Lynyrd Skynyrd: em 1975, o terceiro álbum, "Nuthin' Fancy"

Resenha - Nuthin' Fancy - Lynyrd Skynyrd

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Por Janary Damacena
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Em janeiro de 1975, logo após o fim de uma turnê pela Europa, o Lynyrd Skynyrd entra em estúdio para gravar seu terceiro disco. Como a banda já tinha usado todo seu material nos dois primeiros álbuns não havia mais ideias para o novo. Então todas as músicas foram escritas praticamente dentro do estúdio, a não ser por “Saturday Night Special”, que já estava pronta desde o verão anterior. A canção, inclusive, fez parte do filme "The Longest Yard", um drama com Burt Reynolds, de 1974.
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Assim nascia o álbum que, para muitos críticos, representa uma queda na criatividade e no entusiasmo da banda. Antes da gravação do disco, o baterista Bob Burns, se mostrou desmotivado com a rotina de turnês e gravações, e acabou pulando fora do grupo. Sua única contribuição foi a já citada “Saturday Night Special”. A música que abre o disco é, também, a única gravada no Estúdio One, na cidade Doraville do estado da Geórgia. Todas as outras foram gravadas em janeiro de 1975, nos Estúdios WEBB IV em Atlanta, também na Geórgia. A saída de Bob Burns do Lynyrd Skynyrd ainda redeu para Ronnie Van Zant, a letra de "Am I Losin’". Para assumir o cargo das baquetas abandonado por Burns foi chamado Artimus Pyle, um renomado baterista de estúdio do estado da Carolina do Norte, que já havia colaborado com outras duas bandas de southern rock: Charlie Daniel’s Band e Marshall Tucker Band. Pyle tocava de forma mais agressiva que Bob Burns e isso fica evidente durante a audição do disco. De acordo com Ed King, sobre a gravação do álbum, a banda permaneceu em estúdio durante dezesseis horas, todos os dias, ao longo de três semanas para produzir o material que deu origem ao terceiro disco. King ajudou a escrever três letras das sete faixas.

Durante a primeira semana no estúdio, a banda conseguiu gravar apenas as faixas “On the Hunt” e “Cheatin’ Woman”. “Eu tinha uma progressão simples de blues antigo. Eu estava tocando um dia e Ronnie apenas começou a cantar. Parecia com uma jam de blues que foi ficando séria e acabou se tornando isso”. Lembrou o guitarrista Gary Rossington. O produtor que estava trabalhando com o grupo, Al Kooper, acreditava que era preciso dar um tempo para a banda. Ed King lembra desse momento, “Ele disse ‘vocês todos vão ficar sentados aqui e tocando por cinco dias até eu voltar’. Depois que ele saiu nós cortamos algumas canções, trabalhamos em outras e tivemos alguma diversão. E foi assim, tocando e gravando, e quando se gostava de alguma coisa, ela era guardada”. O disco trouxe ainda uma grande surpresa: a primeira música composta por Billy Powell e gravada pela banda, “Whiskey Rock-A-Roller”. “Eu apenas apresentei para Ronnie um riff tocado no piano. E ele me pediu para continuar tocando, tocando e tocando mais uma vez. Ele começou a cantar uma letra junto comigo e Ed King veio também e ajudou naquilo tudo”, conta Powell.

Em 28 de janeiro de 1975, após vinte e um dias consecutivos e um total de duzentas e cinquenta e nove horas de gravação de estúdio, a banda termina seu terceiro álbum: "Nuthin’ Fancy". Ronnie Van Zant comentou na época “Foi um trabalho realmente difícil. Nós colocamos tudo em uma fita e fomos embora daquele lugar”. Inclusive o nome do álbum, "Nuthin’ Fancy", é uma sacanagem de Ronnie, que significa algo como “sem capricho”. Durante as sessões de fotos para a capa do disco, uma foto em especial chamou a atenção de todos e acabou virando a imagem de trás do vinil. Nela todo o Lynyrd está andando em meio a algumas árvores, com Billy literalmente “dando um dedo” para os fotógrafos. “Aqueles caras estavam tirando uma foto após a outra e era um dia quente como o inferno. Eu já estava cansado e disse para mim mesmo ‘Deus, eles ainda vão tirar mais fotos?’ E num instante decidi deixar o passarinho sair. Seria legal se eles vissem o passarinho também! E meus dedos fizeram algo incrível. Durante a escolha das fotos, Ronnie, Gary e Allen viram todas as imagens e, claro, Ronnie disse ‘é essa’. Eu falei ‘não, por favor não! Cara, o que a minha mãe vai pensar disso?' E a primeira coisa que minha mãe disse foi ‘Isso Billy! Essa é uma ótima forma de agradecer aos seus fãs'”.

