Resenha - Live In São Paulo - Rebirth World Tour - Angra
Por Bruno
Postado em 05 de março de 2003
Nota: 10 ![]()
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Muita coisa já foi dita desde que o Angra se separou, o Shaman se formou, o Rebirth foi lançado, o Ritual foi lançado e ambas bandas excursionaram pelo Brasil. Fórums de debate borbulham com discussões sobre qual seria a melhor banda, qual seria o melhor disco... Ora, vejam só, de que adianta tal peleja? Ambas as bandas agora possuem formações maravilhosas, com músicos espetaculares e que criaram novos hinos do metal nacional e mundial! Isso é fantástico para todos nós! Claro que muitos preferiam que o Angra nunca tivesse se separado, mas e daí? Honestamente, ter como espectativa os álbums que irão suceder Rebirth e Ritual, na minha opinião, é algo que devemos ter com orgulho. O metal nacional está ganhando terreno e fazendo um papel louvável por todo o mundo.

Bom, muita coisa foi dita... e muita coisa deixou de ser dita por medo de retaliações e confusões! Sempre gostei de polêmicas, sou conhecido (injustamente) pelo meu radicalismo e agora vou escancarar meu lado politicamente incorreto pra dizer algo de que posso me arrepender pelo resto da vida: o Angra tem uma das melhores formações do metal mundial! A-HAAAAAAAAA, te peguei hein? Não meu irmão, não vou pra essa não! Leia as entrelinhas...
Rebirth World Tour, casas hiperlotadas, ingressos estourados, shows inesquecíveis e fãs sorridentes... Via Funchal, 15 de Dezembro de 2001, milhares de pessoas viram o que sonharam ver por muito tempo: Edu Falaschi, Felipe Andreoli e Aquiles Priester tocando com os mestres Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. O show foi gravado e transformado em cd e dvd. O set incluiu músicas do Rebirth, algumas já clássicas como Running Alone, Nova Era, Rebirth e Acid Rain, e outras dos discos mais antigos como Nothing To Say, Angels Cry, Carry On e Metal Icarus.
Se você viu qualquer show do Angra, sabe que as guitarras continuam extremamente técnicas e entrosadas. Mas sabemos que nossos olhos não mais fitavam as mãos e os dedos de Rafael e Kiko. Era o demônio Aquiles que nos assustava e dou a ele total destaque nesta tour. Chato pra cacete, reclamando toda hora, corre roadie daqui, corre roadie de lá, ajeita a estante do "china", gira esse prato pra cá... o chimbau vai cair! Aquiles destruiu, destruiu baquetas e ouvidos, destruiu nas músicas novas e nas antigas, incluiu contratempos, melhorou viradas e fez os bumbos cavalgarem como nunca... Neste álbum ao vivo mostrou que, se existe algum baterista rápido, versátil e eficiente como ele... shhhhh, vou me calar.
Bom, vimos Felipe e Edu quando Aquiles deixava também. Vimos um Edu energético e dando um novo tom (algumas vezes, literalmente) a velhos clássicos e com uma empatia quase palpável com o público. Se não é dele o vocal mais agudo da face da terra, paciência. Se ele não chega a tons esperados algumas vezes, notemos o punch que ele adiciona, notemos a vibração que ele adiciona. Edu está pra se tornar, assim como Bruce Dickinson, um frontman para Mané (ou nomes que rimam) nenhum botar defeito. Ainda bem que não colocaram uma mulher no posto de vocalista já que os vocais... shhhhhh, cala-te boca!
E o Felipe? O baixo é muitas vezes deixado para parcos minutos de observação durante o show, a não ser que o observador seja baixista. Um amigo meu, baixista exímio, baixinho e de óculos, que estava por perto durante o solo do rapaz no show, esticava o pescoço, coçava a cabeça, passava a mão na nuca e suava: estava para desistir de tocar baixo. Carlos (o nome dele) repetia: "Quantos dedos esse filha da puta tem, hein?" entre doces e emocionados gritos como: "PORRA!", "CARALHO!" e "VÁ TOMAR NO CU!". Vocês sabem do que estou falando né? Você entendeu o que diabos o Felipe fez naquele solo? Infelizmente o solo não tá no CD... Mas também nem precisa, a execução do "moleque" em todas as músicas é de quebrar queixo. Sou eu quem manda um "Vá se foder!" pra ele agora. Que precisão! Ah, "JESUS", que baixista! ;)
Esqueci de alguém? Quem? Fabio Laguna? Eita, rapaz... será que alguém viu o Laguna no show??? Meninos, EU VI! Se o trabalho dele no Inside Your Soul do Hangar já tinha provado todas as suas qualidades, não há o que se dizer de Laguna no show e no Live In São Paulo. Discreto no palco, Laguna aparece estupidamente bem no cd, tendo em Nothing To Say, na minha opinião, uma participação primorosa, incluindo carradas de personalidade em todas as faixas. Por favor, me digam que não houve overdubs de teclado na mixagem!
Aliás, esperar que não hajam overdubs num álbum ao vivo, hoje em dia, é meio louco. Então esqueçamos a questão e nos prendamos ao set list:
CD1
In Excelis-Nova Era
Acid Rain
Angels Cry
Heroes of Sand
Metal Icarus
Millenium Sun
Make Believe
Drum Solo.
CD2
Unholy Wars
Rebirth
Time
Running Alone
Crossing - Nothing To Say
Unfinished Allegro - Carry On
The Number Of The Beast.
Puta merda, que set list meu irmão! Viram algum problema? Eu não vi. Até o cover do Iron Maiden ficou bom, apesar de isso já ter virado clichê. Todo mundo quer coverizar Iron Maiden pra aumentar vendagem! Pessoalmente, gostaria de ver Carolina IV no álbum também, mas acho que isso é uma questão pessoal.
Todas as faixas foram executadas maravilhosamente e sempre vai haver alguém pra dizer que preferia o vocal do André nas musicas antigas. Até concordo que o vocal do André marcou tanto o Angra que escutar Make Believe com o Edu, por exemplo, traz certa estranheza. Mas o fato é que as mudanças foram feitas e agora nos resta respeitar os caminhos tomados e esperar que Anjos e Magos tenham seu lugar garantido no Olimpo Metálico.
P.S.1 - Alguns adoraram o som bem ao vivo do cd, com um pouco de reverberação e dando a impressão de se estar lá no show mesmo. Outros acharam horrível. Eu achei fantástico!
P.S.2 - O digipack ficou ótimo, a arte linda. Só que os cds encaixam com muita dificuldade e vivem escapulindo da capa. Pelo menos com o meu é assim...
P.S.3 - Caso o Laguna ou o Aquiles virem essa resenha: Tô devendo o review do Show do Hangar em São Luís mas não esqueci! Abraços.
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