Resenha - Holy Hell - Rob Rock
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 28 de setembro de 2005
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Acho que o único trabalho de Rob Rock que ouvi que merecesse uma nota menor que 8 foi o Grin & Bear It do Impellitteri, isso porque o álbum é de 1992. E desde que saiu da banda, em 2000, quando lançou o estupendo "Rage Of Creation", o mínimo que espero dele é algo muito bom. Acho quase impossível que ele venha a decepcionar os fãs no futuro. "Holy Hell" consagra uma carreira solo fantástica, sendo que Rob só não é considerado deus por aqui por falta de tino comercial – não entendo o porquê de nenhuma gravadora tupiniquim ter licenciado estes álbuns ainda. Uma estupidez inacreditável, considerando que o estilo de Rob, tendo o mínimo de divulgação, venderia milhares de cópias facilmente. "Holy Hell" é melhor que os últimos trabalhos de Saxon, Shaaman, Primal Fear, Grave Digger, Iron Maiden, Manowar, At Vance, Anvil, Hammerfall, Dream Evil, Judas Priest e congêneres. Ou seja, qualquer headbanger inteligente irá gostar deste som.

"Slayer Of Souls", a primeira música, supera minhas expectativas (estratosféricas, tome nota) e deixa transparecer a evolução em termos de peso, agressividade e complexidade de seus álbuns solos. Riff ultra pesado, seqüência de puro heavy metal virulento, thrash-power se assim preferirem, um grande solo e uma linha vocal irresistível. Roy Z, guitarrista e produtor, parceiro de Rob há mais de 15 anos, entrega a produção mais áspera e ofensiva que já fez. Além do direcionamento dado, dois grandes responsáveis por esta maior carga de peso são Andreas Olsson (o baixo finalmente participa mais das composições) e Bobby Jarzombek (ex-Halford e Iced Earth), o monstro, com sua pegada beirando o thrash metal. Sua interação com o guitarrista Carljohan Grimmark é fantástica, confira em "The Revelation". E por falar em Carljohan, o virtuoso membro do Narnia confere a "Holy Hell" solos encharcados de técnica, feeling e ao mesmo tempo agressivos, velozes sim, mas nunca em excesso, aqueles presentes em "Lion Of Judah" e "When Darkness Reigns" são especialmente atraentes.
O peso evidente em todo o material, que se exalta nos riffs mais rápidos e nos timbres afiados, e também nas estruturas mais quebradas e intensas, dão nova roupagem ao trabalho, que é um mix de todos os elementos que Rob Rock já trabalhou em sua carreira, trafegando entre o hard rock, o heavy metal e o power/melódico com inegável competência. "Calling Angels" possui uma melodia magnífica, num dos refrãos mais grudentos que Rob já compôs, sendo o nascimento dum hino, "First Winds Of The End Of Time" é uma canção poderosa, enquanto "I’m a Warrior" é um clássico pessoal de Rob Rock. Tal música já havia sido gravada em dois trabalhos prévios, no Driver e no Impellitteri, e a atual versão capricha neste ótimo hard rock metalizado, tornando-a ainda melhor e mais pungente. "I’ll Be Waiting For You" é a primeira balada nos moldes tradicionais, com vocal "a capela", registrada na fase solo, e é um momento lindíssimo e recompensador dentro do play. "Move On", a última, é um novo cover de Abba (a música "Eagle", da mesma banda, estava presente em "Rage Of Creation"), e, ao contrário de sua predecessora, transformada num típico heavy metal, esta aqui, que conta com um dueto entre Rob Rock e Tobias Sammet, é bem diferente de todo o resto, todavia, não deixa de ser interessante, demonstrando a capacidade de se lidar com outros estilos de música.
Falar da performance vocal de Rob Rock é ser eternamente redundante: definitivamente uma das vozes mais carismáticas e irresistíveis do metal mundial, que não vacila um segundo sequer e não tem dificuldade em qualquer tipo de composição. De uma naturalidade ímpar. As guitarras e os vocais continuam ocupando o centro da atenção nas composições de Rock & Roy Z, e não há porquê mudar, pois os dois são gênios e a voz do sujeito é perfeita.
Banda sincronizada, músicas completinhas, explorando várias facetas da vertente mais melódica do metal, parcerias longínquas, virtuose palatável, produção irretocável, arte feita com esmero. E, ainda que algumas passagens – familiares demais ou menos inspiradas que o normal, para ele, claro – quase tiram a nota máxima de "Holy Hell", o 10 é altamente merecido. Ouça, se não gostar, você realmente nunca gostou de metal.
Formação:
Rob Rock (Vocal)
Carljohan Grimmark (Guitarra)
Andreas Olsson (Baixo)
Bobby Jarzombek (Bateria)
Participações Especiais:
Tobias Sammet (Vocal)
Rick Renstrom (Guitarra)
Bob Rossi (Guitarra)
Roy Z (Guitarra)
Mistheria (Teclado)
Site Oficial: www.robrock.com
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ian Hill anuncia a aposentadoria e Davey Rimmer assume o baixo no Judas Priest
Registro perdido do Black Sabbath de 1970 reaparece com versão impressionante de clássico
O músico que mudou o som do Scorpions; "vamos tornar essa porra pesada novamente"
A melhor música de glam rock de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
O trabalho do Metallica que James Hetfield admite que não funciona bem ao vivo
Do início caótico ao último álbum, a discografia do Megadeth comentada por Mateus Ribeiro
O álbum do Pink Floyd que Roger Waters gostaria de refazer
A decisão que Brian May considera o pior erro cometido pelo Queen
A música com andamento esquisito do Pink Floyd que todo mundo conhece
A música mais brutal gravada pelo Slayer, segundo a Metal Hammer
As 5 melhores músicas do AC/DC com Bon Scott, segundo Gastão Moreira
Os melhores álbuns de melodic death metal dos anos 90, segundo o Loudwire
Dois discos do Pink Floyd que parecem feitos por bandas diferentes - qual é o melhor?
Uriah Heep se manifesta após entrada de baixista no Judas Priest
"Civil war" do Guns N' Roses, uma profunda música de protesto
Paul McCartney revela solo de guitarra dos Beatles onde ele tentou soar como Hendrix
As três músicas que definem o Black Sabbath, de acordo com Tony Iommi



Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Carach Angren - O preço de brincar com a morte em "Franckensteina Strataemontanus"
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Iron Maiden: "Senjutsu" é uma prova de que "The X-Factor" é um discão



