Resenha - Summers End - Autumn
Por Bruno Coelho
Postado em 23 de maio de 2006
O termo "gothic metal" tornou-se - graças ao surgimento de bandas como Nightwish, Within Temptation e Epica - um campo praticamente dominado por vocais líricos femininos. Tem sido tanta soprano pra cá, soprano pra lá, que bandas como o Type O' Negative e o Paradise Lost (fase Icon/Draconian Times) hoje parecem ser qualquer coisa, menos Gothic Metal. Bom, pelo que parece, alguém na Dinamarca resolveu dar uma reviravoltazinha na situação...

A banda Autumn, que lançou este Summers End em 2004 e só agora o tem solto em solo tupiniquim, conseguiu sacudir um pouco as coisas, graças ao estilo de canto adotado pela jovem e bela Nienke de Jong. Com vocais nada operísticos, a banda acabou me remetendo ao que há de mais recente no trabalho do The Gathering, mas isso apenas se tratando do direcionamento dos vocais. A última faixa, "Solar Wake", resume com perfeição esse ponto de vista. Trabalho de voz fantástico e longe da ópera!
Posta na mesa a surpresa e o maior diferencial da banda, partamos para uma análise diferente do trabalho - a da sonoridade geral da banda. Nesse quesito, esqueça também os flertes com o power/melodic metal de muitas das bandas ditas gothic metal surgidas nos anos 90. Não que eles sejam totalmente inexistentes (vide o refrão de "Silent Madness", a faixa título e a faixa "This Night"), bem como a presença de poucos vocais urrados (em algumas das faixas), mas digamos que a banda é mais simples sem ser mais pobre. Neste trabalho não há toda a pompa buscada por tantas outros grupos que surgiram seguindo o rastro do Nightwish. O tom épico diminui, os neoclassicismos e barroquismos se esvaem e um simples e puro bom gosto de tonalidade e temática gótica acaba por prevalecer... Afinal, o Gothic Metal começou assim! Mais sombrio, mais soturno, mais penumbra... Exemplo disso é o feliz casamento das letras e das harmonias pelo disco, como na boa "Vision Red".
Guitarras ultra competentes e criativas, um baixo preciso e um baterista que soa bastante pesado quando é de peso que se precisa, mostram o Autumn uma banda madura musicalmente e que parece ter um caminho promissor pela frente, principalmente se conseguirem escrever melodias e refrãos mais pegajosos. Talvez isso tenha faltado: o bom e velho "gancho" em cada música. Um disco muito agradável, daqueles que qualquer um consegue escutar de cabo a rabo sem torcer o bico, mas que tem dificuldade para grudar melodias na cabeça do ouvinte.
Como destaques, além da satisfação de encontrar uma banda de Gothic Metal mais tradicional, com vocais femininos não operísticos, temos a realmente apaixonante faixa título, "Lifeline", "Vision Red", "Whispering Secrets" e "Solar Wake".
Como ponto baixo temos o trabalho de estúdio, que poderia ter sido melhor e, definitivamente, a escolha dos timbres de teclado em algumas passagens - coisa que um melhor e mais experiente produtor ou um melhor e mais experiente tecladista resolvem fácil, fácil!
Um ótimo começo, dentro de uma área próxima da total saturação. Espero que ainda muito se ouça deste grupo realmente acima da média...
Mas, por favor, tirem esse tecladista daí! Cada timbre...
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