Incredible Hog: típica pérola perdida setentista
Resenha - Volume 1 - Incredible Hog
Por Ricardo Seelig
Postado em 10 de agosto de 2008
Nascido em Londres em 1972 pelas mãos do vocalista, guitarrista e compositor Ken Gordon e do baixista Jim Holmes, o Incredible Hog é uma típica pérola perdida setentista. Gordon e Holmes, colegas de escola, já haviam tocado juntos no Speed Auction, mas sem conseguir maiores repercussões. Cansados e insatisfeitos com os rumos do grupo, decidiram criar eles mesmos uma nova banda em meados de 1972. Fãs de histórias em quadrinhos, batizaram o conjunto como Incredible Hog, uma homenagem à revista "Incredible Hulk", publicada pela Marvel Comics.

Após testarem inúmeros bateristas, encontraram no sul-africano Tony Awin o line-up perfeito. Com essa formação fizeram alguns shows pelo circuitos de bares ingleses, mas a dificuldade e a enorme concorrência tornavam o agendamento de novas apresentações uma verdadeira luta. O Incredible Hog encontrou a solução para esse problema de uma forma inusitada: abriu o seu próprio clube, batizado como The Pig Sty, em Forest Gate, na capital inglesa. Lá realizaram inúmeros shows, ganhando confiança, experiência e força coletiva.
As vibrantes performances do trio chamaram a atenção de publicações como a Melody Maker, tornando o Incredible Hog cada vez mais conhecido e comentado entre a galera rocker londrina. Infelizmente esse prestígio não bateu na porta das gravadoras, já que nenhuma companhia foi atrás do grupo. Inconformado, o líder Ken Gordon foi até o escritório da Dart Records com a demo tape da banda embaixo do braço e se recusou a sair enquanto alguém não ouvisse a sua música. O resultado? Gordon ficou um dia dentro da gravadora e foi retirado pela polícia, mas a sua persistência teve resultado, já que um dos cabeças da Dart ficou curioso com a história, ouviu a fita e, passadas duas semanas, ofereceu um contrato para o Incredible Hog.
Roger Watson, profissional com experiência em grupos de comedy rock, foi indicado pela gravadora para produzir o álbum, o que gerou alguns atritos com a banda, que frequentemente ia em uma direção enquanto Watson indicava outro caminho. Felizmente, essa tensão entre os dois lados acabou sendo benéfica, resultando em um disco excelente. "Volume 1" traz dez faixas com um hard rock coeso, ácido em alguns momentos, com uma sonoridade crua embalada em arranjos contagiantes. O grande destaque do play é Ken Gordon, tanto por suas interpretações únicas quanto por sua guitarra, a força motriz do grupo. Entre as faixas destacaria "Lame", "Wreck My Soul", a linda balada "Execution", a furiosa "Another Time", "Warning", "Walk The Road" e "There´s a Man". O fato é que "Volume 1" tem muito daquilo que hoje em dia se convencionou chamar de "classic rock", com riffs empolgantes de guitarra, linhas vocais cativantes e uma cozinha pesada, o que faz com que o disco reserve momentos de enorme prazer para qualquer apreciador de hard, blues e rock setentista.
Paradoxalmente, apesar de ter sido aclamado pela crítica da época, o álbum não bateu junto ao público, que praticamente o ignorou. Isso, somado a um praticamente inexistente trabalho de divulgação por parte da gravadora, fez com que Gordon, Holmes e Awin desanimassem e encerrassem as atividades do Incredible Hog no final de 1973. Ken Gordon virou um músico de estúdio, tocando em trabalhos de nomes como The Rubettes, The Tremeloes e Heavy Metal Kids. Jim Holmes transformou-se em produtor do lendário Scarf Studios, e atualmente é dono de uma companhia de teatro. Já Tony Awin trabalhou com o Crazy World Of Arthur Brown e com o James Last, e atualmente é um renomado músico de estúdio.
O álbum saiu com três capas diferentes. A original inglesa da gravadora Dart trazia um irreverente porco mostrando a língua e apenas o nome da banda. A versão alemã, lançada pela Telefunken (Cat# SLE 14 738-P), tinha uma ilustração de uma porca toda produzida, enquanto que a espanhola, publicada pela Carnaby (Cat# CPS 9476), mostrava uma foto da banda em um cenário soturno, que parece ser um cemitério. As três são extremamente raras, e, quando encontradas em suas edições originais, alcançam valores estratosféricos entre os colecionadores. A excelente gravadora alemã Repertoire lançou em 1994 o álbum em CD (Cat# REP 4511-WP), saciando a fome dos aficcionados, enquanto a espanhola Wah Wah colocou no mercado uma edição em vinil de 180 gramas em 1999 (Cat# LPS002). Se você encontrar qualquer uma delas compre na hora, porque estará adquirindo uma jóia rara para a sua coleção.
Resumindo: extremamente recomendado!
Faixas:
1. Lame
2. Wreck My Soul
3. Execution
4. Tadpole
5. Another Time
6. Warning
7. Walk the Road
8. There's a Man
9. To the Sea
10. Losing Myself
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