RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Judas Priest lançará reedição celebrando 50 anos de "Sad Wings of Destiny"

O significado do termo "classic rock", segundo Brian Johnson do AC/DC

Paul McCartney anuncia novo álbum, "The Boys of Dungeon Lane"

Swallow the Sun tem show confirmado em São Paulo para o segundo semestre

Green Day emplaca sua quinta música no "Clube do Bilhão" do Spotify

Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades

O icônico bordão do Faustão criado a partir de contestação dos Paralamas do Sucesso

Final da UEFA Champions League 2026 terá show da banda The Killers

Baterista explica novo adiamento do próximo álbum do Anthrax

Como uma mesma multa de estacionamento inspirou os Beatles e o Pink Floyd ao mesmo tempo

Qual é e como descobrir o sentido da nossa vida, segundo Nando Reis

O melhor disco de heavy metal da década, segundo a Louder

"Raining Blood", do Slayer, aparece em episódio da série "Invincible"

Por que Andreas Kisser convidou irmãos Cavalera para último show do Sepultura

Paul McCartney responde às perguntas mais pesquisadas da internet sobre ele


Bangers Open Air
Dish Carpens

Resenha - Nevermind - Nirvana

Por Maurício de Almeida (Maquinário)
Postado em 03 de fevereiro de 2005

Falar sobre "Nevermind" é falar sobre quase toda uma cultura, um período onde foram colocados em xeque alguns valores comportamentais e algumas angústias reprimidas por "Thriller" ou "Like a virgin" que atormentavam as rádios, dia e noite.

Nirvana - Mais Novidades

Não há como negar o impacto causado pelo Nirvana quando lançou seu segundo álbum, o primeiro por uma grande gravadora. O hard-rock já havia se tornado uma paródia de si mesmo, e aqueles cabelões enormes ao lado de solos de guitarras enormes e dos enormes falsetes deixavam de inovar, caindo na mesmice. E o Axl Rose... Bom, o Axl Rose sempre foi o Axl Rose. O início das pré-produzidas 'boybands' que viriam assombrar o mercado em meados da década de 1990 já apontava dois nomes certos: Madonna e Michael Jackson. Suas danças ensaiadas e as músicas vergonhosamente pop marcaram seu lugar no universo musical, porém chegaram a tal ponto de estagnação que mesmo que não quisesse, o mercado precisava de sangue novo. Mas onde encontrar? Uma nova Madonna ou um novo Michael Jackson não seria a solução, afinal, eram eles a estagnação do mercado fonográfico. O jeito foi procurar por pequenos movimentos culturais que teimavam em aparecer nos mais variados cantos do mundo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - TAB 1

Foi então que a cinzenta Seatlle surgiu, possuidora de uma movimentação musical que, contradições à parte, poderia se tornar o pote de ouro no fim do arco-íris. E se tornou. Não apenas Nirvana, mas Pearl Jam, Mudhoney, Soundgarden, Alice in Chains entre outras tantas bandas saíram de lá conquistando uma legião de fãs que jamais apareceriam nas estatísticas de pesquisa de opinião de qualquer gravadora daquela época. A juventude via o muro cair, a Aids surgir, toda uma nova configuração social se formar, mas ninguém parecia perceber que falar sobre virgens, rituais satânico-farrofas ou mostrar clipes com lobisomens ou trovões já não correspondia mais com os anseios de toda uma massa de pessoas, angustiadas por algo que não sabiam o que era, reprimidas por algo tão desconhecido quanto ao que reprimia. Era preciso um novo guia, um novo ídolo, pois Jim Morrison, assim como Jimi Hendrix ou Janis Joplin já havia morrido ha décadas, e mesmo se estivesse vivos, a luta deles era outra, contra o Vietnã, e não contra esse inimigo invisível que assolava a juventude da década de 1990.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - TAB 2

Os ídolos são, por excelência, tão problemáticos quanto seus seguidores. A história de Kurt Cobain cairia como uma luva, afinal, ele era tímido, tinha problemas familiares, de saúde e sua relação com a realidade não mudava uma vírgula do que se via não apenas nos Estados Unidos, mas também no Brasil, por exemplo, que enfrentava a redemocratização de maneira desastrosa. Não havia dúvidas de que Cobain seria a voz que guiaria esta juventude, entretanto, mesmo sendo um movimento premeditado, nem os engravatados das gravadoras podiam prever o que estava para acontecer. Na realidade, temos em "Nevermind" dois lados de uma mesma moeda, que não apenas gera discussões infindáveis, mas que caracteriza a adaptação forçada de uma realidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - TAB 3

Se o Nirvana foi ou não a melhor banda dos anos 90, nunca saberemos, da mesma maneira que nunca chegaremos ao consenso de quem foi melhor: Beatles ou Rolling Stones. O fato é que Nevermind trouxe de maneira definitiva o underground ao mainstream, causando uma confusão em ambas as regiões. É claro, por exemplo, que as guitarras de Nevermind são distorcidas de maneira diferente das guitarras de "Bleach", e não apenas devido ao gosto pessoal de Cobain. Elas fazem parte de um apanhado de alteração pelas quais passaram o som da banda ao, teoricamente, subirem um degrau. Tal fato não simboliza venda de ideais e/ou qualquer outro tipo de perda da essencial que move as paixões musicais, mas apenas a adaptação pela qual teve que passa o underground quando adentrou os caminhos do mainstream. Da mesma maneira que colocar nas capas das revistas, abrir programas de televisão e canais das rádios para a inconstância do underground e das pessoas que faziam parte dele também foi uma adaptação pela qual teve que passar o mainstream. A pista é de duas mãos. O mercado precisava de alguém que desse fim na estagnação, e encontrou, mas teve que arcar com esse mesmo alguém evidenciando várias das angústias que, até certo ponto, não são tão boas assim para o próprio mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - TAB 4

Se as guitarras de "Smells Like Teen Spirit" rendiam milhares a Geffen, então gravadora da banda, ao mesmo tempo ela expunha em seu refrão, "Here we are now/ entertain us" (algo como "Aqui estamos, entretenha-nos"), a superficialidade da relação juventude/mercado fonográfico: 'já que estamos fudidos, nos dê algo para matar o tempo, pois não há mais nada como aqueles idos anos 70 nos quais eu nem era nascido'. E não pensem ser o Nirvana esse 'algo'. Muito pelo contrário, ele era a voz desta juventude. Assim como era a voz mentirosa da juventude jurando não ter uma arma, pois a escondia por não saber para onde apontar, como no refrão de "Come as you are"; assim como era a voz da juventude repetindo consigo que 'precisava achar uma saída, uma saída melhor, melhor esperar' ("Territorial Pissings"); assim como a voz da juventude premeditando sombriamente que 'alguma coisa estava a caminho' ("Something in the way").

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - TAB 5

Dessa maneira, "Nevermind" talvez figure entre os discos mais importantes da década de noventa, pois, além de transformar toda uma realidade, alterando relações sociais ou comerciais, retrata a realidade daquela época como poucas outras obras conseguiram fazer. E, independente dos 10 milhões ou dos dez fãs, o importante é que aqueles dez anos estão ali, naquelas doze faixas, como uma fotografia capaz de não apenas mostrar a imagem, mas, principalmente, transmitir a emoção.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - TAB 6
Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS