Hecatombe: Como se fosse o Iced Earth com uma faceta thrash
Resenha - Crossing No-Fly Zone - Hecatombe
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 01 de março de 2011
Nota: 8 ![]()
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Com mais de dez anos de carreira, a HECATOMBE se consolidou como um dos nomes mais enigmáticos e promissores do underground gaúcho. A banda, que deixou passar muitos anos entre as demos "Demo 2002" (2002) e "Hate n’ Rage" (2008), voltou com um conceito em afirmação na sua empreitada mais recente, o DVD "Crossing No-Fly Zone". A agressividade é a nova referência do metal tradicional executado – muitíssimo bem – pelo quinteto caxiense.

Embora nunca tenham se desvencilhado de uma sonoridade verdadeiramente pesada, Mark (vocal), Caldo (guitarra), Moelevil (guitarra), Wood (baixo) e Boll3t (bateria) vêm apostando em um metal extremamente próximo às raízes mais agressivas do gênero (como o thrash metal) recentemente. De modo muito claro, a nova proposta da HECATOMBE desconsiderou as composições do passado para criar um novo repertório, mais coeso e parecido com as faixas de "Hate n’ Rage" (2008). O resultado pode ser acompanhado na apresentação "Live at the Aeroport" e no pioneiro EP audiovisual "Forcefulness" – ambas as partes integrantes do DVD "Crossing No-Fly Zone".
No primeiro momento, o show "Live at the Airport" chama a atenção por uma série de motivos. Não se trata de uma apresentação ao vivo, como os outros DVD’s do gênero acostumaram a mostrar rotineiramente. Em cerca de quarenta minutos, a HECATOMBE executa o seu repertório em um hangar do aeroporto de Caxias do Sul (RS) sem nenhum fã presente. Com a cara de um imenso videoclipe, o show conta com apenas a banda em cena – mas não deixa de evidenciar todos os cuidados que o grupo tomou para transformar o ambiente em um local interessante para o seu espetáculo solitário. Os takes são ótimos – assim como a iluminação e a edição do material – que por vezes passa a impressão de ser uma dublagem, por tão competente que se mostra do início ao fim.
A nova sonoridade da banda, que pode remeter ao ICED EARTH com uma faceta thrash metal, é muito bem representada desde o início do show, com a ótima "Me Against Me". Embora eu tenha tido a oportunidade de acompanhar a banda ao vivo exatamente dez anos atrás e apreciado o seu metal mais tradicional, a proposta recente (e mais agressiva) da HECATOMBE pode ser apontada como um dos maiores acertos da sua carreira. A pegada do quinteto gaúcho é tão intensa que não haveria uma outra característica determinante para rotular o seu trabalho. Por exemplo, "Dust to Dust" "Give It Back" comprovam como o caminho escolhido recentemente parece ser o mais certo.
A técnica da banda é evidente em "Not Enough", certamente a faixa mais marcante do repertório. Os guitarristas realizam uma performance digna dos melhores elogios do início ao fim de "Live at the Airport", mas é o baterista Boll3t e o vocalista Mark que atraem os holofotes para si. Não há dúvidas de que Boll3t em pouco tempo será considerado um dos melhores do Brasil. De outro lado, Mark une a agressividade típica do thrash a certas melodias ligadas da NWOBHM em uma atuação de muita personalidade. Depois das tradicionais "Gone" e "Hunter of Souls", é a cadenciada "Gray Desert" que mostra a desenvoltura da HECATOMBE em consolidar um som coeso e variado, sem se prender a somente uma (ou duas) características.
O novo EP da banda, intitulado "Forcefulness", pode ser considerado como a segunda parte do DVD. O registro feito em estúdio das músicas novas não possui exatamente a mesma qualidade de áudio de "Live at the Airport", mas não comete nenhum pecado. A cadenciada "Owned by My Own Desolation" é acompanhada pela montagem do equipamento da banda, mas é a partir de "Statue" que a HECATOMBE retorna em cena com a mesma pegada intensa do repertório anterior. Não há como destacar "Statue" e "Masquerades" do mesmo modo que as três faixas que complementam o set, já que elas deixam transparecer a criatividade do quinteto gaúcho na sua essência mais clara. Certamente, "There’s a Hollow" e "Gravy Desert" – mas principalmente "Not Enough" – figuram entre as melhores músicas que a HECATOMBE compôs em mais de anos de carreira.
Com o financiamento da Prefeitura de Caxias do Sul e da Secretaria Municipal de Cultura, "Crossing No-Fly Zone" conta ainda dois extras. O primeiro é o videoclipe (muito bem produzido, diga-se de passagem) da música "Not Enough", que definitivamente mostra toda a sua representatividade no novo repertório da banda. Por fim, uma entrevista com a HECATOMBE (acompanhada por uma galeria de fotos) desmembra todos os detalhes que cercam o show "Live at the Airport" e o EP audiovisual "Forcefulness", além de contar, mesmo que brevemente, o processo de composição da banda. De qualquer forma, é o ótimo repertório (e interessantemente pesado) que vem à frente e se mostra como ponto de maior destaque do DVD.
Site oficial: www.hecatombe.com.br
Track-list:
Live at the Airport
01. Me Against Me
02. There’s a Hollow
03. Dust to Dust
04. Give It Back
05. Gone
06. Hunter of Souls
07. Not Enough
08. Gray Desert
09. Hat n’ Rage
Forcefulness – Studio Recording
01. Owned by My Own Desolation
02. Statue
03. Masquerades
04. There’s a Hollow
05. Not Enough
06. Gray Desert
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