Resenha - Kiss - Kiss
Por Carlos Chacal
Postado em 28 de dezembro de 1999
No início da década de 70, o cenário popular musical de Nova York era tão efervescente quando o de Liverpool na década anterior. O glam rock e glitter rock começavam a ganhar destaque na cidade. Bandas como New York Dolls, The Planets, The Harlots of 42nd Street, vestidos de drag-queens e sapatos de salto alto eram toda a ira para a crítica musical. E enquanto estes grupos tiveram a distinção de ser a banda-do-momento, quatro jovens dividiam um apartamento, ou melhor, um sotão no leste de Manhattan com ratos e baratas, mas tinham grandes expectativas.
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O baixista/vocalista Gene Simmons e guitarrista/vocalista Paul Stanley, tinham acabado de sair da banda Wicked Lester pensando em criar um novo grupo que não se parecesse com nada que havia existido antes. Não só queriam fazer um excelente Rock ‘n Roll , mas também apresentariam um espetáculo fenomenal que ficaria marcado na memória do público. Depois de contratar o baterista Peter Criss e o guitarrista Ace Frehley, o Kiss, recentemente criado, passou os próximos meses compondo novas canções com uma meta em mente: A Dominação do Mundo!
E isso não era mais um episódio do desenho Pink e Cérebro. Fizeram a primeira apresentação no Coventry (um extinto clube localizado no Queens, NY). Perceberam que precisariam de algo a mais que pudesse chamar a atenção do público. E com isso a personalidade de cada integrante naturalmente - se manifestou nas roupas, no couro espalhado pelo corpo e na maquiagem em estilo japonês Kabuki. Ace se tornou um homem espacial; Peter um gato; Paul se tornou uma estrela do rock; e Gene um demônio cospe-fogo e sangue. Retornaram ao Coventry Club, e dessa vez chamaram a atenção não só do público, mas também do diretor e produtor musical Bill Aucoin, e viu que o Kiss tinha uma energia que deveria ser apresentada ao mundo.
Ele lhes ofereceu um adiantamento em dinheiro e prometeu um contrato com uma gravadora em troca da oportunidade de gerenciar a banda. Duas semanas depois, ele cumpriu a promessa e o contrato foi assinado com Neil Bogart, o dono da recém-criada Casablanca Records.
Em Outubro de 1973, o Kiss trabalhou febrilmente com os produtores Kenny Kerner e Richie Wise para produzir o primeiro disco. Porém, quando o álbum auto-intitulado tomou as estantes das lojas em 18 de fevereiro de 1974, se deparou com uma crítica enorme. A foto da capa foi inspirada na famosa capa de Meet The Beatles, dos, é óbvio, Beatles e as pessoas a acharam horrorosa e algumas críticas diziam que o Kiss era uma piada. Só depois que a banda fizesse a primeira aparição na televisão promovendo o primeiro single "Nothin To Lose " no programa Dick Clarks Concerts, que os críticos compreenderiam o significado do Kiss. Com um Rock e comportamento agressivo o Kiss conquistaria o mundo a partir dali.
E o resto da história você já sabe, o Kiss hoje é conhecido por ser uma banda milionária e por vender milhões de cópias de qualquer disco lançado. Se tornou comum vermos a banda arrebatando discos de ouro, platina e afins com uma rapidez incrível. Pensando nisso fica difícil imaginarmos que um dia, o 4 mascarados de Nova York tiveram albúns encostados nas prateleiras das lojas. Até o lançamento do primeiro disco da trilogia de sucesso Alive!, o Kiss ainda não sabia o significado da palavra sucesso em grande escala.
Mas o fato que passou desapercebido por muita gente na época, é que o primeiro disco é um dos melhores lançados pela banda. Ele nos dá uma excelente amostra do estilo que o Kiss desenvolveria no decorrer da carreira.
Gene Simmons e Paul Stanley trouxeram várias composições que já haviam sido feitas na época da antiga banda da qual fizeram parte, a Wicked Lester. Letras que em sua maioria, cultuavam a diversão adolescente: sexo, rock ‘n roll e festa. Isso aliado aos solos criativos de Ace Frehley resultaram em grandes clássicos. Dez excelentes faixas com o melhor do rock ‘n roll. A começar por "Strutter", onde Ace Frelhey já da amostras de porque seria um guitarrista influente para muitos que estavam começando.
Em "Nothin To Lose", a banda trata de uma forma indireta e divertida sobre o sexo anal, como se percebe no refrão: "Oh querida por favor não recuse, você sabe que não tem nada a perder!". Nesta faixa já se percebe uma grande parceria entre os 4 integrantes, que dividem os vocais com perfeição. "Firehouse" marca a apresentação do número cospe-fogue de Gene Simmons durante os shows. Ace Frehley também mostra que além de excelente guitarrista, também sabia compor. Isso fica claro na faixa "Cold Gin", a única escrita por Frehley nesse álbum de estréia.
A quinta música é "Let Me Know", uma das melhores do disco. "Kissin Time" foi uma música utilizada durante o concurso que inspirou o nome da banda. A primeira tiragem do disco não continha essa canção, foi incluída apenas mais tarde na segunda tiragem do álbum. Por isso, a edição que não inclui "Kissin Time" se tornou um item de colecionador, é a única música no disco não escrita por nenhum dos integrantes da banda.
"Deuce" mostra toda a potência dos vocais de Gene Simmons, um clássico absoluto. A oitava faixa é a instrumental "Love Theme From Kiss". Outro grande clássico da banda "100,000 Years" é a nona música do álbum, onde Paul Stanley mostra porque é considerado um dos melhores vocalistas de rock até hoje.
Mas o grande destaque do álbum, é com certeza a décima e ultima faixa. O clássico supremo "Black Diamond". Paul Stanley canta a introdução, depois passa a bola para Peter Criss que prova que além de bom nas baquetas, tem uma voz poderosa que se encaixa perfeitamente com a música. Tudo isso aliado ao solo estonteante, influenciado por uma música do Led Zeppelin, fazem de "Black Diamond" um dos maiores clássicos da história do Rock.
Mais tarde muita gente percebeu o que havia perdido e o primeiro albúm do Kiss acabou entrando no TOP 100 da Billboard, e dois anos após o seu lançamento recebeu o disco de ouro pela RIAA (Recording Industry Association of America).
O primeiro albúm do Kiss seria apenas o começo de uma carreira de sucesso estrondoso, e que deixaria marcado vários clássicos eternos. Nada menos do que 6 músicas do disco são obrigatórias nos shows até os dias de hoje. E isso, era só o começo...
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