Em junho do mesmo ano, Ed King deixa a banda, apenas seis semanas antes do fim da turnê de divulgação do recém lançado disco. Ele não estava de acordo com o estilo de vida da banda, que durante a turnê, destruiu quartos de hotel, arrumou brigas em bares, cancelou shows e abusou de drogas pesadas. Ed King, que só voltaria ao Lynyrd durante a reunião de tributo ao grupo em 1987, lembra de quando saiu: “Eu estava cansado de viver com o restante da banda, então em 1975 eu sai. Kooper, Rossington e Collins toda hora me perguntavam se eu não queria voltar. Eu não estava muito afim, mas se Ronnie Van Zant tivesse me chamado, eu provavelmente teria voltado”. Com a saída de King, Gary Rossington e Allen Collins tiveram que tocar além de suas partes de guitarra, as do próprio Ed.

Aliás, essa divulgação durou apenas noventa dias e contou com sessenta e um shows. Na época a pequena turnê foi chamada sarcasticamente por Ronnie de Torture Tour. Nesse ponto, a banda tinha problemas até para decorar o set list dos shows, precisando da ajuda de um roadie que gritava qual era a próxima música a ser tocada. Ronnie, assim como o resto da banda, acreditava que o material não havia ficado bom o suficiente. Além desses problemas a saúde do vocalista Ronnie já estava ficando debilitada com o abuso das drogas e álcool. Ele já pensava até em deixar a banda para passar mais tempo com a família, principalmente depois do nascimento de sua filha Melody. Mais tarde Van Zant comentaria sobre o disco. “Nós estávamos cansados demais. Não tínhamos nenhuma ideia do que faríamos. Nós não tínhamos planejado nada de bom. Então nós apenas ficamos lá sentados, durante vinte e quatro horas todos os dias e tentávamos escrever as músicas”.

Nos anos 90 o vinil de "Nuthin’ Fancy" foi lançado em CD, e em 1999 houve uma reedição do disco, que trás duas músicas como bônus: “Railroad Song” e “On the Hunt” gravadas ao vivo no Bill Graham’s Winterland, em São Francisco, no dia 27 de abril de 1975. Além disso, a reedição ainda trás comentários e fotos raras da banda, que eram do acervo pessoal de Ron O’Brien. Big Ron como era chamado, foi um locutor de rádio que atingiu grande sucesso nos Estados Unidos nos anos 70, e passou pelas principais emissoras de rádio especializadas em música, sendo ele mesmo um especialista em músicas dos anos sessenta e setenta. Apesar das críticas, o álbum demonstra um amadurecimento tanto das letras quanto das harmonias criadas pela banda.

Lado A

1. "Saturday Night Special" (E.King - R. Van Zant) – 5:08
2. "Cheatin' Woman" (R. Van Zant - G.Rossington - A.Kooper) – 4:38
3. "Railroad Song" (E.King - R. Van Zant) – 4:14
4. "I'm a Country Boy" (A.Collins - R. Van Zant) – 4:24

Lado B

1. "On the Hunt" (A.Collins - R. Van Zant) – 5:25
2. "Am I Losin'" (G.Rossington - R. Van Zant) – 4:32
3. "Made in the Shade" (R. Van Zant) – 4:40
4. "Whiskey Rock-A-Roller" (E.King - R. Van Zant - B.Powell) – 4:33
Bônus da Reedição em CD (1999)
9. "Railroad Song (Live)" (E.King - R. Van Zant) - 5.27
10. "On the Hunt (Live)" (A.Collins - R. Van Zant) - 6.10

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