Resenha - Paradise Lost - Paradise Lost

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Por Sílvio Costa
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O tempo foi generoso com o Paradise Lost. Em quinze anos de carreira, a banda quase não sofreu abalos por conta de mudanças na formação (apenas duas trocas de baterista) e hoje dá poucos sinais de desgaste. Mas isso só ocorreu porque a banda se recusou a seguir o caminho mais curto da estagnação, sempre ousando, mesmo que tal atitude pudesse representar certo desagrado aos fãs. São dez álbuns em quase tudo diferentes em que quase não é possível identificar uma fórmula, uma característica comum. O sucesso nunca pareceu incomodar muito a banda, que, a despeito das excelentes vendagens de discos como Draconian Times (1995) e Icon (1993) optou por sempre transformar o seu som, de modo que o tempo não se aliasse à mediocridade e os transformasse em covers de si mesmos.

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O novo trabalho traz essa característica básica de não ser muito parecido com nenhum outro trabalho anterior da banda. A título de comparação - de modo a facilitar o entendimento para quem ainda não ouviu o disco - podemos dizer que ele segue a mesma linha do trabalho anterior, o bem sucedido Symbol of Life, lançado no ano passado aqui no Brasil. As diferenças, no entanto, já começam pela tendência geral à simplificação. Não se trata de, por exemplo, excluir os elementos eletrônicos das músicas. Ao contrário, nesse novo disco eles estão ainda mais presentes. Entretanto, nota-se que o Paradise Lost resolveu concentrar-se na sensibilidade que cada nota é capaz de transmitir, ao invés de envolvê-la numa espécie de capa de complexidade tal como vinha acontecendo desde o genial Believe in Nothing (2001).

De modo geral, quem apreciou Symbol of Life tende a gostar também de Paradise Lost. A produção é bem mais limpa e o tom minimalista dos arranjos, de modo geral, tende a fazer uma ponte entre o início da carreira da banda e o momento de maior aproximação com o eletro-gothic por que passaram em fins dos anos 90. O apelo comercial do álbum anterior continua aqui, mas, de certa forma, isso acabou sendo amenizado pela forma como as faixas foram distribuídas. A faixa de abertura é a mais assimilável de todas (embora, curiosamente, não tenha sido escolhida para ser o primeiro single do disco). "Don't belong" tem algumas das características mais marcantes da banda. O baterista de estúdio (e que também os acompanhará na tour), Jeff Singer, não compromete nem impressiona. Em certos momentos, a gente até esquece dessa pequena, mas significativa mudança no line-up da banda. "Close your eyes" está bem mais próxima do álbum anterior e é uma das faixas mais "retas" do disco. Não há uma única faixa para a qual os fãs (mesmo os que adoram dizer que a melhor fase do PL vai até o Icon ou Draconian Times) torcerão o nariz.

Num disco como esse, a única coisa que poderia prejudicar seria o excesso de expectativa em torno dele. Não sei quanto aos demais, mas eu, particularmente, já me acostumei a esperar grandes discos do Paradise Lost, mesmo naquele período em que eles foram sumariamente ignorados pela mídia especializada, que preferia tacha-los de animadores de raves a tentar compreender as inovações no som. Nada disso importa mais. Eu sei que é bem difícil achar a banda que gravou Gothic ou Shades of God neste novo álbum. Entretanto, se o ouvinte se dedicar a ouvi-lo sem preconceitos tem grandes chances de deliciar-se com mais este grande trabalho dos ingleses que, ainda que alguns discordem, integram a Santíssima Trindade do Doom Metal Britânico.

Banda:
Nick Holmes: voz
Greg Mackintosh: guitarra
Aaron Aedy: guitarra
Stephen Edmondson: baixo

http://www.paradiselost.co.uk




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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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