Resenha - Paradise Lost - Paradise Lost
Por Sílvio Costa
Postado em 06 de maio de 2005
O tempo foi generoso com o Paradise Lost. Em quinze anos de carreira, a banda quase não sofreu abalos por conta de mudanças na formação (apenas duas trocas de baterista) e hoje dá poucos sinais de desgaste. Mas isso só ocorreu porque a banda se recusou a seguir o caminho mais curto da estagnação, sempre ousando, mesmo que tal atitude pudesse representar certo desagrado aos fãs. São dez álbuns em quase tudo diferentes em que quase não é possível identificar uma fórmula, uma característica comum. O sucesso nunca pareceu incomodar muito a banda, que, a despeito das excelentes vendagens de discos como Draconian Times (1995) e Icon (1993) optou por sempre transformar o seu som, de modo que o tempo não se aliasse à mediocridade e os transformasse em covers de si mesmos.
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O novo trabalho traz essa característica básica de não ser muito parecido com nenhum outro trabalho anterior da banda. A título de comparação – de modo a facilitar o entendimento para quem ainda não ouviu o disco – podemos dizer que ele segue a mesma linha do trabalho anterior, o bem sucedido Symbol of Life, lançado no ano passado aqui no Brasil. As diferenças, no entanto, já começam pela tendência geral à simplificação. Não se trata de, por exemplo, excluir os elementos eletrônicos das músicas. Ao contrário, nesse novo disco eles estão ainda mais presentes. Entretanto, nota-se que o Paradise Lost resolveu concentrar-se na sensibilidade que cada nota é capaz de transmitir, ao invés de envolvê-la numa espécie de capa de complexidade tal como vinha acontecendo desde o genial Believe in Nothing (2001).
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De modo geral, quem apreciou Symbol of Life tende a gostar também de Paradise Lost. A produção é bem mais limpa e o tom minimalista dos arranjos, de modo geral, tende a fazer uma ponte entre o início da carreira da banda e o momento de maior aproximação com o eletro-gothic por que passaram em fins dos anos 90. O apelo comercial do álbum anterior continua aqui, mas, de certa forma, isso acabou sendo amenizado pela forma como as faixas foram distribuídas. A faixa de abertura é a mais assimilável de todas (embora, curiosamente, não tenha sido escolhida para ser o primeiro single do disco). "Don’t belong" tem algumas das características mais marcantes da banda. O baterista de estúdio (e que também os acompanhará na tour), Jeff Singer, não compromete nem impressiona. Em certos momentos, a gente até esquece dessa pequena, mas significativa mudança no line-up da banda. "Close your eyes" está bem mais próxima do álbum anterior e é uma das faixas mais "retas" do disco. Não há uma única faixa para a qual os fãs (mesmo os que adoram dizer que a melhor fase do PL vai até o Icon ou Draconian Times) torcerão o nariz.
Num disco como esse, a única coisa que poderia prejudicar seria o excesso de expectativa em torno dele. Não sei quanto aos demais, mas eu, particularmente, já me acostumei a esperar grandes discos do Paradise Lost, mesmo naquele período em que eles foram sumariamente ignorados pela mídia especializada, que preferia tacha-los de animadores de raves a tentar compreender as inovações no som. Nada disso importa mais. Eu sei que é bem difícil achar a banda que gravou Gothic ou Shades of God neste novo álbum. Entretanto, se o ouvinte se dedicar a ouvi-lo sem preconceitos tem grandes chances de deliciar-se com mais este grande trabalho dos ingleses que, ainda que alguns discordem, integram a Santíssima Trindade do Doom Metal Britânico.
Banda:
Nick Holmes: voz
Greg Mackintosh: guitarra
Aaron Aedy: guitarra
Stephen Edmondson: baixo
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