Resenha - Are You Nervous? - Rock Kills Kid
Por Bruno Romani
Postado em 27 de novembro de 2006
Imagine que um belo dia, ao despertar na sua confortável choupana, Bono Vox, a voz do U2, percebe que salvar a humanidade não se encontra mais entre os seus objetivos. Outrossim, esse novo Bono está inquieto, andando de um lado para o outro, precisando de um novo rumo na vida apesar de sentir-se estranhamente revigorado. Ele então percebe que a resposta para suas aflições está bem debaixo do seu nariz. Música! Bono, então, pede as contas de sua antiga banda e se junta a uma molecada com tamanha vontade de tocar que somente o frescor da juventude pode explicar.

Baixo distorcido - confere. Bumbo dançante – confere. Guitarrinha que marcha – confere. Refrão melódico, grudante, que dura "eternamente" um verão todo, talvez dois. Confere, confere, confere! Todos os elementos para um single de sucesso no rock atual estão lá. A impressão é que o Bono substituiu os membros do U2 pela turma do The Killers.
Chega dessa brincadeira. O U2 ainda é a banda com o discurso mais chato do mundo pop com músicas nas paradas e dificilmente irá terminar. A tal música, porém, existe. O vocalista, no entanto, não é o Bono e nem mesmo irlandeses os cabras da banda são. Mas a semelhança é enorme.
Diante da inconstância de "Are You Nervous?," disco de estréia do quinteto de Los Angeles Rock Kills Kid, nada mais tentador do que falar do single "Paralyzed." Impossível furtar-se de um comentário mais empolgado. A música tem aquela aura de hino, que une as vozes de uma multidão. E apesar da progressão contínua dos mesmos quatro acordes, cada instante apresenta algum detalhe novo com precisão robótica, construindo camadas de energia dançante. Esses produtores de hoje em dia não dão ponto sem nó. "Paralyzed," apesar do nome, é liquida, movendo-se na tortuosa trajetória de um rio milenar.
O que vem a seguir no disco parece discurso do Bono: caprichado, bonito, mas não muda a vida de ninguém. Trejeitos desse rock com sabor de anos 80, embalados por muita melodia, sintetizadores e desejo de dançar até o corpo pedir pinico. Nada de novo para quem já ouviu gente como The Killers. Cada gravadora urge por um representante da crista da onda, seja qual for a onda.
O interessante dessa banda é que, graças a Jeff Tucker, o vocalista que canta como Bono, ela é como aquele Super-Homem quadrado do mundo bizarro, inimigo do homem de aço original. Parece, mas não é. Nunca será grandioso ou tão amado, beirando quase o esquecimento. Mais ainda: o Super-Homem Bizarro distorce completamente a mensagem do mocinho. A retórica do Bono todos conhecem. A do Rock Kills Kid, que talvez represente de forma inconsciente o que toda uma geração tem a dizer, pode ser garimpada num de seus refrões:
"Life’s a real bitch, but we can move it on."
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