Resenha - 10 Anos ao Vivo - Dr. Sin

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Por Daniel Dutra
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Nota: 10

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Mais do que ter a banda do coração, todo mundo possui carinho especial por determinados grupos. Nunca escondi que o Dr. Sin faz parte da minha lista, não somente pela qualidade das músicas, como também pela trajetória de seus integrantes. Eduardo Ardanuy (guitarra) e os irmãos Andria (baixo e voz) e Ivan Busic (bateria e vocal) fazem parte da história do rock brasileiro. Platina, Cherokee, A Chave do Sol, Wander Taffo e até mesmo Ultraje a Rigor e Supla estão no currículo de pelo menos um deles. Mais do que isso, o metal nacional deve um capítulo à parte de seu crescimento ao trio.
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Como o simples Alive, lançado em 1999, não fez justiça ao trabalho da banda, felizmente a banda resolveu comemorar aniversário dando um belíssimo presente aos fãs: o duplo 10 Anos ao Vivo, que também chegou às lojas no formato DVD, é espetacular. Produção impecável - já que a apresentação no Sesc Ipiranga, em São Paulo, foi gravada justamente visando ao lançamento - e uma performance irrepreensível de três dos melhores músicos do Brasil. Apesar de quatro das minhas músicas favoritas - Miracles, Gates of Madness, Hey You e Scream and Shout - não estarem presentes, as 18 canções que compõem o set list estão entre as melhores que o Dr. Sin já gravou.

A excelente Time After Time abre o show e é uma das quatro escolhidas do álbum Dr. Sin II, gravado com Michael Vescera nos vocais. Apesar de Andria não usar tons tão altos como Vescera - que canta uma barbaridade, diga-se de passagem - seus vocais não comprometem em momento algum, mesmo porque o baixista não apenas é muito bom, como tem um timbre único. Assim, o resultado permanece lá em cima nas outras três. Fly Away tem um refrão ótimo para se cantar, assim como a contagiante Eternity e a pesada Danger, que mostra uma das muitas virtudes de Ardanuy: grandes riffs.

No primeiro CD, pérolas como Sometimes (ainda melhor ao vivo), Isolated (solo maravilhoso!) e as "antigas" Stone Cold Dead (com uma dose extra de peso, fora o refrão mais acessível) e The Fire Burns Cold, com seu jeito de hino (graças ao ótimo riff inicial) e mais uma aula de Ardanuy (chega a assustar o que essa cara toca!), além de menções a Wild Thing e Voodoo Chile (Slight Return), do mestre Jimi Hendrix. Com a participação do percussionista Marcus Cesar e de Marcos Sérgio tocando xarango, a banda surpreende com a belíssima Years Gone e, apenas com Cesar, a maravilhosa Revolution (é de arrepiar o público cantando o excelente refrão). Sem dúvida, dois dos melhores momentos.

Algumas notas de Lazy, do Deep Purple, dão início a No Rules no segundo disquinho. Ótimo começo, seqüência ainda melhor. Leaving and Learnig e Zero são exemplos de ritmo e refrão deliciosos, Karma traz no fim um instrumental pesadíssimo que o trio costuma tocar há muito tempo e Down in the Trenches é um show à parte - e conta com a segunda parte da música, apesar de não creditada. Ardanuy - que, fato raro, mudou o solo - comanda o instrumental até brilhar a dupla Busic, principalmente Andria. Suas linhas de baixo já são de encher os olhos, aí o cara resolve dar uma aula de slaps e two hands. Enquanto isso, e mais ainda durante todo o show, Ivan manda ver em viradas e quebradas precisas e um trabalho de caixa perfeito.

O show chega ao fim com uma trinca arrasa-quarteirão. Primeiro grande clássico do Dr. Sin, Emotional Catastrophe levanta a galera, que vai à loucura com Futebol, Mulher & Rock n' Roll, que por sua vez já nasceu clássica. Para ter uma noção de tudo isso, é só assisitir ao DVD, mas é Fire - com o perdão do trocadilho - que termina de incendiar o lugar. Não à toa, a música conta com a participação de André Matos, vocalista do Shaman e um dos maiores frontmen do metal mundial. Por isso tudo só nos restar aplaudir - como o próprio Matos, que se junta à platéia para reverenciar o trio - e comprar 10 Anos ao Vivo, disco obrigatório à coleção de qualquer um que goste de rock. Nada mais justo.

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