Bloody: maturidade de causar inveja a muita banda veterana
Resenha - Engines Of Sins - Bloody
Por Glauco Silva
Postado em 18 de novembro de 2008
O 1º trabalho de uma banda parece muito o currículo que um candidato leva numa entrevista de trampo: é isso que sei fazer, taí minha experiência e influências, vou trabalhar em cima disso. Tal qual um estagiário inexperiente, o debut do Bloody não me animou - mas nesse 2º álbum, as composições dos caras atingiram uma maturidade de causar inveja a muita banda veterana.

Uma vez mais o pessoal apostou na boa produção do Ciero em seu estúdio DaTribo, misturando tecnologia digital com trechos em que a trabalhosa gravação analógica se faz necessária, garantindo muito mais punch e peso. São 11 faixas onde fica difícil apontar destaques individuais para os músicos, o que é excelente em um aspecto: ninguém destoa, é a clássica formação de time que joga pra vencer, sem atropelar os demais.
"Bloody Machine" abre a bolachinha num pique pesadíssimo, mas logo o quarteto chuta o balde e parte pro thrash tradicional: paradas estratégicas, vocal irado, e a boa e velha pancadaria rolando solta sob os precisos bumbos de Luis Coser. "Invisible Faith" já deixa na cara a influência de Sepultura nos bons tempos do 'Arise', com um refrão favorecendo a cadência e levadas contagiantes.
"No Pay, No Gain" é uma crítica à crença religiosa movida única e exclusivamente por dinheiro, e aqui vêm parênteses: no encarte (alô você que só baixa música), todas as letras estão traduzidas embaixo de cada verso - o que, para o banger brasileiro que escapou às aulas de inglês, faz toda a diferença. Até por escreverem bem na língua bretã, escapam de vexames, mas essa iniciativa é algo muito legal (e diferente) por proporcionar melhor entendimento sobre o que falam e contestam.
"Forbidden Words" e "Forsaken By The Gods" se destacam pelo riffs marcantes - e pra quem já é familiarizado com o trampo da banda, é excelente ouvir o que estão desenvolvendo, pois achava o thrash deles muito, digamos, burocrático: aquela coisa que o Testament e alguns andaram fazendo na primeira metade dos anos 90, o famoso "chove mas não molha"… ainda bem que não regulam mais som, e a intensidade impera junto à velocidade!
Agora a melhor do disco é, sem dúvida alguma, a única cantada em português: "Vírus" é um ataque violento à política nacional, que infelizmente virou sinônimo de corrupção. Uma marretada certeira no crânio, com letras até apelativas pra extravasar a revolta contra "nossos legítimos representantes" (faz-me rir) e uma rifferama de fúria mais que latente. Excelente, é só ouvir e já sair agitando.
Em suma, esse segundo trampo caracteriza-se pela linearidade das músicas e enorme amadurecimento. As boas críticas que têm recebido (tanto compondo como na presença de palco) são mais que merecidas, e já dá pra apontar a banda como uma das opções mais interessantes no cenário thrash brazuca - ainda mais considerando que todos hoje em dia parecem só quer levar a tendência retro-thrash que, por mais que eu mesmo adore, não dá muito espaço pra ampliar horizontes… coisa que o Bloody, sabiamente, tem evitado para impor sua identidade pesada e feroz.
Faixas:
1. Bloody Machine (5:20)
2. Invisible Faith (4:55)
3. No Pay, No Gain (4:08)
4. Kill the Order (3:55)
5. Forbidden Words (4:30)
6. Evil's Science (5:42)
7. Forsaken by the Gods (4:46)
8. Vírus (4:31)
9. The Outcome (4:07)
10. Immortal Rage (4:09)
11. Chaos Empire (5:29)
2008, Voice Music (BR). Tempo total - 51:12
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
O melhor compositor dos últimos 100 anos, segundo Ritchie Blackmore
O guitarrista que mais inspirou James Hetfield, do Metallica, segundo o próprio
"Eu odeio"; a canção que o Depeche Mode foi obrigado a lançar e vendeu mais de meio milhão
O disco gravado por Rob Halford que Metal Hammer considera um dos piores do Judas Priest
A música de Renato Russo que ganhou prêmio de solo de guitarra sem ter guitarra
Thundermother anuncia novo álbum de estúdio, "Mothers of Thunder"
A banda que Slash diz merecer mais fama: "Um dos melhores rocks crus de todos os tempos"
Para Steve Harris, década de 1990 foi uma época muito estranha
O disco do Pink Floyd que nunca envelhece, de acordo com Sammy Hagar
"Black Album", do Metallica, completa 850 semanas entre os mais vendidos nos EUA
Clutch anuncia seu novo álbum de estúdio, "Wasted Lands"
"Faltou o Agostinho Carrara!" - Fãs reagem à nova foto do Sepultura
O disco do Metallica que está entre os álbuns que mudaram a vida de Richie Faulkner
O cantor com quem Paul McCartney sempre quis trabalhar e finalmente conseguiu
Jaco Pastorius: um gênio atormentado
Regis Tadeu revela quem ele considera que foi um verdadeiro artista com A maiúsculo
Rob Halford conta o que pensou sobre o Slipknot quando ouviu a banda pela primeira vez

Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme



