U2: reafirmando importância de álbuns como obras artísticas
Resenha - No Line On The Horizon - U2
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 24 de março de 2009
Nota: 8 ![]()
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Nos tempos em que vivemos, todos sabem, o conceito de álbum perdeu muito a sua força. Os ouvintes atuais baixam as músicas que querem ouvir todos os dias na internet. Poucos ainda compram discos. Não acredito que o CD irá acabar, mas o fato é que vivemos uma realidade muito diferente da que vivíamos a menos de dez anos.
Nesse contexto, discos como "No Line on the Horizon", novo trabalho do U2, tem um peso e um significado bastante distintos. Ao lado de bandas como AC/DC, Metallica, Iron Maiden, Rolling Stones e Pink Floyd - todas veteranas - e do Radiohead - único grupo mais atual a constar nessa lista -, os irlandeses são um dos raros nomes a ter força para, simultaneamente, causar uma expectativa e uma comoção com o lançamento de um novo álbum e, mais do que isso, provocar nos consumidores, incluindo aí não apenas os fãs de seu trabalho, mas também os ouvintes casuais de música, o desejo de comprar um disco, fato que era tão comum e corriqueiro há alguns anos atrás e que hoje caiu praticamente em desuso. No Line on the Horizon, assim com os trabalhos recentes dos grupos citados acima, serve de presente de aniversário ou agrado para um amigo em tempos onde o máximo que a maioria das pessoas fazem na hora de comprar algo relacionado à música é adquirir um CD-R para gravar seus MP3.
Ou seja, além da música, esse novo disco do U2 é importante também por isso, por reafirmar a importância de um álbum como obra artística, como o elemento que liga o artista ao seu público de uma forma muito mais eficaz, forte e duradoura do que arquivos digitais espalhados por um disco rígido.
Musicalmente, temos em "No Line on the Horizon" um U2 mais contemplativo e sereno do que o que deu as caras em "How to Dismantle an Atomic Bomb". A faixa-título abre o play mesclando a sonoridade de "Achtung Baby" com o U2 que conquistou as grandes massas durante os anos oitenta. "Magnificent" é outra que bebe na sonoridade apresentada pela banda naquela década, e poderia muito bem figurar em "The Unforgettable Fire", por exemplo.
As coisas mudam em "Moment of Surrender", desde a primeira audição uma das faixas que mais chama a atenção em "No Line on the Horizon". O grupo e os produtores Daniel Lanois, Brian Eno e Steve Lillywhite já declararam que essa canção foi composta em um único dia, e, independente disso ser verdade ou não, ela é a prova de que o U2 continua relevante. Seu arranjo nos remete ao projeto Passengers, com camas de teclados se sobrepondo umas as outras. Bono canta com uma verdade em sua voz como há tempos não cantava, enquanto a banda esculpe uma longa e excelente faixa, que caminha por campos ora melancólicos, ora cheios de esperança.
O clima "intimista de estádio" é mantido com "Unknown Caller", balada composta cirurgicamente para ser cantada a plenos pulmões por fãs apaixonados em todo o mundo. Ouça o refrão e veja se você não concorda comigo. A guitarra de The Edge introduz "I´ll Go Crazy If I Don´t Go Crazy Tonight", talvez a composição com mais cara de single do disco. Uma faixa despretenciosa, com um apelo pop gigantesco, prontinha para virar hit.
"Get On Your Boots", o tão discutido primeiro single, vem a seguir, e se revela melhor do que eu, pessoalmente, imaginava. A primeira vez que ouvi essa faixa, no site do grupo quando eles a disponibilizaram para audição via streaming, confesso que a achei muito fraquinha, principalmente pela batida eletrônica cachorra que a acompanha, mas agora, escutando-a dentro do contexto do álbum, minha opinião é outra. Ainda que seja aquele tipo de faixa que o U2 volta e meia compõe e solta para impactar seus sedentos fãs - como "Vertigo", por exemplo -, "Get On Your Boots" mostra que tem fôlego para não ser só isso.
Ares do controverso Zooropa batem em "Stand Up Comedy", antecipando uma das melhores faixas de "No Line on the Horizon". "FEZ-Being Born" é densa, hipnótica, e aponta para possíveis caminhos que o grupo pode seguir no futuro. A linda "White As Snow" é prima distante de "Wake Up Dead Man", uma das melhores canções do subestimado Pop, de 1997. O U2 mais simples, quase banda de garagem, surge surpreendente em "Breathe", composição exemplar dona de um ótimo refrão, que deixa transparecer o quanto Bono, Edge, Adam Clayton e Larry Mullen ainda sentem tesão e são apaixonados por aquilo que fazem.
O disco se encerra com a impressionante "Cedars of Lebanon", sem exagero uma das melhores músicas compostas pelo grupo nos últimos vinte anos. Bono não canta, ele declara a letra, buscando em seu interior as respostas para o mundo lá fora, mas fazendo isso de uma maneira diferente da que habitualmente sempre faz: ao invés de uma canção épica e grandiloquente, temos uma faixa intimista e relaxante, que fecha o trabalho de maneira sublime.
"No Line on the Horizon" foi lançado em duas versões no mercado brasileira. A primeira é um jewel case comum, sem maiores atrativos, iguais a esses que você encontra aos baldes em qualquer loja de CDs. A segunda é um digipack em versão limitada, cheio de detalhes, incluindo um poster do grupo, um longo encarte e um bem-vindo slipcase transparente que ajuda a conservar o disco. Não há comparação entre as duas versões, já que a segunda é infinitamente superior, e a diferença de preço entre ambas não chega a R$ 10,00.
Concluindo, "No Line on the Horizon" é um belo trabalho dos irlandeses, mostrando que Bono e companhia continuarão ao nosso lado por muitos e muitos anos, gravando discos e canções que tocam nossos corações, alimentam nossos sonhos e servem de trilha sonora para os nossos dias. Afinal, a vida é muito mais legal com o U2 - e com o AC/DC, com o Metallica, com o Iron Maiden, com os Stones, com Neil Young, Dylan e Springsteen - por perto.
Faixas:
1. No Line on the Horizon
2. Magnificent
3. Moment of Surrender
4. Unknown Caller
5. I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight
6. Get on Your Boots
7. Stand Up Comedy
8. Fez - Being Born
9. White as Snow
10. Breathe
11. Cedars of Lebanon
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