Resenha - Think Tank - Blur

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Por André Melo
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5


(Virgin - nacional)

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Aqui está um disco complicado. Confesso que depois de ouvir Think Tank pela primeira vez tive uma enorme vontade de jogá-lo pela janela, mas à medida que fui escutando mais vezes meu conceito foi mudando, mesmo ficando irritado em algumas audições e em outras não entendendo o porquê da irritação anterior. Hoje vejo que o disco é tão inconstante quanto às minhas sensações nas diversas audições.

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No início do trabalho, quem pulou fora do barco foi o guitarrista Graham Coxon. O engraçado é que, com a sua ausência, parece que a bateria e o baixo passaram a soar diferentes do que em álbuns anteriores, com linhas mais trabalhadas ou batidas mais quebradas e muitas mudanças de ritmo e fortes marcações. Fica a impressão de que a cozinha ganhou maior importância.

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Para compor e gravar o disco, a banda foi até o Marrocos buscar inspiração, e muitos elementos, como melodias e instrumentos e até mesmo uma orquestra daquela região, podem ser encontrados aqui. Muita influência eletrônica também pode ser ouvida.

A primeira faixa, Ambulance, é uma das melhores e já mostra como será o disco. Parece que todas as canções seguem o esquema dela. A introdução é bem comprida, com os instrumentos e demais sonoridades entrando aos poucos. Lembra muito o Blur de outros discos, mas não é a mesma coisa. Out of Time é a típica balada de Damon Albarn somada a novos elementos sonoros. A seguir vem o hit Crazy Beat, faixa produzida por Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim. Aqui a parte eletrônica é o ponto principal da música, mas o riff de guitarra é bem forte e marcante. Depois do agito vem Good Song, bela canção que mistura o que parece ser uma base eletrônica somada a um riff acústico.

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Daí para frente o álbum parece cair de qualidade. Tudo tem a marca e a cara da banda, mas ela parece que exagera e acaba se perdendo em certas experimentações. Tudo bem, o Blur sempre foi uma banda que experimentou muito e se dava muito bem com isso, mas em Think Tank a história foi outra. O exemplo perfeito está em On the Way to the Club, com efeitos carregadíssimos e um ritmo inconstante, sem conseguir empolgar. Mas uma coisa é de se tirar o chapéu: mesmo em momentos como esses, o grupo consegue fazer refrãos contagiantes e expressivos.

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O trabalho se arrasta por algumas canções mais discretas e sem vida, mesmo que com letras interessantes, como Caravan, que fala de solidão mostrando uma luz no fim do túnel. We've Got File On You, instrumental com muita força e grande influência marroquina, faz com que você se lembre de que o Blur é um dos melhores nomes da sua geração.

Mas como neste disco a felicidade dura pouco, os caras se perdem novamente em faixas como Jets e Gene By Gene, músicas novamente com o jeito da banda: refrãos ótimos, mas levadas instáveis. A última faixa, Battery in Your Leg, é a única que contou com a participação do ex-guitarrista Coxon. Se o Blur seguir o caminho que apontou aqui, talvez fique difícil imaginar que teremos grandes álbuns como Parklife (1994) e Blur (1997). Só nos resta torcer para que Think Tank seja apenas um pequeno lapso.

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