Resenha - Testimony - Neal Morse
Por Daniel Dutra
Postado em 31 de março de 2004
Nota: 9 ![]()
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Terceiro disco solo de Neal Morse, o primeiro desde que saiu do Spock's Beard, Testimony seria um trabalho perfeito não fosse um único porém: a pregação. Tudo bem, Morse aceitou Jesus no coração e hoje freqüenta o Christian Gospel Temple, mas não dá para engolir a mensagem de que é o único caminho e só assim podemos encontrar o sentido da vida. A concepção religiosa chega mesmo ao extremo de renegar o passado, incluindo o que de ruim foi feito - e olha que as letras são uma autobiografia. Se fosse tão simples assim, bandido deveria receber o perdão divino ao se converter da noite para o dia.

Musicalmente, no entanto, o CD duplo é um bálsamo. Morse manteve a deliciosa veia pop de seus dois primeiros trabalhos - Neal Morse e It's Not Too Late - ao mesmo tempo em que mergulhou fundo no rock progressivo que fez do Spock's Beard um dos melhores nomes do estilo em muitos anos. Dividido em cinco suítes, Testimony traz o dono da festa mostrando a habitual categoria nos teclados e se saindo muito bem também na guitarra e no baixo (quase todas as partes foram gravadas por ele). Esperto, se cercou de convidados especiais, com destaque para um inspiradíssimo Mike Portnoy (batera do Dream Theater).
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
As nove divisões de Part One mantêm o nível lá em cima, mas é impossível não fazer alguns destaques. A começar por Overture Nº. 1, com uma linha de baixo à la Yes (inclusive no timbre) e ótimas mudanças de andamento, com um deles lembrando o tema de "Flash Gordon" composto pelo Queen. California Nights tem belas melodias vocais (um dos grandes destaques de Testimony, diga-se), Colder in the Sun prova que o pop pode e deve ser bem tocado e trabalhado, Sleeping Jesus tem um quê de Led Zeppelin e The Promise vai do progressivo ao ritmo latino com desenvoltura, incluindo um ótimo solo de violão flamenco.
Part 2 começa com a excelente Overture Nº. 2 e seu grande arranjo de cordas, ficando mais pop em Break of Day e Power in the Rain, esta com nítida influência de Marillion. Somber Days mostra o ótimo trabalho do percussionista Glenn Caruba e outro convidado, o guitarrista Kerry Livgren, rouba a cena em Long Story, com o eficiente acento Beatles. A orquestrada Transformation dá início a Part 3, que tem um eficiente jogo de metais em Ready to Try, cortesia de Jim Hoke (sax) e Neil Rosengarden (trumpete). A country Sing it High traz como curiosidade a participação do "irmão" Steve Farmer, pastor do Christian Gospel Temple, e sua esposa, a "irmã" Becky Farmer.
Com ares de Beatles e Yes, a ótima Moving in My Heart dá início a Part 4, que segue com a bonita balada I Am Willing e a excelente e mais progressiva In the Middle. The Storm Before the Calm, por sua vez, é simplesmente maravilhosa. Levada meio mambo, trabalho impecável de Morse ao piano e um solo de sax de Mark Leniger de tirar o fôlego. Tudo acompanhado por um Portnoy espetacular e um jogo de vozes de muito bom gosto. Aliás, justiça seja feita: os backing vocals de Pamela Ward, Aaron Marshall e Rick Altizer - principalmente as duas primeiras - foram um verdadeiro achado.
Mais uma bela balada, Oh, to Feel Him tem caprichados backings gospel (aqui com a participação de Terry White e Gene Miller). God's Theme ganhou o capricho esperado pelo título e ficou um bonito tema movido pela guitarra, enquanto Oh Lord My God é simplesmente mais rock'n'roll, musicalmente a mais simples de todo o disco. Testimony foi lançado ainda numa edição especial e limitada contendo um CD bônus. São duas faixas, ou quase. The Fang... Sings! é apenas Portnoy "cantando", por isso vá direto para a excelente Tuesday Afternoon/Find My Way Back Home. Mais do que indicado aos fãs de progressivo, o novo álbum de Morse é um presente aos que gostam de música bem trabalhada, com arranjos caprichados e uma agradável acento pop.
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