Resenha - And Thou Shalt Trust...The Seer - Haggard

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Por Sílvio Costa
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Formada por 15 músicos (isso mesmo!) o Haggard é uma das mais geniais bandas surgidas no cenário nos últimos tempos. Misturando os mais variados instrumentos (harpas, violinos, uma sessão de sopro) e diversos vocais, que variam do lírico ao gutural, a banda faz uma mistura única entre doom metal tradicional, gothic metal e música erudita. A banda parece um encontro de Beethoven com o antigo My Dying Bride.

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Este disco é o primeiro full lenght da banda, apresentando 8 faixas divididas em cinco "capítulos". O disco é conceitual, mas isto é o que menos importa aqui. Na primeira faixa "The Day as Heaven Wept" a banda já mostra a que veio. Com uma introdução acústica belíssima, onde violões, violinos, flautas e harpas soam hipnóticos, esta faixa cai para um doom metal arrastado e guiado pelo vocal cavernoso de Asis Nasseri (que também toca guitarra e é uma espécie de líder do grupo). Em seguida "Origin of a Crystal Soul" já começa como um doom metal tradicional, pontuado por intervenções de flauta e cordas, tudo bem acompanhado pelo peso da sessão rítmica típica do doom metal. O coral dá um toque a mais, transformando uma música já incrível em algo surreal. Lá pelo meio da música, surge um piano que vai ficar guardado na memória daqueles que possuem um mínimo de sensibilidade por muito tempo. Tudo isso sem abandonar o vocal gutural. É quase inacreditável mesmo.

Parece meio louco juntar esse tanto de gente e sair em tour (eles já tocaram até no México, gravando inclusive um home video/DVD desta apresentação), mas não funcionaria de outro modo. Se fossem apenas teclados ou sintetizadores reproduzindo o som dessa gama de instrumentos, o Haggard seria apenas mais uma banda em meio a uma infinidade de outras que alegam possuir influências de música erudita. O diferencial é justamente esse: não apenas dizer que gosta de música erudita, mas encontra maneiras inteligentes de mesclá-la com o metal. Quem ainda tem dúvidas a respeito da viabilidade desta mistura, ouça "In a Pale Moon's Shadow", onde os violinos são brilhantemente acompanhados por uma levada de dois bumbos e onde corais belíssimos fazem o background para urros assustadores.

Mesmo correndo o risco de a resenha ficar um tanto apaixonada, eu não tenho outro modo de finalizá-la a não ser dizendo para você, que chegou até aqui, comprar, encomendar ou roubar este disco, que, infelizmente, não possui versão nacional.




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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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