Arcade Fire: Revelação dos 2000 para os amantes do rock
Resenha - Funeral - Arcade Fire
Por Pedro Zambarda de Araújo
Postado em 12 de março de 2011
Ganhadores do prêmio Grammy de 2010 pelo álbum The Suburbs, como melhor disco do ano, o enorme grupo canadense Arcade Fire nem sempre contou com um grande reconhecimento ou com a produção de Markus Dravs, responsável por Brian Eno e Björk. Em 2004, eles entravam na indústria do rock alternativo com "Funeral", que foi todo criado e gravado pela própria banda. Na época, eles possuíam cerca de 15 pessoas envolvidas apenas com o som do álbum.
Formados pelo casal Win Butler e Régine Chassagne, os músicos do Arcade Fire fogem da tradição do rock´n´roll - baixo, guitarra e bateria - e abusam de instrumentos como violino, violoncelo, orgão, sintetizador, harpa e outros ainda mais exóticos para o estilo, como a trompa. O assunto do primeiro disco da banda também é algo fora do normal para grupos iniciantes. "Funeral" foi gravado em homenagem aos avós dos integrantes, falecidos na época. E, ao contrário de um velório repleto de sofrimento, as músicas narram uma visita ao que há de melhor na vida.
A sequência de faixas com o nome "Neighborhood" falam sobre acontecimentos pessoais e históricos que envolveram os parentes do Arcade Fire, como o projeto russo que enviou uma cachorra chamada Laika ao espaço. Crown of Love passa pelas mazelas do amor e da lembrança, enquanto Rebellion (Lies) é um hino sobre o discurso dos velhos e dos novos e de como ambos são alienantes.

No entanto, apesar de temas contraditórios e melancólicos, o CD soa como uma mensagem positiva sobre a morte. "In The Backseat" encerra o material mostrando que, uma hora, precisamos sair do banco de trás do carro e assumir o controle de nossas vidas, sem depender de nossos pais. Porém, a vocalista frisa: "I like the peace / In the backseat".
A maior mensagem desse álbum de estréia está na primeira música. As letras falam de como esquecemos os nomes de quem amamos e de como os nomes perdem sentido com o tempo, assim como uma vida inteira. O transitório é bem retratado, acompanhado de um instrumental consistente em bases de variados instrumentos. O ouvinte vai vibrar com a guitarra em batidas ritmadas e até com o violino que dá uma atmosfera fluída para as canções. É, definitivamente, uma revelação dos anos 2000 para os amantes do rock.
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