Resenha - Chameleon (Expanded Edition) - Helloween

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9


Seguindo o caminho iniciado pelo disco anterior, "Pink Bubbles Go Ape", com seu sucessor "Chameleon" o Helloween deu mais uma guinada no seu som para os lados de um hard rock mais acessível, deixando mais distante ainda o speed metal melódico pelo qual se tornou conhecido mundialmente.

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Prosseguindo com a formação que incluía Michael Weikath e Roland Grapow nas guitarras, Michael Kiske no vocal principal, Markus Grosskopf no baixo e Ingo Schwichtenberg na bateria, esse quinto disco de estúdio do Helloween viria para gerar um bocado de polêmica. Para a produção chamaram novamente Tommy Hansen, e as participações especiais de uma orquestra e de um grupo de metais (Kick Horns) acabaram causando uma profunda modificação no som do grupo.

Do ponto de vista comercial, tinha tudo para dar errado, e deu. Um LP duplo, recheado de músicas fora do estilo tradicional do Helloween, trafegando pelo pop, pelo blues, pelo hard rock, e até com pitadas progressivas, além de menos velocidade e vocais mais "domesticados" de Kiske. Enfim, tudo o que os fãs do Helloween *não* queriam, fora o fato do disco ter sido lançado quando o "grunge" e as camisas de flanela começavam a dominar o cenário do rock (1993). Do ponto de vista artístico, porém, o resultado foi ótimo e, ouvindo o disco hoje em dia, nota-se que há uma boa quantidade de material de primeira qualidade nele, e que sobreviveu muito bem ao tempo, mais de 10 anos depois de seu lançamento original.

O disco abre, entretanto, com um tema de Weikath que lembra os tempos passados da banda. "First Time" possui riff de guitarra cativante e vocais com uma progressão harmônica no melhor estilo do Helloween. Já na faixa seguinte, "When The Sinner", composta por Kiske, as novidades começam a surgir: o grupo de metais Kick Horns tem presença marcante nessa composição de forte acento pop, e inclui um final até meio jazzístico. A música que se segue é a balada "I Don't Wanna Cry No More", de Roland Grapow, que inclui inspirados solos de violão e guitarra. O refrão é grudento, sem ser chato, e apresenta mais um bom trabalho de Kiske.

O início do disco nos dá uma boa mostra do trabalho como um todo, a começar pelo fato das composições serem igualmente divididas por Weikath, Kiske e Grapow (exatamente 4 de cada). A quarta faixa é "Crazy Cat", outra com forte participação dos metais, um hardão inspirado que apresenta backing vocals cantados por, entre outros, Lenny Wolf (vocalista da banda Kingdom Come). Aí as coisas começam a pesar num tema de Weikath, "Giants", onde os fãs de heavy metal finalmente se encontram em casa. Esta música é dedicada às grandes gravadoras que duelaram pela banda no passado (Noise e EMI), e também às agora extintas torres-gêmeas do World Trade Center de Nova York, inclui um bom trabalho "guitarrístico" (com solos de ambos os guitarristas) e vocais agudos de volta, sendo um breve toque do velho Helloween. Introduzida pelo ruído de um moinho girando, "Windmill" é outra balada (escrita por Weikath), com melodia pegajosa (talvez até um pouco demais) e solos até de bandolim e piano, mas que de qualquer forma ajuda a manter a dinâmica e o ecletismo do disco. Fechando o quarteto de composições de Weikath está "Revolution Now", que lembra um pouco o trabalho do Queensryche da mesma época, mesclado a influência setentistas. Uma letra mais madura e ácida, e a surpresa da inclusão do clássico "San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers In Your Hair)", de John Philips, no seu meio.

"In The Night" é a próxima contribuição de Michael Kiske, e mescla diferentes influências de rock mais tradicional, assumidamente algo entre Elvis Presley e os momentos mezzo acústicos do Led Zeppelin. Um tema inspirado e contagiante, porém mais uma vez distanciando o grupo de seu legado do passado. Grapow contribuiu com mais 2 músicas: o ótimo blues rock "Music", um dos destaques do disco, com excelentes arranjos incluindo a seção de metais e uma orquestra, e ótimos solos de Grapow e Weikath, e a comercial "Step Out Of Hell", dispensável (o teclado inicial, ou guitarra sintetizada, à la Journey ou Foreigner em seus piores momentos, não permite enganos).

