Resenha - Rock'N'Roll (2-Disc Deluxe Expanded Edition) - Motorhead

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Após o grande retorno comercial do álbum “Orgasmatron”, lançado em 1986, o Motörhead se viu confrontado com o terrível do paradigma advindo do sucesso: repetir a fórmula, ou correr o risco de tentar inovar? A opção foi pela segunda alternativa, e em 1987 lançaram “Rock’N’Roll”, agora sendo relançado pela Sanctuary na série de edições remasterizadas e expandidas do grupo.
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Convidados no início de 1987 a participar da gravação do filme “Eat The Rich” e também de sua trilha sonora, Lemmy Kilmister (que viveu o personagem “Spider”) e o resto do Motörhead viram abrir-se à sua frente novas oportunidades de atingir novos públicos (em especial, a nova geração de roqueiros). O filme era bobo, mas ajudou a emplacar a música “Eat The Rich”, cujo videoclipe inclusive continha trechos do filme.

Apesar dos bons ventos que impulsionavam a banda, o baterista Pete Gill deixou a nau logo depois, sendo substituído por ninguém menos que... Philthy Animal Taylor, seu predecessor, e baterista da formação clássica do Motörhead. Junto a Taylor e a Lemmy (baixo, vocal), estava ainda a dupla de guitarristas Wurzel e Phil Campbell.

O novo disco foi inserido no que o Motörhead sabe melhor fazer: 35 minutos do mais puro rock’n’roll, tocado de forma visceral e pesada. E nada melhor e mais adequado que chamar o disco de “Rock’N’Roll”. É só ouvir a faixa-título, que abre o CD, e também a que o fecha, “Boogeyman”, para se notar que esse era o caminho que a banda buscava. É como o próprio Lemmy sempre definiu: o Motörhead está muito mais próximo a Little Richard e Chuck Berry que a Iron Maiden e Judas Priest, embora muitas vezes isso não pareça óbvio por serem sempre rotulados de banda de heavy metal ou de punk, ou algo na interseção de ambos.

E quais são os destaques do disco? Além das músicas já citadas acima, temos ainda “Stone Deaf In The USA”, comumente presente em shows desde então, assim como “Dogs”. Também presente está a ótima “All For You” e seu riff de guitarra cativante, a primeira “canção de amor” do Motörhead (não se engane, não é uma balada!).

Alguns detalhes interessantes: Wurzel e Phil Campbell, além de revezarem-se nos papéis de guitarrista solo e guitarrista base, tocaram slide guitar em diferentes músicas (Wurzel em “Stone Deaf” e Campbell em “Eat The Rich”). Em “Boogeyman”, os 3 solos de guitarra foram tocados por Wurzel, Phil Campbell, e... Lemmy! Por fim, entre as músicas “Stone Deaf” e “The Wolf” há uma narração “engraçadinha” com forte sotaque inglês, feita por ninguém menos que Michael Palin, ex-integrante do genial grupo de comediantes inglês Monty Python!

Mas a festa não pára por aí. No segundo CD deste lançamento há muito material bônus, para alegria dos fãs. Começando, duas excelentes músicas que fizeram parte do lado B do single que continha “Eat The Rich” no lado A (“lados”... na época existia isso!): “Cradle To The Grave” e a longa “Just 'Cos You've Got The Power”, com seus sete minutos e meio, andamento mais arrastado (não muito comum em composições do grupo), e solos bastante inspirados de ambos os guitarristas.

Completando o CD bônus, foi incluída a apresentação da banda na edição de 1986 do consagrado festival “Monsters Of Rock” inglês, que ocorria todo ano em Castle Donington (e que voltou a ocorrer, recentemente). Pete Gill ainda estava no conjunto nessa apresentação, que na realidade ocorreu ainda durante a turnê de divulgação do disco anterior, “Orgasmatron”. O repertório bem escolhido, composto por um mix de clássicos do grupo e músicas – na época – mais recentes, fez com que o grupo literalmente roubasse o show. E é bom lembrarmos que estavam no lineup do festival artistas como Ozzy Osbourne, Scorpions e Def Leppard. Músicas como “Ace Of Spades” e “Bite The Bullet”, em versões contando obviamente com dois guitarristas (diferentemente das originais) e num andamento mais rápido, se transformaram em dignos exemplos do mais característico thrash metal californiano... não fosse o Motörhead assumidamente uma banda de rock’n’roll pura e simplesmente.

Seguindo a norma dessa série de relançamentos remasterizados da obra do Motörhead, além da versão expandida contendo 2 CDs, a capa extra (tipo “cardboard slipcase”) foi incluída, e o encarte é generoso com os fãs, contendo várias fotos que resgatam o espírito daqueles tempos de grande sucesso da banda (inclusive da participação no Monsters Of Rock), imagens de pôsteres, backstage passes, setlists, resenhas, capas de singles, etc., assim como texto mais uma vez brilhantemente escrito por Malcolm Dome.

E este disco fecha (infelizmente) a série de relançamentos da Sanctuary para o Motörhead... a não ser que consigam licenciar o lançamento de “1916”, o que está sendo negociado no momento. Cruzem os dedos!

Tracklist:

CD 1 (original album)

1. Rock'N'Roll
2. Eat The Rich
3. Blackheart
4. Stone Deaf In The USA
5. The Wolf
6. Traitor
7. Dogs
8. All For You
9. Boogeyman

CD 2 (bonus tracks)

1. Cradle To The Grave (b-side single “Eat The Rich”)
2. Just 'Cos You've Got The Power (b-side single “Eat The Rich”)
Live At Monsters Of Rock – Castle Donington, UK, 16/08/1986:
3. Iron Fist
4. Stay Clean
5. Nothing Up My Sleeve
6. Metropolis
7. Doctor Rock
8. Killed By Death
9. Ace Of Spades
10. Steal Your Face
11. Bite The Bullet
12. Built For Speed
13. Orgasmatron
14. No Class
15. Motörhead

Website da banda: http://www.imotorhead.com/

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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