Bloodhound: Power Metal com cara de Black Metal

Resenha - Nosferatu - Bloodbound

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Por Maurício Dehò
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Têm sido comuns anúncios, nas revistas metálicas, de uma nova banda sueca de cara pintada e muita cara de mau, o bloodbound (com minúscula mesmo), que lançou o álbum “Nosferatu”. O visual é black e, vendo o encarte, não é impossível pensar: “Esqueceram do vocalista, aquele Dani Filth” Ah é, não é o Cradle of Filth...
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Essa vontade de serem sombrios se mostra em tudo. Visual, nomes das músicas, letras em que as palavras “dark”, “hell”, “death”, “devil” e afins figuram repetitivamente. A capa, muito bem feita, por Mark Wilkinson, também mostra isso com um diabo envolto por fogo. Mas o mais peculiar vem no texto mandado junto ao promo CD enviado à imprensa, cheio de histórias macabras e pitorescas.

A gravação deste primeiro álbum, feita entre agosto de 2004 e setembro de 2005, foi realizada num clima “mais assustador que um filme de horror”, num castelo localizado no meio de uma floresta. Quer mais? Seria possível ouvir nas músicas sons de lobos, corujas e morcegos... Uau, assustador, não?

Eis que, ao apertar o play, o que se ouve, na realidade, são onze faixas (em pouco mais de 53 minutos) em que o grupo executa um power metal bem puxado para o melódico e que, na sonoridade, passa muito longe das hordas mais extremas. Pedais duplos, duetos de guitarra, refrões (MUITO) pegajosos. Mas se isso poderia desanimar aos já cansados da mesmice atual, vale dizer que o bloodbound faz um trabalho muito bom e que deve satisfazer aos fãs do estilo.

Para dar uma breve biografia, o conjunto se formou em 2004, quando o guitarrista Tomas Olsson e o baixista Fredrik Bergh se uniram e partilharam o sangue em nome da banda. Para explicar, bloodbound seria um ritual antigo onde homens cortavam as mãos e se ligavam aos companheiros pelo sangue. Atrás de parceiros para fechar o grupo, encontraram o vocalista Urban Breed, do Tad Morose e o batera Oskar Belin.

Falando das composições em si, todas passam pela mão de Olsson. Logo na primeira, “Behind the Moon”, após o choque de não ouvir nenhum blast beat ou vocal gutural, o que parece sair do som é o novo CD do Hammerfall. Para quem não gosta, vale dizer que Urban Breed manda muito melhor que o compatriota Joacim Cans, que já foi convidado em shows da banda, e as músicas não são meras cópias. Esta faixa, com todas as características já citadas e outras, como riffs “cavalgados” e “ôôôs”, é uma prévia do power metal que vem pela frente.

Um dos destaques é a faixa-título, “Nosferatu”, de mais de seis minutos. Ela tem o clima mais sombrio, iniciada com sinos e uma introdução bem cadenciada. Depois volta a um ritmo acelerado e tem um refrão que logo gruda na cabeça. O nome se refere a um demônio, que está sendo perseguido por um guerreiro, que é a história contada no disco, conceitual. O objetivo da cruzada é reestabelecer o equilíbrio entre bem e mal, luz e trevas e céu e inferno.

Outra rápida é “Crucified”, com outro elemento comum, os bons e virtuosos solos de Olsson. Ele optou por trabalhar muito com duetos e, junto aos refrões com muitos backing vocals, acaba soando um pouco como o Dragonforce. Por falar nessa multiplicação das guitarras, outra lenda dos suecos é que tudo foi gravado em mais de 100 canais e ajustado ao espectro humano, de 20Hz a 20KHz, que é a freqüência sonora que conseguimos escutar. Dá para acreditar?

Depois de “Desdemonamelia” (sim, eles conseguiram colocar esse nome enorme em um refrão!), com uma levada no teclado, vem outra boa faixa, “Fallen From Grace”, com uma batida pesada de Oskar Belin. Outro ponto legal é a linha de baixo de Bergh, durante o solo, que dá um clima diferente.

O álbum segue na mesma balada e é encerrado com os 6 minutos de “On the Battlefield”, que poderia entrar em um álbum da fase mais recente do Iron Maiden, vide a introdução lenta o miolo mais rápido e o final, encerrado na repetição do início.

“Nosferatu” aparece como uma boa opção para quem gosta do estilo. O bloodbound não tem nada de hiper-criativo musicalmente, mas executa um power metal muito bom. Além disso, esse visual dark é um diferencial que pode atrair mais fãs.

Como nada é tão maravilhoso quanto parece, por enquanto é necessário se contentar apenas com este debut e aguardar um próximo lançamento. A banda já passou por grandes mudanças na formação, permanecendo apenas os mentores Olsson e Bergh. Entraram Pelle Åkerlind na bateria e, para a segunda guitarra, Henrik Olsson. Atualmente, o bloodbound já se encontra no meio de alguma floresta européia para gravar o próximo CD, mesmo que ainda não tenha apresentado um sucessor para Urban Breed. Que eles mantenham a pegada e, com um novo vocalista, consigam evoluir.

Track List:
1. Behind the Moon
2. Into the Dark
3. Nosferatu
4. Metal Monster
5. Crucified
6. Desdemonamelia
7. Fallen From Grace
8. For the King
9. Midnight Sun
10. On The Battlefield

Integrantes:
Urban Breed – vocal
Tomas Olsson – guitarra
Fredrik Bergh – baixo e teclados
Oskar Belin – bateria

Rock Machine Records - 2006

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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