Resenha - Yes - Magnification
Por Carlos Marques
Postado em 30 de setembro de 2005
A mania mercadológica de lançar um álbum de releituras orquestrado não foi páreo para a interminável criatividade dos gênios do Yes. Diferente de Mettallica, Deep Purple, Scorpions e outros, esse quarteto inglês lança o seu segundo trabalho orquestrado todo com músicas inéditas.
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Peraí, quarteto? Sim. Apenas Jon Anderson (Vocal), Chris Squire (Baixo), Steve Howe (Guitarra) e Alan White (Bateria) formavam a banda no momento da gravação do disco. A ausência de um tecladista é um dos maiores exemplos de ousadia do Yes uma vez que o posto já foi ocupado por ninguém menos que Rick Wakeman, Tony Kaye, Patrick Moraz, Geoff Downes e outros que sempre usufruiram de grande espaço nas composições da banda.
Magnification traz quase toda a influência recebida e transformada pelo Yes nos seus mais de 30 anos de estrada. Desde a influência original dos Beatles, passando pelo jazz, erudito, Rock e o Pop oitentista, tudo com o belo acompanhamento da orquestra conduzida e arranjada por Larry Groupè.
Assim podemos sentir o gosto dos belos arranjos da década de 70 em músicas como "Magnification", "Dreamtime" e "In The Presence Of..."; o poderio rítmico dos 80 em "Spirit of Survival" e "Can you imagine" (esta cantada brilhantemente pelo baixista Chris Squire); e a Beatlemania sessentista em "Time is Time".
A ausência do teclado dá mais espaço à orquestra que se apresenta toda como um quinto componente, com direito a sessões que são quase como os solos que seriam efetuados por um tecladista. Mesmo assim a sonoridade da banda muda muito sem a presença das teclas, o que não chega a ser ruim. Afinal de contas, o mínimo que se espera de um álbum do Yes é que seja diferente. Em alguns momentos (curtos e poucos) o baterista Alan White toca alguns acordes ao piano, o que cria um bom efeito.
O que se destaca com certeza é que a voz de Jon Anderson está perfeita nesse disco. As maravilhosas melodias e o timbre doce e cristalino do já sexagenário vocalista são de uma beleza tal que despertam as emoções mais prazeirosas, principalmente na canção "In the presence of...". Em outros momentos, como no calmo início da enérgica "Spirit of Survival", Anderson soa como um primeiro violino solando triunfante sobre uma reverente base orquestral.
Todos os arranjos são tão perfeitamente engendrados que a impressão que se tem é que o Yes sempre se apresentou com uma orquestra. Mesmo no final caótico da faixa-título sente-se a perfeita sincronia entre todos instrumentos que sabem exatamente o que fazer para desorganizar organizadamente.
Os destaques ficam por conta da faixa-título, "Give Love Each Day", "Dreamtime" e a emocionante "In the presence of...", uma das músicas mais sublimes da banda.
Talvez o único problema do disco não seja realmente musical. O problema está no encarte que não traz a duração de cada faixa e o nome da orquestra bem como dos instrumentistas que a compõem. Apesar disso, a arte visual é muito bela e bem diferente dos clássicos do desenhista Roger Dean que por anos coloriu os discos do grupo.
Concluindo: Magnification é a exaltação da capacidade e genialidade do Yes. Excelente para os novos fãs e para os saudosos órfãos de Close to the Edge.
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