BellRays: rock de menor voltagem em novo álbum
Resenha - Hard Sweet And Sticky - BellRays
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 25 de maio de 2008
Nota: 7 ![]()
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"Maximum Rock N’ Soul, Blue Is The Teacher, Punk Is The Preacher". Uma banda que tem esse tipo de apelo e se auto-proclama com estas palavras chave, no mínimo merece atenção. E o BellRays, egresso da Califórnia, sem dúvida faz por onde. Sempre comparados a uma fusão de Aretha Franklin com Stooges e MC5, destacando-se principalmente pelo vocal monstruoso de Lisa Kekaula, sua música está entre as mais empolgantes da atualidade. Com 5 álbuns no currículo, em especial o último, "Have A Little Faith", que teve melhor divulgação, sendo, também, uma obra poderosa que transbordava tesão e força rítmica (uma constante na história deles), a banda tem um conjunto poderoso na cozinha de Bob Vennum e Craig Waters.

Mas parece que a saída do guitarrista Tony Fate, fazendo com que Bob voltasse a tocar guitarra – alternando entre ela e o baixo – realmente fez falta ao grupo. Os riffs estão menos inspirados e o "high voltage rock n’ roll" já não é tão "high" assim. Após a paulada que era o último trabalho, "Hard Sweet And Sticky" soa como se o grupo tivesse levado um belo pé na bunda no auge da paixão, passando das noites de amor intenso à fossa inegável.
A abertura com "The Same Way", por exemplo, é bem morna. E "Fire Next Time" é o BellRays brincando de Massive Attack. Algo que, pasmem, ocorre muito. Principalmente em "Wedding Bells", que poderia passar perfeitamente como uma faixa perdida dos ingleses. Uma adição interessante de trip hop, embora inusitada e ainda precisando de alguns ajustes. "Blue Against The Sky", soul até o tutano, é o momento de Lisa brilhar. "Footprints In The Water" – regravada do primeiro CD - começa com um baixo perigoso e crescente para desembocar num quase brit-pop "feliz" de inverno – no máximo que o vocal de Lisa permite isso, soando mais como uma celebração Pantera Negra da década de 70.
Mas as melhores são mesmo onde a veia punk é prioridade: a explosiva "Psychotic Hate Man", "One Big Party", "That’s No The Way It Should Be" – animais ferozes domesticados - e "Infection", no esquema power-down-up com um solo encharcado de uma verve negra formidável. Além de "Coming Down" e "Pinball City" (outra releitura deles próprios), pra fechar, explodindo naquele punch visceral de quem acorda no meio da festa após uma ressaca precoce violenta e volta a curtir como se nada tivesse acontecido.
No fim, "Hard Sweet And Sticky" é menos urgente e mais calmo que o costumeiro, dum grupo, parece, ainda tonto com o golpe, mas sem deixar soar o gongo. Uma introspecção inflamável suficiente para deixá-los como um dos nomes mais bacanas da cena.
MySpace: www.myspace.com/thebellrays
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