Resenha - Era Vulgaris - Queens Of The Stone Age
Por Ricardo Seelig
Postado em 26 de junho de 2007
Nota: 7 ![]()
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Bandas super badaladas pela crítica e pela mídia nunca me atraíram. Sei que isso pode parecer (e realmente é) uma atitude imatura, mas na maioria das vezes não consigo ver o que o mundo está vendo em um grupo. É por isso que eu sempre tive um ranço com o Queens Of The Stone Age.
Munido de todo esse preconceito, fui ouvir "Era Vulgaris", novo álbum do grupo liderado pelo guitarrista Josh Homme. Pegando o CD na mão, e com as referências de grande fã de quadrinhos que sou, já fiquei com uma impressão positiva. Mas eu sou um velho que cresceu nos anos oitenta, onde a música ainda tinha mais importância que a música, então vamos parar de falar de penduricalhos e nos prender ao que realmente interessa.
Gostei de faixa de abertura, "Turning On The Screw", com uma batida hipnotizante. "Sick Sick Sick", primeiro single do disco e que conta com a participação de Julian Casablancas, vocalista dos superestimados Strokes (alguém poderia me dizer o que essa banda tem demais pra ser tão incensada pela crítica? Hein???), é baseada em um riff de guitarra que se repete durante toda a sua execução. Legalzinha, mas não mais que isso. Os experimentos continuam em "I´m Designer", dona de um arranjo minimalista e vocais cheios de efeitos.
Minha mente atormentada por anos de falsas promessas musicais estalou com "Into The Hollow", pequena gema pop construída sobre uma linha de baixo hipnótica. Classe A!!! Uma intro carregada de noise dá início à "Misfit Love", e nessa canção Josh Homme é o grande destaque, tanto por sua guitarra quanto pelo belo vocal. Depois de duas composições, estaria o Queens Of The Stone Age conquistando esse velho rockeiro ortodoxo, criado a doses generosas de Black Sabbath, Metallica e Led Zeppelin?
Infelizmente, "Battery Acid" não conseguiu responder a pergunta. Deixo de lado a minha isenção ao avaliar o disco, porque é a típica canção que possui uma estrutura que me irrita, pessoalmente. Um clima alternativo que não me desce.
No outro oposto, "Make It Wit Chu" vem carregada de acento pop e um clima setentista que me fazem tomar o último gole da cerveja e pedir mais uma ao garçom (só pra constar, escrevo essa resenha sentado no aeroporto de Floripa, esperando um vôo que está "só" duas horas atrasado … neste meio tempo, nada melhor que um rock and roll pra passar o tempo).
Por um instante, o início de "3´s e 7´s" me trouxe à mente "Smells Like Teen Spirit". A viajante "Suture Up Your Future" (ótimo título) vem carregada da melhor tradição setentista, de músicas cheias de experimentos, que ao vivo chegavam a ter o triplo de sua duração original.
A jornada chega ao fim com "Running Joke", melancólica e lembrando Nick Cave e seus Bad Seeds. Ótimas linhas vocais de Josh Homme me transportam de um lado para o outro, enquanto os timbres de guitarra, baixo e bateria pegam meu corpo e me levam de volta no tempo, diretamente para o início dos anos setenta.
Esse velho rabugento ouviu, finalmente, um disco do Queens Of The Stone Age de cabo a rabo. O saldo foi positivo. Tirando alguns cacoetes alternativos totalmente dispensáveis, o álbum é legal, perfeito pra ouvir com os amigos batendo papo e bebendo uma cerveja bem gelada.
Vamos lá, dou meu braço a torcer. Ok, você venceu, batatas fritas.
Faixas:
1. Turning On The Screw
2. Sick Sick Sick
3. I´m Designer
4. Into The Hollow
5. Misfit Love
6. Battery Acid
7. Make It Wit Chu
8. 3´s & 7´s
9. Suture Up Your Future
10. River In The Road
11. Run Pig Run
12. Running Joke
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