Thriven: com um peso de trincar os dentes
Resenha - Purecavespringwater - Thriven
Por Glauco Silva
Postado em 20 de novembro de 2008
O sufixo "core" pode causar arrepio em muita gente, visto o tanto de coisa que sai por aí, hoje em dia, com essa conotação às vezes mesmo pejorativa - muitas vezes com resultados pífios. Sabendo que o Thriven pode ser definido como metalcore, fiquei meio assim até assistir ao show de estréia dos caras, e qualquer sombra de dúvida se desfez quando coloquei esse EP pra rolar: que soco no cérebro, e quanta criatividade!

As 4 faixas foram gravadas quase em sua totalidade num home estudio, incluindo a drum machine - hoje têm um baterista fixo-, mas a produção final do Ricardo Piccoli (que já produziu diversas bandas da região de Campinas) se mostra mais uma vez impecável: tudo nivelado, cristalino e com um peso de trincar os dentes. Já escutei esse CD uma porrada de vezes, mas tem tantos detalhes e nuances na gravação que eu ainda encontro pontos interessantes, que enriquecem todo o conjunto.
Mas vamos ao som, que no fim das contas é o que interessa: antes de qualquer coisa, é difícil rotular a música dos caras… um cheiro de Lamb Of God e Machine Head fica bem evidente em alguns momentos, mas a esses são somados riffs puramente thrash 80s californiano, cantos de voz limpa, samples e efeitos sonoros riquíssimos. Uma balanceadíssima mistura de viajeira, raiva e um peso avassalador.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
'Pure' abre com riffs precisos em suas cavalgadas, desembocando em vocais e alavancadas hipnóticas na guitarra. A bateria foi programada de modo primoroso, eu particularmente acho muito difícil dizer que não é um batera "orgânico" - ainda mais considerando que hoje em dia quase tudo é gravado com trigger… muitas vezes soa artificial, mas aqui passa nem longe do padrão. Levadas ótimas e contagiantes, com um final perfeito - um piano em meio ao caos, excelente.
'Cave' mostra que o vocalista Pedro consegue passar com facilidade de um gutural cavernoso a berros quase histéricos. 'Spring' é a típica sonoridade-pesadelo: notas neuróticas em meio a climas que lembram os melhores momentos industrialóides do Fear Factory e, em menor grau, Ministry. Ainda entram cantos de pássaros (!), vocais mais melódicos e o que se tem é uma alquimia genial, terminando num quase blastbeat.
'Water', com sua atmosfera opressora e andamento mais carregado, fecha deixando um enorme gosto de quero mais pra saber qual a demência que ainda vai sair da cabeça de Sidney (G), Pedro e Felipe (G/V, depois entraram o excelente Fox no baixo e Gigante na batera). Isso porque eles fecham o release dizendo que essas são as quatro piores faixas que você vai ouvir da banda… dá até medo imaginar o que eles têm a produzir - se vier algo nessa linha, a banda se tornará algo de audição simplesmente obrigatória ao fã de música pesada em geral.
E seria sacanagem terminar sem falar do disquinho em si: esse é, fácil, o digipack mais luxuoso que já tive em mãos, um trabalho com capricho e qualidade inacreditável… só vi coisa parecida em CDs quase artesanais de MPB. O material todo é de altíssimo nível, capa é tal qual aqueles antigos livros de capa dura, encarte que se dobra (só vendo pra entender), impressão e imagens belíssimas, papel de primeira, tinta dourada. Algo de cair o queixo mesmo, como se não bastasse o excelente conteúdo musical.
Profissionalismo a toda prova, e quer saber o melhor? Parte da banda só tocava cover até pouco tempo atrás… como eu adoro quando isso acontece: as pessoas páram de emular as criações alheias e passam a desenvolver idéias próprias. E aliás, fica a trivia para o leitor que gosta de uma boa bebida, algo que só o guitar da minha banda prestou atenção: de onde vêm as palavras para o título do EP? Acertando, além de seus ouvidos, o fígado agradece o mimo… Recomendadíssimo pra quem quer escutar algo diferente!
Faixas:
1. Pure (4:30)
2. Cave (3:39)
3. Spring (4:34)
4. Water (5:57)
2008, independente (BR). Tempo total - 18:40
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