Fechando o álbum com fecho de ouro estão as duas últimas músicas de Kiske. "I Believe" é uma longa e intensa faixa de mais de 9 minutos, com arranjo brilhante que inclui novamente orquestra, metais, e ainda um coral de crianças e até um órgão de igreja. Na minha opinião, a melhor música deste disco e um dos grandes clássicos do Helloween. Guitarras pesadas carregam a música nas costas, somadas aos inspirados vocais de Kiske, que com o passar do tempo aprendeu a melhor lidar com sua voz, desenvolvendo um estilo no qual os agudos ficaram propositalmente mais contidos (e mais desnecessários também). Guitarras brilhantes se alternam, em momentos mais rápidos e outros mais calmos, ora sujas e pesadas, com pedal wah-wah e outras distorções, ora límpidas e cristalinas, com teclados de bom gosto enriquecendo as passagens. Já "Longing" é uma poderosa balada, mostrando que Michael Kiske não estava brincando em serviço, tanto na composição quanto nos vocais, simplesmente magistrais nesta última faixa, que acabou sendo ironicamente o seu canto do cisne junto à banda.

De extrema relevância é o segundo CD dessa versão remasterizada e expandida do álbum original. Além de incluir como material bônus todos os lados B de singles lançados na época, é importante frisar que tal material é de excelente qualidade! Dentre os lados B do single "When The Sinner" estão "I Don't Care You Don't Care", com seu refrão cativante ("shit happens") e a excelente instrumental "Oriental Journey", de Grapow, um tema pesado com melodias de influência oriental. Seguem-se 3 faixas que faziam parte do single "Windmill", sendo elas uma boa composição do baixista Markus Grosskopf, "Cut In The Middle", mais "Introduction" e "Get Me Out Of Here", ambas de Weikath. A primeira é apenas uma brincadeira (tradicional da banda), onde há um diálogo em inglês simulado entre um entrevistador e um membro de uma banda alemã (quem será?) com forte sotaque. Já "Get Me Out Of Here" é o Helloween soando como Kiss (assumidamente), um típico "party rock".

Uma longa e tentadoramente interminável jam session se segue no formato de "Red Socks And The Smell Of Trees", com seus quase 11 minutos de duração. Solos de guitarra em profusão à la Jimi Hendrix, em outro grande momento dessa compilação. Outro contagiante tema de Grosskopf vem a seguir, com a ótima "Ain't Got Nothing Better", no melhor estilo Lynyrd Skynyrd e afins. Por fim, uma versão alternativa (demo) de "Windmill", essencial para os "completistas".

O encarte de 12 páginas coloridas inclui todos os créditos e letras, a entrevista habitual com Michael Weikath, e fotos da época. Além, é claro, de vários desenhos da abóbora de "Halloween", tradicional nos discos da banda, fazendo referências aos títulos e/ou letras das músicas deste álbum.

Resumindo, o disco "Chameleon" apresentou novos caminhos naquele momento especial da carreira da banda, com longas músicas não necessariamente presas a estilos, mas o destino reservava uma brusca ruptura à frente, com as saídas de Michael Kiske (que seguiria carreira solo) e de Ingo Schwichtenberg (que viria tristemente a se suicidar). No entanto, um retorno ao peso desejado pelos fãs mais antigos era planejado pelo destino para o próximo lançamento...

Tracklist:

CD 1 (original album)

1. First Time
2. When The Sinner
3. I Don't Wanna Cry No More
4. Crazy Cat
5. Giants
6. Windmill
7. Revolution Now
8. In The Night
9. Music
10. Step Out Of Hell
11. I Believe
12. Longing

CD 2 (bonus tracks)

1. I Don't Care You Don't Care ("When The Sinner" single b-side)
2. Oriental Journey ("When The Sinner" single b-side)
3. Cut In The Middle ("Windmill" single b-side)
4. Introduction ("Windmill" single b-side)
5. Get Me Out Of Here ("Windmill" single b-side)
6. Red Socks And The Smell Of Trees ("I Don't Wanna Cry No More" single b-side)
7. Ain't Got Nothin' Better ("I Don't Wanna Cry No More" single b-side)
8. Windmill (previously unreleased demo version)

Site oficial: http://www.treasurechest.de/




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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D'Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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