Resenha - Blink 182 - Blink 182

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Por Raphael Crespo
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De bandas engraçadinhas o mundo está cheio. E o blink-182 sempre foi uma delas. Não que isso chegue a ser ruim. Ao seu modo, o trio californiano, com dez anos de carreira, sempre praticou um pop-punk de qualidade, divertido, e conseguiu um lugar ao sol em meio aos milhares de pretensos comediantes com guitarras distorcidas. Mas, em seu sexto álbum de estúdio, batizado simplesmente de blink-182, a banda aparece mais madura, algumas vezes até melancólica, dark, deixando as brincadeiras para trás e falando sério nas letras, além de ousar no som, fugindo da fórmula rápida e fácil das rádios FM.

Os fãs da banda que esperam um novo hit como a grudenta e engraçada All the small things, do seu álbum de maior sucesso, Enema of the State (1999), podem se preparar para algo totalmente diferente. Os arranjos estão mais elaborados e não se limitam ao puro e simples pop-punk, apesar de o antigo estilo continuar presente na maioria das músicas, enérgico como sempre. Há mais preocupação com a produção, que está caprichada, e com elementos novos, inclusive com a intervenção de teclados em algumas faixas.

O novo disco abre com Feeling This, que rendeu o primeiro e, como de costume, bom clipe, que passa algumas vezes por dia na MTV. A música também tem tocado nas rádios mas, assim como quase todo o resto do disco, não chega a ser de fácil digestão, por causa dos andamentos quebrados e da ausência de refrões marcantes.

O novo posicionamento das letras do blink-182 fica claro em faixas como I miss you, Down, I'm lost without you e Stockholm Syndrome, esta última precedida de um belo momento, acompanhado apenas por um piano, em que a atriz britânica Joanne Whalley recita uma carta escrita pelo avô do baixista Mark Hoppus, para a avó, enquanto estava em campanha na Segunda Guerra Mundial.

O vocalista, Tom Delonge, tem uma performance segura também na guitarra, mas o maior destaque fica por conta do ótimo baterista, que dá um show em todas as músicas, principalmente na balada I'm lost without you, que termina com um solo empolgante. A nova faceta mais dark do blink-182 aparece um pouco em várias músicas, mas é escancarada de vez em All of this, um dueto com Robert Smith, vocalista do The Cure, um dos ícones das bandas dark dos anos 80.

O que se vê e ouve em blink-182 é uma banda madura, que não deverá ter tanto êxito com este álbum, exatamente por não seguir a tão conhecida fórmula do sucesso. Não deixa de ser uma atitude de coragem e uma prova de maturidade e preocupação com uma música de melhor qualidade. Atitude, no mínimo, respeitável, até mesmo para os que não gostam da banda.

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Sobre Raphael Crespo

Raphael Crespo é jornalista, carioca, tem 25 anos, e sempre trabalhou na área esportiva, com passagens pelo jornal LANCE! e pelo LANCENET!. Atualmente, é editor de esportes do JB Online, mas seu gosto por heavy metal o levou a colaborar com a seção de musicalidade do site do Jornal do Brasil, com críticas de CDs e algumas matérias especiais, que também estão reunidas em seu blog (http://www.reviews.blogger.com.br). Sua preferência é pelo thrash metal oitentista, mas qualquer coisa em termos de som pesado é só levantar na área que ele mata no peito e chuta. Gosta também de outros tipos de som, como MPB, jazz e blues, mas só se atreve a escrever sobre o que conhece melhor: o metal.

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