Resenha - Blink 182 - Blink 182
Por Raphael Crespo
Postado em 22 de março de 2004
Texto originalmente publicado no
JB Online e no Blog Reviews & Textos.
De bandas engraçadinhas o mundo está cheio. E o blink-182 sempre foi uma delas. Não que isso chegue a ser ruim. Ao seu modo, o trio californiano, com dez anos de carreira, sempre praticou um pop-punk de qualidade, divertido, e conseguiu um lugar ao sol em meio aos milhares de pretensos comediantes com guitarras distorcidas. Mas, em seu sexto álbum de estúdio, batizado simplesmente de blink-182, a banda aparece mais madura, algumas vezes até melancólica, dark, deixando as brincadeiras para trás e falando sério nas letras, além de ousar no som, fugindo da fórmula rápida e fácil das rádios FM.

Os fãs da banda que esperam um novo hit como a grudenta e engraçada All the small things, do seu álbum de maior sucesso, Enema of the State (1999), podem se preparar para algo totalmente diferente. Os arranjos estão mais elaborados e não se limitam ao puro e simples pop-punk, apesar de o antigo estilo continuar presente na maioria das músicas, enérgico como sempre. Há mais preocupação com a produção, que está caprichada, e com elementos novos, inclusive com a intervenção de teclados em algumas faixas.
O novo disco abre com Feeling This, que rendeu o primeiro e, como de costume, bom clipe, que passa algumas vezes por dia na MTV. A música também tem tocado nas rádios mas, assim como quase todo o resto do disco, não chega a ser de fácil digestão, por causa dos andamentos quebrados e da ausência de refrões marcantes.
O novo posicionamento das letras do blink-182 fica claro em faixas como I miss you, Down, I'm lost without you e Stockholm Syndrome, esta última precedida de um belo momento, acompanhado apenas por um piano, em que a atriz britânica Joanne Whalley recita uma carta escrita pelo avô do baixista Mark Hoppus, para a avó, enquanto estava em campanha na Segunda Guerra Mundial.
O vocalista, Tom Delonge, tem uma performance segura também na guitarra, mas o maior destaque fica por conta do ótimo baterista, que dá um show em todas as músicas, principalmente na balada I'm lost without you, que termina com um solo empolgante. A nova faceta mais dark do blink-182 aparece um pouco em várias músicas, mas é escancarada de vez em All of this, um dueto com Robert Smith, vocalista do The Cure, um dos ícones das bandas dark dos anos 80.
O que se vê e ouve em blink-182 é uma banda madura, que não deverá ter tanto êxito com este álbum, exatamente por não seguir a tão conhecida fórmula do sucesso. Não deixa de ser uma atitude de coragem e uma prova de maturidade e preocupação com uma música de melhor qualidade. Atitude, no mínimo, respeitável, até mesmo para os que não gostam da banda.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 músicas de metal que entregam o melhor momento nos primeiros 30 segundos
As três melhores músicas do Megadeth segundo Dave Mustaine
A banda que Axl Rose achou melhor o Guns N' Roses não tentar imitar
O músico que intimidou Ritchie Blackmore ao dividir o palco com ele
O disco "esquecido" do Black Sabbath que Bruno Sutter considera maravilhoso
O álbum de heavy metal preferido de Rob Halford, vocalista do Judas Priest
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O clássico do Genesis que Phil Collins não quis mais cantar por não entender a letra
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
A única banda dos anos sessenta que não foi roubada por empresários, conforme Paul Rodgers
A lição que jovem fã ensinou ao lendário Rick Wakeman no Brasil
A faixa do Guns N' Roses em que Axl Rose atingiu a nota mais alta de sua carreira
O único disco do Aerosmith que Slash considera ruim
Jeff Walker, do Carcass, teria recusado convite para se juntar ao Morbid Angel
Ozzy achava que Dio cantava bem, mas não tinha carisma
A lei imposta por facção criminosa que o corajoso Kiko Loureiro desafiou para gravar álbum
Champignon: como morte de Chorão e críticas abalaram o baixista, segundo Tadeu Patolla
"Eu pensei que iria encerrar minha carreira com Kiko", diz Dave Mustaine

Show no cemitério onde Dee Dee Ramone está enterrado celebrará 50 anos do Ramones
Grandes álbuns de rock e heavy metal que foram lançados em junho
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



