Resenha - Winter Wake - Elvenking
Por Rafael Duarte
Postado em 09 de outubro de 2006
É certo que a Itália é um dos berços da música ocidental. A ópera floresceu no país como em nenhum outro canto do mundo no período do renascimento, que teve início no século XIV e perdurou até o século XVI. Mas afastados dos grandes salões, onde esta arte erudita era tocada para as classes mais nobres, crescia também um movimento popular de música folclórica, com canções descontraídas, sem o esplendor das cantoras líricas, mas com a alegria de um povo que cantava as desventuras de seus dias.

Músicos italianos de todos os estilos aproveitam estas influências para compor, e no caso do heavy metal, a mistura dos elementos trouxe bons frutos vindos do país. Se de um lado temos um Luca Turilli, liderando orquestrações monumentais no Rhapsody, inspirado pelas óperas italianas e pelos compositores conterrâneos famosos mundialmente, de outro temos o Elvenking, miscigenando as características dos compositores anônimos das ruas com o metal e apostando na sonoridade que fez dos ingleses do Skyclad uma cultuada banda.
Infelizmente, ao contrário dos ingleses, os garotos do Elvenking sofrem de um pequeno problema de originalidade, apostando em obviedades e fórmulas traçadas desde o começo da banda. Em um terceiro trabalho, o recém lançado "Winter Wake" (2006, AFM Records), é possível notar evolução técnica e maturidade na produção, que só têm melhorado desde os últimos dois álbuns. A volta de Damnagoras mostra como as canções são iguais e que o lançamento anterior, "Wyrd", só soou diferente porque foi gravado com um outro cantor, Kleid.
Mas quem disse que uma banda neste estilo precisa ser original para ser boa? O Elvenking consegue fazer de "Winter Wake" um disco empolgante. Com os vocais de Damnagoras intercalando-se com os guturais e as melodiosas vozes femininas, surgem momentos interessantes, que combinam perfeitamente o contraste do som distorcido das guitarras com o aveludado dos violinos.
As bases de guitarra compostas por Aydan continuam simples e sem demasiadas extravagâncias, mostrando a sua eficiência, deixando para o violino de Elyghen as maiores responsabilidades nos enfeites dos arranjos. As quatro cordas traçam a melodia das músicas. O baixista Gorlan e o baterista Zender completam a banda, que consolidou um forte instrumental, tornando a saída de Jarpen, o antigo guitarrista e um dos criadores, menos lamentável. Provavelmente ele faz falta apenas nas apresentações ao vivo, principalmente nos solos de guitarra.
As faixas trazem um misto de peso e melodia, provinda da supracitada união de violinos com guitarras, um clima que permeia todas as faixas do álbum. Bons momentos podem ser escutados em "Rats Are Following", cuja introdução bem reflete esta característica da banda. Em "On the Morning Dew" é possível ainda escutar um misto de violões e violinos numa faixa que irá soar, junto com "Disillusions Reel", como boa música folk, que poderia ser tocada em algum pub por músicos tradicionais.
Deveriam ter tratado a faixa título do álbum com maior esmero, já que conta com a participação especial de Schmier, do Destruction; ao tentar levar uma pegada mais thrash, acabaram deixando que soasse como um apanhado de clichês do heavy metal, compilados numa faixa cuja introdução mais lembra a dupla russa Tatu.
Não se surpreenda quem encontrar como faixa bônus de "Winter Wake" uma regravação de "Penny Dreadful", do Skyclad, muito parecida com a original, apenas para confirmar as influências desses garotos que devem estar felizes pela vitória italiana na Copa do Mundo, apesar de a música do duo americano White Stripes ter dominado as ruas do país como hino da vitória.
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