal industrial no seu estado mais cru e direto
Resenha - Truth Or Dare - Oomph!
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 20 de março de 2011
Nota: 8 ![]()
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O metal industrial adquiriu representatividade no mundo da música a partir do momento em que os alemães do RAMMSTEIN mostraram o impacto do gênero no álbum "Sehnsucht" (1997). A sonoridade, que mistura o peso e a obscuridade do metal às referências mais íntimas da música eletrônica, possui outros expoentes no país germânico. Entre esses nomes, o OOMPH! mostra muita ambição na sua nova empreitada. A coletânea "Truth or Dare" compila os maiores sucessos da banda com – pela primeira vez – letras em inglês. O resultado é acima da média.

Em quase vinte anos de carreira, o OOMPH! certamente pode ser apontado como uma referência do gênero que ajudou a construir, ainda na década de oitenta. De certo modo, Dero Goi (vocal e bateria), Andreas Crap (guitarra e teclado) e Robert Flux (guitarra e baixo) aproveitam praticamente as mesmas influências que proporcionaram ao RAMMSTEIN fama e glória no passado. As programações eletrônicas e os riffs pesados se mostram unidos na sonoridade do grupo, sobretudo a partir do álbum "Sperm" (1994). As letras polêmicas representam uma outra constante dentro da proposta da banda, que ganha um contorno ainda mais ousado pelo visual assumido por Dero Goi – que usa e abusa da maquiagem à black metal. No entanto, o apelo comercial é o que distancia o OOMPH! do seu conterrâneo mais famoso.
Não há dúvidas de que a proposta de Dero Goi & Cia. perde muito a partir do momento que deixa para trás o que o metal industrial possui de mais obscuro e de mais próximo ao gothic rock. Entretanto, a busca por composições diretas e de impacto imediato não deve ser apontada como um pecado dentro da coletânea "Truth or Dare". As novas versões, que abdicaram do alemão para assumir o inglês como idioma, se mostram interessantíssimas e verdadeiramente capazes de agradar a gregos e a troianos. Por mais que queira se inserir no mercado mainstream, o OOMPH! não abriu mão de construir uma sonoridade claramente própria. Nas mãos dos caras de Wolfsburg, o metal industrial perdeu o seu caráter "complicado" para virar um gênero mais uniforme e melodicamente intuitivo.
A coletânea conta com uma série de músicas de impacto. De certo modo, os fãs mais assíduos do RAMMSTEIN até podem se decepcionar porque os experimentalismos eletrônicos não contornam as dezesseis faixas de "Truth or Dare". O que se ouve é – por que não chamar assim – o metal industrial no seu estado mais cru e direto (as composições não ultrapassam a marca de quatro minutos). As melodias de "Ready or Not (I’m Coming)" e de "Burning Desire" não causam estranheza e devem dimensionar as duas faixas como destaques absolutos da obra. No entanto, o direcionamento menos pop (e mais eletrônico) de "God is a Popstar" concede autoridade a esse que pode ser apontado como o melhor momento do discoo. O refrão – extremamente marcante – constitui outra característica que se repete satisfatoriamente bem no restante do repertório.
Embora possua músicas apenas razoáveis – como "Labyrinth" e "The Final Match" –, o álbum apresenta outras versões que devem agradar de imediato os fãs do gênero. De um lado, "Crucified" é que mais se aproxima da referência absoluta chamada RAMMSTEIN. De outro, "Sandman" possui um andamento veloz e diferenciado dentro da proposta mais arrastada e densa do metal industrial. Com o retorno dessas características mais tradicionais, "Land Ahead" – que traz a voz da cantora convidada Sharon den Adel (WITHIN TEMPTATION) – pode ser apontada como outra música de impacto dentro do repertório do OOMPH!.
De certo modo, são poucas as faixas que passam em branco e não chamam a atenção por um motivo ou outro. A agressividade de "Wake Up!" mostra um quê de DEATHSTARS na sonoridade do power-trio alemão. Na sua contramão, "The Power of Love" é um cover excepcional dos britânicos do FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD – uma banda que ganhou notoriedade no auge da disco-pop na década de oitenta. Na sequência, a ironia marcante do OOMPH! retorna em "True Beauty is So Painful" e em "The First Time Always Hurts". As faixas – ao contrário das demais citadas – não evidenciam nenhum motivo para ser mencionadas como destaque da obra. A exceção de ambas fica justamente por conta das (ótimas) letras polêmicas e ousadas. Por fim, a balada quase romântica (?!) "On Course" encerra o álbum. A composição deixa mais do que clara a ambição do trio alemão por novos – e amplos – mercados para além da Alemanha e da Europa.
Por mais que as referências do pop podem gerar controvérsias, é mais do que inegável que a banda possui qualidade técnica e bom senso para construir um repertório coeso e interessante. Entretanto, o limite entre a ousadia e o senso comum pode ser bastante tênue às vezes. O OOMPH! precisa relativizar o seu direcionamento comercial para não perder o impacto e a agressividade íntima do metal. No momento, as circunstâncias que contornam "Truth or Dare" proporcionam uma boa experiência para os fãs. A dica é mais do que válida.
Track-list:
01. Ready or Not (I’m Coming)
02. Burning Desire
03. Song of Death
04. God is a Popstar
05. Labyrinth
06. The Final Match
07. Crucified
08. Sandman
09. Sex is Not Enough
10. Land Ahead
11. Wake Up!
12. The Power of Love
13. True Beauty is So Painful
14. The First Time Always Hurts
15. Dream Here (With Me)
16. On Course
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