Resenha - Lambda Lambda Lambda - Lambda Lambda Lambda
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 23 de março de 2007
Nota: 6 ![]()
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Na sua trajetória como fã de rock, não devem ter sido poucas as vezes em que você se pegou pensando em como esta ou aquela banda são bacanas, boas mesmo, de qualidade inegável, mas nunca te atraíram. Simplesmente não rolou aquela "química", por mais que o paralelo com os relacionamentos humanos seja bizarro. Eu mesmo já passei por isso com relação ao Kamelot, ao Primal Fear e ao Hammerfall, conforme relatado por aqui em outras ocasiões. Assunto para outros textos. Enfim: mas você já imaginou o contrário acontecendo? Uma banda inegavelmente ruim, tosca até, mas com atitude, simpatia e carisma impressos de maneira tão nítida em seu trabalho que você até acaba relevando a qualidade terrível do trabalho e, diabos, consegue se divertir pelo menos um tantinho - talvez o suficiente para dizer até que eles são um grupo acima da média? Pois foi justamente o que me aconteceu na audição do debut dos paulistanos do Lambda Lambda Lambda. Eles me pegaram absolutamente desprevenido.

O próprio nome da banda já denuncia as referências: Lambda Lambda Lambda, ou simplesmente Tri Lambda, era a denominação da fraternidade do grupo de perdedores e rejeitados no campus da faculdade do clássico filme oitentista "A Vingança dos Nerds". Na película, os nerds usam as suas armas (leia-se "seus cérebros privilegiados") para, sozinhos, sobreviverem ao inferno que é a vida estudantil na terra do Tio Sam, entre líderes de torcidas e jogadores de futebol americano. O que dá a entender é que este trio de músicos herdou o nome da fraternidade justamente por se tratarem de três malucos como os do filme, que se valeram da facilidade que os computadores permitem nos dias de hoje e produziram seu próprio álbum, coisa caseira mesmo. Nenhum dos três era exatamente um prodígio no mundo da música, mas eles queriam se divertir. Um assumiu o baixo, outro a bateria e um terceiro ficou com a função dos vocais e da guitarra. Formaram uma banda e começaram a tocar um hardcore (ou "nerdcore", como eles mesmos chamam) cantado em inglês, por vezes pesado e furioso, por vezes fofinho e gostosinho, talvez para impressionar as garotas (Dee Snider e Gene Simmons concordariam comigo quando digo que não há mal nenhum nisso, afinal de contas).
O resultado? Bom, o resultado é este "Lambda Lambda Lambda", cuja produção e sonoridade são sofríveis - talvez até propositalmente amadoras. Em algumas canções, dá até para perceber que o vocalista está fora do tempo em relação ao restante do grupo (e também em relação às suas próprias guitarras). Mas nada disso chega a atrapalhar tanto assim, por mais esquisito que eu possa parecer ao escrever algo do gênero. Apesar do bom humor, no entanto, não espere do Lambda Lambda Lambda uma postura de "banda-piada". Não se trata de uma sátira, do tipo Massacration ou Spinal Tap. Acho que dá para descrever mais como um jeitão de "tô nem aí", do tipo "gravamos o CD para nós mesmos, mas vamos lançar aí só pra ver o que rola".
Caso resolvam insistir na carreira, até que os meninos do Lambda Lambda Lambda têm futuro, e dos mais promissores. A instrumental "I See Monstros", por exemplo, se liberta dos três acordes e tem lá no fundo um interessante quê de Queens of The Stone Age (acho até que nem eles vão acreditar quando lerem isso, mas é verdade). "Misguided" dá até para acompanhar com o pézinho e cantar junto. E "Skyway" é uma balada graciosa e com personalidade. Viram só? O que começou como uma curtição (e experimentação) de amigos pode até ganhar corpo, sem qualquer pretensão ou demais frescuras que se tornaram tão comuns no nosso mercado fonográfico. Será que dá pé? Prometo ficar de olho e conto pra vocês no futuro.
Formação:
Podrinho - Vocal e Guitarra
Bebassa - Baixo
Barata - Bateria
Tracklist:
1. Tunin'Up
2. Spin
3. Tripping
4. Misguided
5. I See Monstros
6. Skyway
7. 10 Minutes a Lifetime
8. Past Midnight
9. Sono
10. Decision-O-Rama
11. CTRL+X CTRL+V
12. Hate List
13. Revenge of The Nerds
14. Write a Song
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